O médico Joaquim Alves Novaes, obstetra e ginecologista em Petrolina, conquistou o primeiro lugar entre os 15 melhores cafés do Nordeste em 2026. Produzido na Fazenda Cachoeira, na Serra dos Morgados, em Jaguarari (BA), o Café Zohar, da variedade Arábica Paraíso, recebeu 88 pontos no Concurso de Qualidade dos Cafés do Nordeste.
O resultado saiu em 16 de outubro, na Festa do Boi, no Rio Grande do Norte. O concurso é organizado pelo Sebrae potiguar com o Núcleo de Estudos em Cafeicultura (NECAF) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), e o ranking dos 15 primeiros reúne produtores de seis estados da região. A Bahia ficou com oito das 15 primeiras colocações, e o café de Novaes é da variedade Arábica Paraíso.
A história por trás da conquista começou em 2014, quando Novaes comprou a propriedade, que enfrentava os efeitos de anos de estiagem. Entre 2011 e 2013, segundo o produtor, 100 cabeças de gado do antigo proprietário morreram de fome durante a seca. Ao chegar à fazenda, ele encontrou a cachoeira, a lagoa e o Rio Estiva secos.
Inicialmente, a intenção era ter um espaço para passar os fins de semana. Com o tempo, porém, o médico decidiu investir na recuperação ambiental e buscar uma fonte de renda para a comunidade da Serra dos Morgados. O trabalho incluiu a construção de pequenas barragens para reter a água da chuva e de uma estrutura subterrânea para conservar a umidade do solo. Após as intervenções, a cachoeira voltou a correr e o rio recuperou o fluxo de água, conforme o relato de Novaes.
Café e recuperação ambiental
O cultivo foi implantado como alternativa econômica para a comunidade. Novaes escolheu uma variedade considerada rústica, que exige menos água, e integrou a lavoura a um processo de reflorestamento. Atualmente, a lavoura ocupa cerca de 4 hectares da fazenda, que tem mais de 50 hectares. O produtor deixou os outros mais de 46 hectares para a recuperação e a conservação ambiental, segundo publicação da marca Zohar.
Novaes diz que se inspirou em Triunfo, também no Sertão de Pernambuco, cidade que tem dois cafés entre os 15 do concurso deste ano. “Provamos que é possível gerar renda sem destruir”, disse. Entre os parceiros do projeto, ele cita uma fazenda de Piatã, na Bahia, que abriu as portas à equipe, um viveiro certificado de Varginha, em Minas Gerais, dois consultores, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), o Sebrae e o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco.
Para o produtor, o prêmio prova o valor da agricultura regenerativa, que produz enquanto recupera o solo e a água, em comparação com a mineração e os parques solares e eólicos. Novaes integra o projeto Cafés das Serras do Sertão, desenvolvido pelo Sebrae em Jacobina (BA). Segundo Amanda Teixeira, gestora da iniciativa, o reconhecimento pode ajudar os cafeicultores a agregar valor aos produtos e ampliar os canais de venda.
Bahia tem oito cafés entre os 15 melhores do Nordeste
Além do primeiro lugar, conquistado por Jaguarari, o estado aparece no ranking com produtores de Piatã, Mucugê, Rio de Contas, Barra do Choça e Vitória da Conquista. O concurso do Nordeste tem o objetivo de dar visibilidade aos cafeicultores e aproximar os produtores de compradores e consumidores.
A divulgação do resultado não informou o número de cafés inscritos nem se houve prêmio em dinheiro. Também não foram divulgados a produção da Fazenda Cachoeira e o preço do Zohar. Sem esses números, não é possível medir quanto a vitória pode render ao produtor nem o peso do café na economia de Jaguarari.
Fonte: Movimento Econômico


