Artigo: A fase mais importante da cidadania. Por Padre Antonio

por Carlos Britto // 09 de fevereiro de 2009 às 07:41

Agora que chegamos à reta final das eleições (aposse o exercício dos mandatos) cabe ao cidadão se posicionar e começar o seu trabalho de conscientização para a segunda fase de um processo eleitoral, e que é tão ou mais importante que simplesmente votar bem. A cidadania não avança mais rápido porque muitos até se mobilizam em tempos de Campanha eleitoral, votam de forma livre e com consciência, mas depois se acomodam, cruzam os braços.

Para o exercício da plena cidadania, a escolha de nossos representantes será ineficaz para as tão urgentes mudanças de que precisamos se os cidadãos e as entidades da sociedade civil não acompanharem depois os mandatos, os governos e os orçamentos. Volto a recordar o que já disse inúmeras vezes: nenhum governante, nenhum detentor de um cargo público ou de um mandato dado pelo povo, atenderá às reais necessidades da população se não houver uma sociedade consciente e organizada para acompanhar, controlar e cobrar as mudanças e as políticas públicas necessárias.

As eleições são importantes para a construção da cidadania. Importante não só pela oportunidade que se tem de escolher nossos gestores e legisladores, mas, sobretudo porque é uma oportunidade para mobilizar, envolver entidades, cidadãos nas discussões de questões tão importantes para as nossas vidas.

É importante deixar bem claro que aqueles que escolhemos não farão milagres, não resolverão nossos problemas sem a nossa participação. E mais, as estruturas e os mecanismos de corrupção estão tão bem ramificados, que qualquer um dos eleitos precisa contar com o controle da sociedade que deverá ficar de OLHO nas suas ações para denunciar os desvios éticos e o esquecimento daquilo que prometeu em campanha. Assim, podemos aproveitar as eleições que acontecem periodicamente para fortalecer a consolidação da cidadania em nossos municípios: aumentar a consciência de que todo cidadão é responsável na definição e implementação das ações que visam à melhoria da qualidade de vida na cidade. Portanto, não vamos dar trégua aos eleitos. Eles serão escolhidos e pagos com os recursos públicos, para fazerem aquilo quer interessa à população e não o que interessa a eles, a seus partidos. Eles serão eleitos e receberão os recursos públicos para fazerem as obras e ações de que nós precisamos e não para cumprir compromissos que fizeram com pessoas e instituições que financiaram suas campanhas. Para aqueles que já trabalham na área de controle social, isso não é nenhuma novidade. Mas é preciso ir além e buscar cada vez mais cidadãos para essa tarefa fundamental. Pois é durante os mandatos – e não antes, nas eleições – que políticos e gestores públicos vão efetivamente gastar o seu, o nosso dinheiro. É responsabilidade de todos zelar para que as verbas públicas sejam empenhadas de maneira eficiente, transparente e de fato voltadas para um país melhor, mais digno e justo. Portanto, vamos continuar nosso trabalho! Mantenha sua comunidade, sua associação, seu grupo mobilizado para a tarefa mais importante: acompanhar e fiscalizar os eleitos e suas ações.

Padre Antonio  Moreno

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