Caso raro de hemofilia adquirida é diagnosticado no HU-Univasf

por Carlos Britto // 20 de janeiro de 2026 às 19:00

Foto: Ascom Univasf

Um caso raro de hemofilia adquirida foi diagnosticado recentemente no Hospital Universitário (HU)-Univasf, unidade vinculada à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH). A doença faz com que o próprio organismo produza anticorpos que atacam os fatores de coagulação do sangue, provocando hemorragias espontâneas. O paciente é um homem de 52 anos, sem histórico prévio de sangramentos, que passou a apresentar hematomas extensos pelo corpo. O diagnóstico chamou a atenção da equipe médica por se tratar de uma condição incomum, especialmente fora dos grupos de maior risco.

Segundo o hematologista Jandir Nicacio, a hemofilia hereditária é relativamente conhecida no Brasil, mas a forma adquirida é considerada extremamente rara. “O Brasil é o quarto país em incidência de hemofilia no mundo, com cerca de 14 mil pacientes. Já a hemofilia adquirida tem uma taxa estimada de apenas dois a três casos para cada 1,5 milhão de pessoas”, explicou o médico.

A hemofilia A adquirida costuma surgir em mulheres no pós-parto, em idosos acima dos 60 anos ou associada a doenças autoimunes. No entanto, o caso atendido no HU-Univasf foge desse padrão. Após uma investigação clínica detalhada, a equipe identificou uma possível relação entre o surgimento da doença e o uso prolongado de antibióticos para tratamento de uma infecção em tecidos moles, como pele, músculos e gordura.

O especialista alerta que, quando não diagnosticada precocemente, a doença pode apresentar alta taxa de mortalidade, variando entre 20% e 70%, em razão de sangramentos graves ou complicações do tratamento. “Quanto mais cedo o diagnóstico e a intervenção correta, maiores são as chances de um desfecho positivo. Felizmente, esse paciente respondeu muito bem ao tratamento”, destacou Nicacio.

O homem foi submetido à terapia imunossupressora e ao uso de medicamentos específicos para controle das hemorragias. Após oito semanas, houve interrupção total dos sangramentos. Ele segue sendo acompanhado no Ambulatório de Coagulopatias do HU-Univasf.

Acompanhamento

O acompanhamento do caso contou com a participação de residentes e estudantes, reforçando o papel do HU-Univasf na integração entre assistência, ensino e pesquisa. “Além do atendimento clínico, trabalhamos com os alunos a discussão do caso e a escrita científica, estimulando a formação técnica e a produção de conhecimento”, ressaltou o hematologista.

Entre os integrantes da equipe está o médico angolano Paulo Cufua, residente em Clínica Médica pelo Programa de Cooperação Brasil–Angola da EBSERH. Para ele, a experiência foi marcante. “Casos como esse mostram a importância do raciocínio clínico estruturado e do trabalho multidisciplinar, mesmo diante de doenças raras”, afirmou. O relato do caso foi publicado recentemente no Journal of Brown Hospital Medicine, revista científica da Escola de Medicina da Universidade Brown, nos Estados Unidos. O artigo reúne profissionais do HU-Univasf e reforça a relevância do diagnóstico precoce e do manejo adequado da hemofilia adquirida, contribuindo para o avanço da literatura médica sobre o tema. O artigo pode ser lido aqui.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Últimos Comentários