A comunidade de Salinas, localizada nas proximidades do bairro Pedro Raimundo, na Zona Oeste de Petrolina, enfrenta um cenário de isolamento que perdura há cerca de 14 anos. O que deveria ser um espaço de moradia digna tornou-se, segundo os próprios moradores, um retrato do abandono urbano: sem infraestrutura básica, rede de esgoto, coleta de lixo regular ou assistência de saúde preventiva para cerca de quinhentas famílias.
A ausência de serviços essenciais é uma queixa unânime. “Nós estamos morrendo aqui, abandonados e sozinhos. Parece que não somos gente. Nos tratam como qualquer coisa, como nada. Não é justo“, desabafa Maria Augusta, uma das moradoras que vê o sonho de uma vida melhor estagnado pela falta de políticas públicas efetivas.
O nó central do problema, segundo Luiz Carlos, residente há mais de uma década, é a ausência de regularização fundiária. O impasse jurídico sobre a posse das terras impede que a comunidade receba investimentos diretos da Prefeitura de Petrolina. “O antigo dono diz que está pronto para regularizar. Nós vamos à prefeitura, falamos com um, com outro, mas ninguém ouve a gente“, lamenta.
Embora a prefeitura tenha avançado em programas de regularização fundiária — como o ‘Petrolina Legal’, que já contemplou bairros vizinhos como o próprio Pedro Raimundo —, a comunidade de Salinas parece estar fora desse mapa de assistência, vivendo em uma zona de insegurança
jurídica que perpetua o ciclo de exclusão.
Além da falta de saneamento, a rede elétrica é fonte de prejuízos constantes. Jeferson Souza relata que a falta de medidores oficiais força os moradores a conviverem com uma rede precária.
“Eu já perdi ventilador, mais de uma televisão e vários outros eletrodomésticos. Várias pessoas aqui já perderam. Isso acontece pelos picos de energia constantes. A gente tenta de tudo, mas a companhia elétrica só pode instalar os medidores com a documentação, que a gente realmente não consegue“, explica. “A gente quer ajuda, mas ninguém olha pra nós. Só sabem vir aqui quando estão precisando de votos“, completa.
Associação
Diante da falta de respostas do Executivo Municipal e de representantes legislativos, a comunidade agora se mobiliza para a fundação de uma associação de moradores. A intenção é que, organizados, eles ganhem força política para serem finalmente reconhecidos como cidadãos com direitos fundamentais e voz ativa nas demandas da cidade.
O advogado Patrick Villeneuve, que resolveu atender a comunidade, informa que os moradores vão buscar junto ao poder judiciário a regularização das suas moradias, já que é um direito constitucional previsto nos artigos 6° e 183° da Constituição Federal de 1988.


