Oposição que critica é a mesma que aprova contas

por Carlos Britto // 13 de maio de 2026 às 12:31

Foto: Nilzete Brito/Ascom CMP

A sessão desta terça-feira (12) na Casa Plínio Amorim deixou muitos observadores da política local com uma pulga atrás da orelha. Em uma votação que evidenciou as nuances (e as contradições) do Legislativo petrolinense, os vereadores aprovaram, por ampla maioria, as contas do ex-prefeito Miguel Coelho (UB) referentes aos anos de 2021 e parte de 2022, e a do atual prefeito Simão Durando (em 2022 e 2023).

O placar foi elástico: 19 votos a favor e apenas 1 contrário. No entanto, o que chama a atenção não é apenas o resultado, mas a configuração dos votos.

Oposição ou Situação?

O cenário na Câmara de Petrolina tem se mostrado um desafio para quem busca coerência ideológica. Vereadores que ocupam a tribuna para criticar duramente a aplicação de recursos públicos e cobrar explicações detalhadas sobre investimentos “obscuros”, no momento do “sim ou não”, acabaram marchando com o governo.

Os vereadores de oposição Dhiego Serra (PL) e Ronaldo Silva (PSDB), conhecidos por embates e críticas à atual gestão, votaram pela aprovação das contas. A postura levanta o questionamento: como conciliar críticas ácidas à condução administrativa com um voto que ratifica a regularidade dessa mesma gestão?

O único voto dissidente foi do vereador Gilmar Santos (PT), que manteve a postura de rejeição tanto para as contas de Miguel Coelho quanto para as de Simão Durando.

Para os analistas de plantão, o comportamento da Casa sugere que a articulação política do Governo Simão Durando continua operando com precisão cirúrgica, conseguindo neutralizar a resistência parlamentar – mesmo entre aqueles que, teoricamente, deveriam fiscalizar com maior rigor.

Com a decisão de ontem, Miguel Coelho encerra seu ciclo de contas julgadas com aprovação total (2017 a 2021), e Simão Durando ganha fôlego político ao ter seus dois primeiros anos como titular da pasta aprovados pelo Legislativo, logo após as movimentações recentes do TCE-PE.

Fica o registro para o cidadão petrolinense: na política da Capital do Sertão, o discurso na tribuna nem sempre encontra o mesmo caminho na ponta da caneta. O comportamento “de situação” em bancadas de oposição é um fenômeno que merece ser observado de perto, especialmente em ano de definições políticas importantes.

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