A retomada das obras da Transnordestina em Pernambuco entrará em votação no Tribunal de Contas da União (TCU) no próximo dia 15 de julho. A informação foi divulgada pelo presidente da Associação Nordeste Forte, Cassiano Pereira, durante apresentação do estudo realizado pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) sobre a ferrovia nesta terça-feira (7).
Na ocasião, Cassiano Pereira afirmou que o presidente da Infra S.A, Jorge Bastos, havia ligado para informar a data. A votação definirá os rumos da Transnordestina no estado, cujo trecho Salgueiro – Porto de Suape foi retirado do projeto inicial durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). Contudo, foi reinserido na gestão de Raquel Lyra.
Desde maio deste ano, o ramal pernambucano enfrenta entraves junto ao TCU. O órgão determinou que o Ministério dos Transportes, como também a Infra S.A. suspendessem novos compromissos financeiros relacionados ao retorno das obras da ferrovia no estado. Para o tribunal, havia ausência de estudos técnicos, econômicos e ambientais.
Estudo
Na tentativa de destravar as obras em Pernambuco, a Sudene apresentou os resultados de um estudo técnico, realizado no último mês, sobre o trecho Salgueiro-Suape da Transnordestina. O documento trouxe uma análise relacionada à demanda de mercado, questões econômicas e sociais.
Em entrevista ao Diario de Pernambuco, o superintendente da Sudene, Francisco Ferreira Alexandre, salientou que os dados apresentados foram levantados pela Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe). Segundo ele, o estudo aponta uma ordem de R$ 4,7 bilhões em valor social. O valor social se refere à geração de emprego, renda, de transformação e desenvolvimento.
“Nós levamos cerca de um mês para fazer esse estudo, desde quando o TCU tomou a decisão. Nós já tínhamos todos os dados macroeconômicos, a partir da cessão dos dados que o governo deu de estudo feito para Suape. A Fiepe nos deu outra parte e pedimos estudos complementares à Consultoria Nelog, Nordeste Logística, demonstrando o que é carga, potencialidade, de onde vem, quais cargas saem do Porto [de Suape] para o Interior, quais vêm do Interior para o Porto. Porque a estrada tende a ligar o Porto de Suape até Matopiba, até o Piauí”.
No levantamento apresentado, a estimativa é que a ferrovia tenha uma movimentação entre 18 e 24 milhões de toneladas por ano no que se refere à exportação de minérios e grãos. Ademais, o estudo aponta um impacto de cerca de R$ 8,23 bilhões no Valor Adicional Bruto (VAB), como também se projeta a criação de 9,6 mil empregos permanentes. Essas vagas seriam distribuídas entre a operação ferroviária, os terminais de carga e as atividades econômicas.
À reportagem, o superintendente da Sudene ressalta que o estudo foi enviado à Infra, como também para o Ministério dos Transportes. “Nós levaremos ao TCU”, disse. A expectativa, conforme Francisco Ferreira Alexandre, é que o levantamento técnico altere o voto que paralisou as obras da Transnordestina em Pernambuco.
Momento crítico
Também presente na apresentação, o senador Humberto Costa (PT) pontuou os avanços da Transnordestina no Ceará e classificou a paralisação do ramal pernambucano como um “momento bastante crítico”. “Nós estamos assistindo à inauguração consecutiva de trechos da Transnordestina, no ramal que vai para o Pecém, com uma previsão de que, até meados de 2027, a estrada estará concluída. No entanto, no nosso caso, quando a gente tinha uma pequena luz, não era uma grande luz, porque a gente sabe que o recurso que foi liberado para o início das obras era muito pouco, mas ele tinha um simbolismo importante”, frisou.
Na análise do parlamentar, a retomada das obras deve atrair diversos segmentos empresariais do setor, assim como a iniciativa privada. “A partir do momento em que esses passos forem dados, eu não tenho dúvidas de que surgirão investidores estrangeiros, investidores brasileiros, e a gente vai poder construir um novo desenho para que uma concessão seja feita”.
O senador defende que, além dos recursos federais, também sejam usados empenhos privados. “Se nós formos apenas com esses recursos federais, por mais que eles possam vir, não há a perspectiva de a gente ter essa ferrovia pronta antes de 2030, talvez até um pouco mais para frente”, explanou.
Em recente entrevista ao Diario, a vice-governadora, Priscila Krause (PSD) declarou que o trecho Salgueiro-Suape deve ser executado inicialmente com recursos públicos. “O primeiro passo foi conseguir que o ramal de Pernambuco, que é o ramal Salgueiro-Suape, voltasse para o projeto da Transnordestina. Depois, nós conseguimos a decisão política do governo federal de que essa obra seria retomada como uma obra pública, com recursos públicos“. Ainda durante a fala, Humberto Costa também criticou a suspensão da obra pelo Tribunal de Contas da União (TCU), alegando que a decisão foi tomada “sem informação adequada, sem estudo prévio e cuidadoso”.


