Artigo do leitor: “A meta dos R$ 10 bilhões para Petrolina”

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Foto: Jonas Santos/PMP divulgação arquivo

Neste artigo, o professor e economista Márcio Ferreira Araújo Silva acredita que Petrolina já deveria começar a pensar na industrialização de sua economia, ampliando o leque de crescimento para além da agricultura irrigada, como forma de injetar seu Produto Interno Bruto (PIB).

Boa leitura:

Neste ano o IBGE divulgou novas estatísticas relacionadas às economias dos municípios, revelando o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) alcançado no ano de 2018. A despeito da crise na qual se mergulhou, desde a recessão dos anos 2015/2016 e seus desdobramentos, e neste ano com a tragédia do COVID, os municípios de Juazeiro e Petrolina apresentaram razoável desempenho no período 2002-2018.

Quando analisado isoladamente o caso de Petrolina, observa-se que a economia local continua respondendo positivamente à macroeconomia nacional, marcada por conjuntura instável, nomeadamente graças ao agronegócio da agricultura irrigada. Deve-se reconhecer que tem havido significativo efeito multiplicador provocado pela dinâmica da agricultura, tendo-se expressivos avanços em outros setores como prestação de serviços e construção civil, por exemplo.

Entretanto convém ressaltar que o município Pernambucano, embora com reconhecidos avanços nas áreas social e urbanística, padece de uma urgente política de industrialização, buscando-se agregar valor à produção e proporcionar maiores ganhos de renda para a população. Embora se reconheça a pujança da agricultura irrigada, deve-se registrar a importância da indústria que quase não existe em Petrolina.

Voltando-se aos números do IBGE, observa-se que o PIB petrolinense saiu de pouco mais de R$ 1,14 bi em 2002 para mais de R$ 6,68 bi em 2018, num avanço de 485%. Um crescimento vigoroso, mas que fica aquém de outros municípios do clube dos 300 mil habitantes, como Caruaru, com 610% de crescimento, ou do município baiano de Vitória da Conquista, que registrou uma expansão de mais de 562%, saindo de pouco mais de R$ 1,06 bi em 2002 para mais de R$ 7,03 bi em 2018, revelando assim que teve melhor crescimento tanto pelo maior percentual quanto por ter saído de um valor absoluto menor em 2002.

Numa análise ainda que superficial dos dados de alguns municípios na faixa dos 300 mil habitantes, comparando-se, inclusive com alguns do sudeste e do sul, pode-se constatar que Petrolina, assim como os demais municípios nordestinos não (ou pouco) industrializados, teve um desempenho expressivo, mas em termos absolutos fica muito a desejar quando comparado , por exemplo, com cidades sudestinas ou sulistas como Uberaba/MG (R$ 14,7 bi), Bauru/SP (R$ 14,6 bi) e Blumenau/SC (R$ 16,9 bi), cujos PIBs passam dos R$ 14 bilhões, mais do que o dobro do município sanfranciscano.

Como é sabido esses municípios integram todo um outro contexto que marca a tradicional (e resistente) desigualdade regional no País, e que tem no segmento industrial um importante motor (se não o principal) para suas economias, ainda que o agronegócio esteja fortemente presente, como em Bauru e Uberaba.

Voltando à comparação com Vitória da Conquista, o município baiano tem revelado interessante desempenho industrial, com fabricantes de produtos diversos como alimentos, produtos de higiene e limpeza e outros de maior valor agregado, o que os economistas chamam de bens de consumo semi-duráveis, e que provocam interessante mudança no perfil do mercado de trabalho, com profissionais mais qualificados e de melhor remuneração, o que gera novo efeito radial na economia como um todo.

Talvez seja nesse modelo que Petrolina possa se inspirar, elaborando um novo plano para a sua economia, focando na industrialização e não apenas na agricultura irrigada e na prestação de serviços, o que demanda por políticas públicas de infraestrutura, criação de incentivos e mecanismos e atração de investimentos. No início da década tentou-se a implantação do aeroporto indústria, um projeto muito arrojado, mas que não foi encampado pelas lideranças políticas locais, entre outras dificuldades.

Encerrada a segunda década do século XXI, é hora se pensar em qual o novo paradigma para a economia de Petrolina para os próximos 20 anos: o que fazer para o PIB do município chegar aos R$ 10 bilhões?

Márcio Ferreira Araújo Silva – Economista /Mestre em Economia / Doutor em Administração (marcio.juapet@gmail.com)

15 COMENTÁRIOS

  1. Esqueça indústria em Petrolina, não temos vocação nem estrutura para isso. Na minha opinião estamos muito bem com a agricultura e o comércio, que está cada mais diversificado.

    • Você deve ser eleitor de Julio Lóssio, do tempo que Petrolina respirava atraso e vivia atolada no esgoto do submundo do desenvolvimento e nada era agregado a cidade.

      • Onde estão as indústrias Coelho? FALIDAS! Que grandes indústrias tem no distrito industrial? Uma de Iogurte, outra de sorvete, outra de refrigerantes, outra de gesso, e….. só? Por que não se instalam mais já que temos o Prodepe?

        Pensa direitinho com seu cérebro de ameba, o que eu duvido muito.

        Aliás quantas indústrias o galeguinho instalou aqui, o pináculo da evolução humana?

        Não adianta você vir com blábláblá político, se dependêssemos de indústrias Coelho estaríamos comendo lagartixa assada….

        • CÉREBRO DE AMEBA É VOCÊ. Uma cidade com a estrutura e vocação de Petrolina ser incapaz de montar um parque industrial realmente é ideia de um anencéfalo, sem nome, por sinal. ( E sem voto)

          • Se tivesse mesmo essa vocação, já estariam aqui não acha?

            Melhor ser sem voto, que viver sugando um povo pobre e burro. Teu prefeito aumentou o IPTU muito acima da inflação, vai lá otário!

  2. Petrolina pela localização estratégica (está no meio do Nordeste) há muito tempo já poderia ser um grande polo industrial, comercial e logístico, levando em consideração apenas o seu potencial agroindustrial temos uma imensa quantidade de material prima que poderia ser melhor aproveitada, para citar alguns exemplos poderiam aqui ser implantadas outras vinícolas, industrias para produção de sucos e concentrados (suco de manga, uva, goiaba, acerola, caju, maracujá) industria de condimentos, industrias de produtos aromáticos, ervas medicinais, industrias cosméticas com base na uva, e pela logística a soja e o milho da região oeste da BA e PI poderiam aqui serem processadas, industrias de ração, dentre outras, na cadeia pode ser implantar industrias para fornecer insumos para as agroindústrias a exemplo de garrafas para vinho e sucos e isso é mais uma oportunidade que tem de ser gerenciada pois temos o exemplo da falta de caixas de papelão que prejudicou a exportação de frutas deste ano, eu imaginaria um grande parque industrial mais ou menos na área da Serra da Santa ou na área após o aeroporto, aliado a um novo CEAPE e um condomínio logístico, precisaríamos de mão de obra qualificada com a implantação de cursos de enologia, engenharia de alimentos, técnico em alimentos, dentre outros cursos de qualificação, mas Petrolina tem potencial para outros indústrias a exemplo da linha branca de eletrodomésticos, e também a indústria que não ocupa muito espaço físico que é a industria de games, aplicativos, softwares em geral, mais uma vez é necessário o investimento em mão de obra qualificada, além de fomento por meio de incentivos fiscais e desembaraços burocráticos, Petrolina tem todo este potencial que não é aproveitado.

    • Se tivesse mesmo esse potencial elas já estariam aqui. Vale lembrar que somos quase uma zona franca, se não estão aqui é por que não compensa.

  3. Bela abordagem, Márcio. Os números não mentem. Apesar da inequívoca importância da agricultura irrigada, o processo de industrialização precisa ser aplicado para proporcionar uma maior alavancagem na economia local. Espero que o prefeito Miguel, que vislumbra um futuro ainda mais próspero para Petrolina, possa ler o artigo.

  4. O problema é que as empresas estão se instalando na cidade vizinha para abastecer Petrolina. Enquanto tivermos governos socialistas lá no Palácio das Princesas que só pensam em aumentar a carga tributária e com visões provincianas, vai ser difícil. Fora que nesses últimos 50 anos praticamente fomos abandonados pelo Governo Estadual que só “cuida” de Recife e redondezas. Diferente da Bahia que investe pesado em todas as suas regiões econômicas. O Sertão de Pernambuco transformou-se em um deserto de indústrias.

    • Muito me admira um economista vir aqui dizer que basta ter indústria que nossa economia irá decolar. Me parece que esse economista está preso no século XVIII, quando a indústria realmente era motor do desenvolvimento. Ora senhor economista, isso é passado, talvez o senhor não conheça o caso da Austrália, um país com altíssimo volume de sua renda baseada na exploração de recursos naturais, no setor de serviços e no turismo, e também riquíssimo em termos de PPC, com níveis europeus de riqueza.

      Apesar da comparação desproporcional, A Austrália tem muito a ver com Petrolina, onde esta última o carro chefe da economia é a agricultura e o setor de serviços, que só aumentam a cada ano. Então você vir aqui me dizer que para atingir 10 bilhões de PIB Petrolina precisa de indústrias é de uma total ignorância acerca dos fatores que levam à geração de riqueza.

      Portanto sugiro que o senhor fique com seu devaneio que fábrica de apertar parafuso vai fazer Petrolina enriquecer para o senhor mesmo.

      • VEJA OS DEMAIS COMENTÁRIOS e observe que só quem opina contra é você, anônimo. Seria porque todos são burros e você inteligente ou o contrário ??? Acredito na segunda opção.

  5. E precisamos ver isso logo, a china esta transformando a africa na sua fazenda. Estão roubando nossas semente e cultivando por la, se não tivermos um plano b vamos sofrer bastante com a concorrência deles.

  6. Parabéns Márcio.
    Oportuna reflexão. Análise fundada em números. Muito importante despertar para novos vetores econômicos. A riqueza de sua abordagem se traduz nos bem postos comentários que se seguiram, quer contrários ou não. Assim se eleva a discussão a níveis aceitáveis em todos ganham, principalmente, a economia, com novas perspectivas.

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