O dia de sexta (8) colocou o tabuleiro político de Pernambuco em ebulição. O que antes era tratado nos bastidores como uma possibilidade estratégica, agora ganha contornos de fato consumado: o deputado federal Eduardo da Fonte, presidente do PP no estado, confirmou que está “pronto e preparado” para disputar uma vaga ao Senado Federal em 2026.
A declaração, feita durante um ato de apoio à governadora Raquel Lyra (PSD) na Arena de Pernambuco, não é apenas um anúncio pessoal: é um movimento tectônico que obriga a governadora a recalcular sua rota de reeleição.
Dudu da Fonte não chega à mesa como um candidato comum. Ele lidera a Federação União Progressista (PP e União Brasil), que se consolidou como a maior força partidária do estado. Ao cravar seu nome para o Senado, ele traz consigo:
O PP detém uma das maiores bancadas de prefeitos e deputados em Pernambuco. Pesquisas recentes (como o Datafolha de abril) já o colocam com cerca de 17% das intenções de voto, figurando competitivamente no pelotão de frente.
A confirmação pública coloca a governadora em uma “saia justa” produtiva: ou ela acomoda o aliado de peso na sua chapa majoritária, ou corre o risco de ver essa força arrefecer. A relação entre Dudu e o Palácio do Campo das Princesas passou por meses de turbulência, com direito a exonerações de indicados do PP e rumores de aproximação do deputado com o prefeito João Campos (PSB).
No entanto, o anúncio deste fim de semana sinaliza uma reaproximação estratégica. Ao se declarar candidato ao Senado “ao lado” da governadora, ele sela a unidade do grupo governista (por ora).
Ocupa um espaço vital na chapa, antes que outros nomes como Fernando Dueire (MDB) ou Miguel Coelho (União Brasil) consolidem a preferência absoluta pelas duas vagas disponíveis. Com duas cadeiras em disputa para o Senado na próxima eleição, a confirmação do deputado inicia uma dança das cadeiras frenética.
“Eu me sinto pronto, preparado e querendo cumprir essa missão pela maior federação do estado“, afirmou o parlamentar, que já vem sendo apelidado por aliados como o “Senador da Saúde”, focando sua plataforma em uma área sensível para o eleitorado. Para Raquel Lyra, o desafio do sábado é gerenciar expectativas. Ela agora tem um aliado gigante batendo à porta da chapa majoritária com o apoio de dezenas de prefeitos. O tabuleiro mexeu, e a jogada de Dudu da Fonte foi clara: ele não aceita nada menos que o Senado.


