Novo tarifaço americano sobre uva ameaça empregos no Vale do SF

por Antonio Carlos Miranda // 22 de julho de 2026 às 08:32

Foto: Ascom Codevasf/divulgação

A fruticultura do Vale do São Francisco enfrenta forte apreensão com o início do tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros nesta quarta-feira (22). A uva, principal fruta exportada pela região, ficou fora da lista de isenções do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) e sofre o impacto direto das novas medidas protecionistas. Com a decisão do governo norte-americano, a tarifa sobre a uva brasileira subiu para 35%, resultado da aplicação de 25 pontos percentuais adicionais à alíquota anterior.

A mudança afeta diretamente o Vale do São Francisco, local responsável por 75% da produção nacional da fruta e 95% das exportações brasileiras do setor. Segundo a Abrafrutas (Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados), a medida anunciada pelo governo de Donald Trump afeta o melão e a melancia que também são produzidos por estados como Rio Grande do Norte, Piauí, Bahia, Pernambuco e Ceará.

Segundo o diretor-executivo da Abrafrutas, Eduardo Brandão, os produtores do Vale do São Francisco e de Mossoró (RN) serão bastante impactados com as novas sobretaxas. Cerca de 99% da uva exportada pelo Brasil aos Estados Unidos é produzida em Petrolina (PE). A preocupação atinge o coração da economia regional, já que o cultivo de uva gera cerca de 70 mil empregos diretos e indiretos no polo agrícola. Dados do Sindicato dos Produtores Rurais de Petrolina indicam que as mulheres ocupam metade dessa força de trabalho local.

Impactos e janela de exportações

Além dos trabalhadores do campo, os produtores rurais temem perdas financeiras às vésperas da principal temporada de embarques para o exterior. A janela de exportações do segundo semestre é decisiva para garantir o faturamento do ano e manter os investimentos na lavoura.

Embora o mercado norte-americano não seja o maior comprador em volume, ele é considerado estratégico devido à alta rentabilidade paga aos exportadores. A exclusão da uva da lista de exceções dos Estados Unidos atinge um produto de elevado valor agregado do agronegócio nacional. “Em 2025 exportamos US$ 42 milhões em uva, o que equivale a quase 15 mil toneladas. Praticamente toda essa produção vem do Vale do São Francisco, então essas sobretaxas impactam da pior forma possível os produtores nordestinos”, alertou Eduardo Brandão.

Brandão disse que, mesmo com as taxas, o Brasil vai seguir exportando uva e outras frutas aos Estados Unidos, mas em paralelo busca contribuir com o Governo Federal fornecendo informações sobre o desempenho das exportações de frutas, na tentativa de abrir diálogo. “Sabemos que existe um contexto geopolítico e interesse do governo americano sobre o Brasil. Fizemos o possível para dialogar com o governo norte-americano, mas eles argumentaram que produzem uvas, por exemplo, mas nosso produto chega para eles na entressafra, entre agosto e janeiro. Agora é buscar atender nossos clientes lá e abrir outras oportunidades de exportação”, disse.

Segundo levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), 36,5% das vendas do agronegócio brasileiro para os Estados Unidos sofrerão a cobrança da nova tarifa. Os 63,5% restantes do setor continuarão protegidos pela lista de exceções comerciais. (Fonte: ME)

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