Artigo do leitor: “31 de março de 1964? Não esquecer para evitar reprise”

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Esta semana o presidente Jair Bolsonaro envolveu-se em mais uma polêmica, ao comemorar o 31 de março. Neste dia, em 1964, as forças militarem derrubavam o então presidente João Goulart e assumiam o país, ficando no comando por 21 anos. Mas Bolsonaro, em sua tese para celebrar a data, diz nunca ter havido uma ditadura militar no Brasil. E você? O que acha? tire suas conclusões a partir deste artigo do jornalista, professor e pesquisador Emanuel Andrade.

Boa leitura:

Era 1º de janeiro de 1964. Um anúncio de boas festas da extinta rede de lojas  de eletrodomésticos ‘Rei da Voz’, cumprimentava o consumidor com o seguinte texto: “Lute pela democracia. A democracia é a única forma de governo dos povos livres (…) Os extremismos, a ditadura ou o comunismo trazem consigo sempre  um rastro de ódio, sangue, guerra, prepotência, miséria e sórdida escravidão”. Era um simples comercial. A população brasileira só não sabia se em meio ao texto publicitário/persuasivo, havia previsão de que seria um ano tenso, com um golpe militar a caminho.

Naquela semana,  um comentário na página de editoriais do Jornal do Brasil dizia que “havia uma espécie de irritação generalizada e mau humor no ar”. Dentro de dois meses – em 31 de março – a temperatura chegava  ao limite máximo. A situação da política interna criava todas as condições para um golpe, incluindo na turbulência o encorajamento do governo dos Estados Unidos, o que para muitos estudiosos do tema,  talvez tenha sido fator decisivo para que ocorresse de fato o golpe. Não deu outra.

Para a história, o conceito de Golpe de Estado no Brasil em 1964 designou o conjunto de eventos ocorridos em 31 de março que culminaram, no dia 1º de abril, com um ato golpista que encerrou o governo do presidente democraticamente eleito João Goulart – o  Jango. Dali em diante, homens do Exército não somente agiram na conquista do poder, como também começaram a executá-lo diretamente, implantando um regime centralizador, burocrático e autoritário.

A história, para além dos livros,  não conseguiu contabilizar, em sua matemática cruel, o número de mortos e desaparecidos,  senão quase meio século depois, graças ao trabalho árduo da Comissão Nacional  da Verdade (CNV).

Março de 2019. Num surto provocativo, não sabemos se por um distúrbio psicológico, o presidente Jair Bolsonaro  determinou em vão as comemorações dos 55 anos do golpe. Foi um soco na opinião pública. Não era para menos o sentimento nefasto de um capitão reformado após carreira conturbada nas Forças Armadas. Ele, que já havia tecido elogios de boca recheada ao que de pior aconteceu durante os anos de autoritarismo.

Antes de ser eleito, o presidente havia declarado aos quatro cantos seu fanatismo incondicional pelo coronel Carlos Ustra, notório torturador a quem chamou de um herói brasileiro que o fim da vida de cidadãos? É salutar que a sociedade se torne um paredão frente aos absurdos de um político que ocupa o mais alto cargo da nação. E que tudo seja sempre colocado às claras para as novas gerações de um país que viveu a escuridão truculenta arquitetada pelos militares ao longo de 21 anos.  Até mesmo entre os militares, o presidente tomou um puxão de orelhas.

Dessa forma, em uma afronta barata, Bolsonaro instiga o patrocínio  da subversão de valores ao convocar a celebração oficial  para um regime que fechou o Congresso, prendeu opositores e usou a tortura e mortes como métodos de repressão. A história jamais esquecerá esse capítulo sangrento.

Em 2014, depois de dois anos e sete meses de trabalho, a CNV confirmou, em seu relatório final, 434 mortes e desaparecimentos de vítimas da ditadura militar no país. Entre essas pessoas, 210 são desaparecidas. Digamos que o clima bélico, armado de vez em quando pelo presidente, assusta. Expor a verdadeira radiografia assustadora do que foi 1964, é por si desgastante. É como entrar numa caverna radioativa.

Ao passo que nossa democracia cambaleia, é importante compreender que no Brasil não há caminho fora da democracia. A grande maioria da sociedade foca num Brasil livre e descente. porque tortura é para nunca mais. Nem para estar lembrando de brincadeira.

Emanuel Andrade/Jornalista, pesquisador e professor da Universidade do Estado da Bahia (Uneb)

21 COMENTÁRIOS

  1. Parabéns pelo artigo, professor!
    O nosso país está sofrendo da doença da alienação patrocinada pelas elites, que só querem mais e mais. E nada melhor (para eles) que comprar as forças armadas para se garantirem.
    Tomara que quando o povo acorde não seja tarde demais…

        • Os atos institucionais que deram poderes exclusivos ao executivo comprovam que eram sim ditadura. E o país cresceu por causa dos gastos do governo, acabaram os gastos o país passou 1 década estagnado e com inflação soviética. Logo 1964 foi um erro brutal que só acéfalos e gente de fraldas geriátricas defendem…

  2. MEU PAI, MINHA MÃE, MINHA AVÓ PATERNA, MEU AVÔ PATERNO, MINHA AVÓ MATERNA,. MEU AVÔ MATERNO NUNCA SOFRERAM NADA DESTA TAL TORTURA QUE OS BANDIDOS VAGABUNDOS, BADERNEIROS, SAFADOS E LADRÕES SOFRERAM….. E DEPOIS A DITADURA É RUIM?????? ACHO QUE NÃO.

  3. Gosto da Democracia, capacidade de pensar, expressar, debater, respeito pelos direitos.

    Ditadura é para quem é engessado mentalmente e gosta de ser uma máquina programada previamente e para sempre.

  4. A comissão Nacional da Verdade trata da verdadeira mentira, por que é contada por um bando de comunistas vagabundos. Graças ao governo militar nãos somos uma CUBA. Conta outra professor. Interessante que a CNV é composta apenas por um dos lados,, sendo realmente uma verdadeira estória.

    • O Brasil era um “Cubão” nas mãos dos militares, vejamos:

      – Pessoas tiveram seus direitos políticos cassados, não pela justiça, mas por determinação do EXECUTIVO;
      – rádios, jornais, emissoras de TV eram vigiadas pelo governo;
      – Houve centralização do controle da educação nas mãos do estado, mais comunista que isso, impossível;
      – Estatização da economia, controle de preços e salários;
      – A economia era fechada e altamente controlada pelo governo militar, com o governo subsidiando produtores nacionais, decidindo o que cada um deveria produzir, e quais setores deveriam prosperar;
      – Institucionalização e industrialização do roubo de propriedade privada através do INCRA;

      Mais comunista que o regime militar, impossível.

  5. Em 1920 a Filosofa Ayn Rand escreveu. “Quando percebes que,para produzir,deves obter autorização de quem não produz nada.Quando percebes que o dinheiro não é para quem negocia bens,mas sim favores.Quando percebes que muitos são ricos por suborno e influência,em vez de trabalho, e que as Leis não nos protegem contra eles,mas pelo contrário,são eles os protegidos.Quando percebes que a corrupção é recompensada e a honestidade se torna um autosacrificio. Então poderás afirmar,sem medo de contradição, que a tua sociedade está condenada.”
    Então,quem são os ricos por influência e subornos? claro, os políticos. Quem produz as Leis que os protegem? claro, eles mesmos. Não votem em políticos que não assinaram a CPI da Toga. Quem não assinou é porque tem rabo preso na toga.

  6. Ditadura assusta vagabundos, turma do nem e nem, gente que quer vida fácil.
    Pessoas honestas, trabalhadoras e sensatas não tem o que temer.
    VOLTA DITADURA….VOLTA LOGO E ACABA A FARRA.

  7. Faltou dizer que o golpe foi com apoio em massa da população brasileira e da grande mídia, exceto o jornal Última Hora. E também que se não fossem os militares teríamos sofrido um golpe por parte da classe socialista dos proletariados. É uma vergonha esse Blog postar algo desse tipo. O correto seria apenas informar, sem ser tendencioso como foi nessa matéria. Quem estuda sabe que só quem sofreu com naquela época foram os vagabundos, e que cidadão de bem não era mal tratado. Houveram excessos sim, e nada justifica terem passado tanto tempo no poder. Mas hoje em dia, tem mais de 60 mil homicídios por ano, sendo que menos de 10% são solucionados. Morrem mais aqui que nas guerras que atualmente estão em curso. Aí vem um insignificante dizer que em mais de duas décadas de “ditadura” ocorreram 434 mortes e desaparecimentos. É melhor isso do que mais de 60 mil homicídios por ano. E outra, não se pode chamar de ditadura a partir do momento em que existem 5 presidentes durante o regime militar. Se fosse ditadura, seria apenas um ditador. E se fosse ditadura também, não teria liberdade de imprensa. Todos os que eu conheço que viveram na época, falam que foi bem melhor do que como está o Brasil hoje.

    • Seus conceitos de ditadura estão errados, ditadura não é só uma de pessoa no poder não, fosse assim o regime soviético também não seria ditadura, pois vários ditadores comandaram a União Soviética. Houve sim ditadura em 1964/85, os vários atos institucionais dando poderes supremos ao executivo falam por si próprios. E por favor, só saudosistas aclamam aquele tempo, a maioria usa fraldas geriátricas ou tomam antipsicóticos controlados, é claro que eles vão falar bem da juventude….

  8. Bom dia;
    Me admira um professor universitário ou mentir ou desconhecer a História.
    Quem destituiu o Presidente da República João Goulart não foram os militares.
    Se você realmente estudou História, vai saber que o congresso nacional foi que
    derrubou o Presidente, pressionado pelo povo. Após isso o próprio congresso nomeou
    o General Castelo Branco presidente.
    Vai estudar mais um pouco professor ou se estudou, pare de mentir nos meios de comunicação.
    Agora me admiro um Blog aparentemente sério publicar um artigo tão tendencioso e cheio de mentiras.

  9. VIVA ULSTRA, VIVA NEWTOM CRUZ, VIVA MÉDICI !!!!!!!
    Obrigado a esses honrados homens que não deixaram nosso pais tornar-se uma Cuba gigante, deixem os comunistas chorarem, até porque chorar, mentir e roubar é a rotina deles.
    VIVA 1964 !!!!

    • O Brasil era um “Cubão” nas mãos dos militares, vejamos:

      – Pessoas tiveram seus direitos políticos cassados, não pela justiça, mas por determinação do EXECUTIVO;
      – rádios, jornais, emissoras de TV eram vigiadas pelo governo;
      – Houve centralização do controle da educação nas mãos do estado, mais comunista que isso, impossível;
      – Houve grande estatização da economia, controle de preços e salários;
      – A economia era fechada e altamente controlada pelo governo militar, com o governo subsidiando produtores nacionais, decidindo o que cada um deveria produzir, e quais setores deveriam prosperar;
      – Institucionalização e industrialização do roubo de propriedade privada através do INCRA;

      Mais comunista que o regime militar, impossível. Só defende aquela bosta gente de fralda geriátrica, gente que toma antipsicóticos, gente que assiste astrólogo metido à filósofo, ou gente que tem rara por homens de farda, cassetete e coturno…

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