Em Juazeiro, Dia Mundial da Água terá debate sobre o potencial de aproveitamento da água da chuva

Em comemoração ao Dia mundial da água, dia 22 de março, o Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA) e a Associação Brasileira de Captação e Manejo de Água de Chuva (ABCMAC) realizarão o seminário “Em defesa da Água de Chuva”. O evento acontecerá na manhã nesta quarta-feira (22), no auditório Antônio Carlos Magalhães, na Universidade do Estado da Bahia (Uneb), bairro São Geraldo, em Juazeiro.

O evento pretende abordar o potencial da água de chuva na região, sua importância e qualidade, tendo com público-alvo pesquisadores, educadores, estudantes, profissionais, técnicos, representantes de órgãos governamentais e não-governamentais. Visando instigar a adesão de mais agentes de pesquisa e difusão de tecnologias de captação e manejo, bem como fortalecer a cultura do uso de água de chuva no Semiárido brasileiro, o seminário vai contar com dois painéis temáticos: “Desbloquear o potencial da água de chuva” e ”A água da chuva é boa e confiável”.

O seminário conta com parceria da Uneb e com apoio de entidades e movimentos da sociedade civil. Para participar é necessário credenciamento, que terá início às 8h. O encerramento das atividades acontecerá ás 12h30.

Trabalhos, ações e projetos do IRPAA são apresentados para Padres da Diocese de Juazeiro

Os trabalhos, ações e projetos em defesa da Convivência com Semiárido com base nas experiências de produção apropriadas ao clima da região, desenvolvidos pelo Instituto Regional da pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA) há 27 anos, foram apresentados nesta semana para 28 padres que compõem a Diocese de Juazeiro (BA), durante um encontro com esses religiosos no Centro de Treinamento em Caranaíba do Sertão. Estes mesmos trabalhos já haviam sido expostos e discutidos pela equipe do IRPAA há alguns dias com o bispo Dom Beto, que achou a proposta muito interessante e solicitou a apresentação para os padres.

Durante a exposição, os padres tiveram a oportunidade de conhecer não somente o trabalho de fortalecimento da produção agropecuária familiar desenvolvido pelo IRPAA, a partir das potencialidades produtivas locais, mas também, os desafios que as populações do sertão encontram para assegurar acesso às fontes de água e a terra em tamanho apropriado. As lutas e desafios das comunidades que vivem nas áreas de Caatinga e que fazem a preservação do bioma, especialmente nos fundos de pastos, também estiveram na apresentação que contou ainda com a exposição da importância da educação voltada para a realidade do Semiárido e de um modelo de comunicação que valorize as experiências do povo dessa região.

O Coordenador Geral do IRPAA, Cícero Félix, lembrou que o trabalho da instituição teve como base, algumas comunidades de paróquias da Diocese, e que o bispo Dom José Rodrigues, presidente fundador do IRPAA, deu importantes passos em defesa da proposta da Convivência com Semiárido quando dentre tantas ações, incentivou campanhas para construção de cisternas em toda a Diocese. Cicero expôs ainda um pouco da dinâmica de trabalho da instituição e de sua parceria com outras organizações sociais e com a própria igreja.

No final da apresentação, todos foram convidados a degustar produtos típicos da região como queijo de cabra, sucos e doces de umbu dentre outros alimentos vindos de regiões e comunidades que IRPAA atua ao longo dos anos. Alguns padres de cidades e paróquias que conhecem bem o trabalho do IRPAA, demonstraram interesse em estreitar mais ainda a parceria na intenção de ampliar o trabalho da instituição para que haja um maior apoio de agentes e religiosos que possam contribuir bastante com a implementação da Convivência com Semiárido em favor das famílias do campo e da cidade em toda a Diocese. (foto/divulgação)

Curaçá: Jovens de comunidades rurais fazem levantamento de realidade e apontam propostas políticas públicas

Dezenas de jovens da região de São Bento, Riacho Seco, Mucambo e Nova Esperança – comunidades rurais do interior de Curaçá, no norte da Bahia – fizeram um importante levantamento de suas realidades observando as potencialidades e os desafios enfrentados pela juventude rural do município. Esse grupo é de famílias rurais contempladas pelas ações do Projeto de Assessoria Técnica e Extensão Rural (Ater Sustentabilidade), executado pela Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA) em cinco municípios da região sanfranciscana.

Entre as questões relacionadas ao potencial produtivo das comunidades e que podem ajudar a manter o jovem em sua terra, estão a criação de caprinos, ovinos, aves e abelhas, além da produção de frutas e a conquista da terra. O engajamento da juventude rural nas associações, sindicatos e entidades do movimento social também apareceu como ação estratégica para que a juventude assuma um pouco mais os destinos de suas comunidades.

O técnico Jadson Lopes, que esteve na equipe de facilitação do encontro, também destacou o potencial produtivo existente na área rural onde moram esses jovens, e que  pode estar gerando mudanças e transformação positivas na vida deles. Jadson lembrou que tudo o que foi apontando no levantamento vai orientar as ações do Ater e de outros projetos que chegam nessas comunidades considerando o modo de vida dos jovens que tão bem expressaram suas realidades. As discussões continuaram com outros encontros do projeto envolvendo jovens também da região de Barro Vermelho, Patamuté, Mundo Novo, Poço de Fora, entre outras comunidades rurais do município. (foto/divulgação)

Atividade em Sobradinho estimula debate sobre Reforma da Previdência entre agricultores

Beneficiamento de frutas, importância da associação, produção e armazenamento de alimento para animais (forragem, silo). Essas foram algumas das temáticas discutidas na atividade coletiva com agricultores do município de Sobradinho, no norte da Bahia, assessoradas pelo projeto de Assessoria Técnica e Extensão Rural Sustentabilidade (Ater). Com o tema “Organização da Produção”, a atividade aconteceu na última terça-feira (21), no Centro Comunitário Antônio Conselheiro, centro da cidade.

O tema central do encontro foi uma demanda apontada pelos agricultores durante a visita de campo, realizada pela colaboradora do Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA), Nadja Oliveira Costa. Uma das vertentes abordadas no debate da organização da produção foi com foco na organização para a comercialização e sua contribuição na permanência dos agricultores no campo.

Durante a discussão, também foi exposta a ameaça contra a aposentadoria especial, destinada ao homem e a mulher do campo. A reforma da previdência, proposta pelo atual governo através da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287/16, prevê diversas mudanças que colocam em risco a seguridade social da população. Uma das alterações é em relação à idade mínima para ter direito à aposentadoria. Hoje a idade necessária é de 60 anos para mulheres e 65 anos para homens, da área urbana; já para os trabalhadores do campo é de 55 anos para as mulheres e 60 para os homens. Com a reforma da previdência a idade para os trabalhadores rurais será elevada para 65 anos, para ambos os sexos. Além disso, agricultores serão obrigados a contribuir com a previdência de forma individual e periódica pelo prazo mínimo de 25 anos.

Associativismo

A importância do associativismo também esteve presente no encontro, enfatizando a necessidade dos associados se envolverem no dia-a-dia da associação comunitária, pensando e decidindo de forma coletiva os benefícios e as soluções de problemas e dessa forma fortalecendo a comunidade. A equipe do IRPAA presente na atividade expôs que “é essa união e organização das comunidades uma forte ferramenta na luta contra as ameaças e as negações de direitos da população, principalmente da zona rural, que é resultado de muita pressão social”. (foto/divulgação)

Experiência de agricultores de Juazeiro será destaque em televisão chinesa

Embora a estiagem prolongada e seus efeitos estejam ocupando um lugar de destaque na grande mídia brasileira, é importante registrar que mesmo com a seca, inúmeras famílias do semiárido conseguem viver e produzir nesse período. E foi com essa visão que o canal de TV Chine Global Television Netkwork (CGTN), emissora chinesa que também transmite sua programação em inglês e para diferentes partes do mundo, está produzindo matérias sobre a região. (mais…)

Fortalecimento da agricultura familiar será tema de 2ª edição de evento esta semana em Juazeiro

enafaPara debater o fortalecimento da agricultura familiar, será realizado esta semana em Juazeiro (BA) o 2º Enafa (Encontro da Agricultura Familiar). O evento acontecerá n Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), bairro Santo Antônio, e é uma parceria entre a universidade, o Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA) e o Sebrae. Nesta edição, o grande atrativo e diferencial é o 1º Encontro e Feira de Empreendedorismo de Mulheres dos Territórios Sertão do São Francisco (BA/PE), Piemonte Norte do Itapicurú (BA) e Serra da Capivara (PI).

Além da Feira, farão parte da programação palestras sobre temas voltados à realidade das atividades e experiências da agricultura familiar, tais como Tecnologias de Captação e Armazenamento da Água; Uso e Gestão das Águas; e Educação Contextualizada no Campo. Já no primeiro dia do evento haverá palestras temáticas sobre Apicultura e Meliponicultura; Hortifruticultura e Agricultura Orgânica.

O evento é gratuito e tem como objetivo articular o ensino, pesquisa e extensão com vistas ao fortalecimento da agricultura familiar por meio do processo formativo, das trocas de experiências e da comercialização da produção agropecuária e agroecológica dos territórios envolvidos. São 530 vagas distribuídas entre agricultores familiares, técnicos do ATER, jovens e mulheres do campo, professores, gestores públicos, empreendedores, agentes de crédito, estudantes e lideranças de movimentos sociais. As inscrições podem ser realizadas através do site: www.pgextensaorural.univasf.edu.br. A programação completa pode ser conferida acessando aqui (dia 27) e aqui (dia 28).

Juazeiro vai sediar Seminário Interterritorial de Educação do Campo no Semiárido

siecsEstão abertas as inscrições para o Seminário Interterritorial de Educação do Campo no Semiárido, que vai acontecer entre os dias 17 e 19 de novembro no Instituto Federal da Bahia (IFBA), em Juazeiro.

O evento foi proposto pela Articulação Interterritorial para fortalecimento da Educação do Campo no Semiárido, coletivo que representa organizações sociais não governamentais e instituições públicas de Ensino.

Com o tema principal “Terra, trabalho e educação”, o seminário vai discutir questões como o fortalecimento da identidade dos povos do campo e das lutas sociais em torno do acesso e permanência à terra, o trabalho como princípio educativo e para a emancipação humana e uma educação para a Convivência com o Semiárido brasileiro. Segundo Felipe Sena, colaborador do Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA) – uma das entidades organizadoras do evento -, o seminário surgiu da necessidade da mobilização dos territórios em defesa da educação pública e de qualidade, em especial com a educação do campo e uma educação contextualizada.

Entre os objetivos estão o de mobilizar gestores públicos, organizações sociais, instituições de ensino e pesquisa, socializar e dar visibilidade às produções acadêmicas sobre educação do campo e analisar a conjuntura política, econômica, cultural e midiática e seus desdobramentos nos direitos de trabalhadores e trabalhadoras campo.

Programação

A programação contará com mesas de prosa, rodas de conversa, tendas artísticas com música, poesia, teatro, dança, cordel (entre outros), feira cultural, atividades voltadas para as crianças e apresentação de pôster. Os interessados em submeter trabalhos acadêmicos podem escolher entre as duas modalidades: comunicação científica oral ou pôster. As vagas são limitadas. Quem quiser participar pode se inscrever através do site www.siecs.com.br, até completarem as vagas. Os valores da inscrição variam entre R$ 30,00 (estudantes de graduação), R$ 50,00 (estudantes de pós-graduação) e R$ 80,00 (professores, pesquisadores e outros profissionais). Militantes de movimento social e sindical, jovens e mulheres do campo estão isentos da taxa.

O seminário é organizado pelas seguintes instituições: Centro Territorial de Educação Profissional do Sertão do São Francisco-Bahia; Fórum Territorial de Educação do Piemonte Norte do Itapicuru; IF Sertão-PE do Campus Petrolina Zona Rural; Universidade do Estado da Bahia (Uneb); Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf); IRPAA; Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST); Núcleo de Pesquisa e Extensão em Desenvolvimento Territorial (Nedet); Rede das Escolas Famílias Agrícolas Integradas do Semiárido (Refaisa); Secretaria Municipal de Educação de Coité; e Grupo de Agroecologia Umbuzeiro (GAU).

Agricultores de Juazeiro passam por formação em manejo de aves para impulsionar venda de ovos

formação IRPAA manejo de avesCriadores galinha das comunidades de Canoa, Oliveira e Saquinho, no distrito de Massaroca, zona rural de Juazeiro (BA), se reuniram com colaboradores do Instituto regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA) para discutir o manejo de aves, principalmente a prevenção de doenças e verminoses que podem atingir a criação e a inclusão de alimentos alternativos – como plantas da caatinga, que possuem um menor custo.

Segundo o colaborador Clérison Belém, essas formações são importantes para as comunidades, devido à produção significativa com ovos de galinha, que chega a uma produção de mil ovos/dia. “São informações necessárias sobre alternativas no manejo sanitário e alimentar das aves, visando à comercialização de um bom produto, com ovos de qualidade e uma galinha caipira saudável, para que o consumidor fique satisfeito”, ressalta.

A partir de projetos dos governos federal e estadual executados pelo IRPAA nessas comunidades, os quais previam a construção de galinheiros, a produção de ovos foi impulsionada. Com o aumento da demanda, foi construído um entreposto de ovo de galinha para receber a produção, realizar o processo de seleção, a ovoscopia, embalagem e comercialização do produto. “O IRPAA busca legalizar a produção, com produtos circulando no mercado sem problemas de fiscalização, para que esses grupos acessem mercados para terem lucros e qualidade de vida ao povo do campo”, concluiu Clérison.

A criação de galinha-capoeira é uma prática antiga na vida dos agricultores dessas comunidades, que vinha se perdendo devido à introdução das galinhas de granja. Mas, de acordo com o IRPAA, a partir desses projetos as atividades estão sendo retomadas. (foto/divulgação)

Intercâmbio analisa viabilidade de energia eólica e solar em Juazeiro e Sento-Sé

inetrcâmbio irpaa

O interesse e a necessidade em conhecer de perto as vantagens e prejuízos existentes na geração de energia eólica e solar na região do Submédio São Francisco, motivou a Articulação Popular São Francisco Vivo a promover, no último final de semana, um intercâmbio nos municípios de Sento-Sé e Juazeiro, no norte da Bahia. Participaram da atividade representantes do Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA), Comissão Pastoral da Terra (CPT), de comunidades tradicionais Fundo de Pasto e estudantes que no primeiro dia visitaram experiências de geração de energia eólica e energia solar, com o objetivo de conhecer os dois modelos de implantação e identificar os principais impactos positivos e negativos, sobretudo no modo de vida local. (mais…)

Audiências Públicas discutem caprinovinocultura nos municípios de Pilão Arcado e Campo Alegre de Lourdes

Os municípios de Pilão Arcado e Campo Alegre de Lourdes, no norte da Bahia, realizaram recentemente audiências públicas com foco na caprinovinocultura, cujo objetivo foi discutir com os criadores as principais dificuldades e as propostas para potencializar essa atividade no Território Sertão do São Francisco. Estiveram presentes entidades da sociedade civil, representante do colegiado territorial, do governo do estado e agricultores.

Na programação, uma das palestras foi realizada pelo Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA), que tratou da situação da caprinovinocultura na Bahia e no Território Sertão do São Francisco.

Também foi realizada uma discussão em plenária para que os criadores e lideranças presentes expusessem as dificuldades. As principais são insegurança hídrica do rebanho; necessidade de serviço de Assessoria Técnica e Extensão Rural (Ater) continuada; dificuldade na alimentação nos períodos de estiagem; degradação da caatinga através de desmatamento; dificuldade na comercialização dos animais e produtos – entre outras.

Propostas

Nas duas audiências foram construídas propostas pelos participantes a fim de nortear ações para melhoria da caprinovinocultura na região a partir de programas e políticas públicas. No Território Sertão do São Francisco já foram realizadas audiências em oito municípios. As próximas vão acontecer em Sento-Sé e Remanso (norte baiano). Após isso será realizado um encontro territorial com presença de várias entidades da sociedade civil, poder público e criadores. (foto: Clérison Belém/divulgação)

Nível do Lago de Sobradinho volta a cair e alerta continua

O volume de água do Lago de Sobradinho, no norte da Bahia, continua caindo. Segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) divulgados ontem (5), o reservatório está com cerca de 26% de sua capacidade total de armazenamento – no mês de maio último o nível estava em 32%.

A preocupação volta à tona, visto que o lago chegou a 1% de sua capacidade no ano passado, justamente pela estiagem prolongada. Vale frisar, ainda, que o Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA) já havia alertado que a recuperação do volume, no início deste ano, não garantiria a segurança hídrica no Vale do São Francisco. O alerta continua e a dica ainda é economizar. (foto: Agência Brasil)

Recuperação do volume do Lago de Sobradinho não garante segurança hídrica no Vale do São Francisco em 2016, diz IRPAA

rio são francisco - foto irpaa

As fortes chuvas que caíram no Vale do São Francisco em janeiro deste ano animaram os ribeirinhos. O Lago de Sobradinho (BA), que no mês de novembro de 2015 quase chegou ao seu volume morto, agora já ultrapassa 26% do seu volume útil, segundo Boletim da Agência Nacional de Águas (ANA). Isso se deve à elevada vazão de afluência de 5,5 mil metros cúbicos por segundo (m3/s), 14% superior à média histórica do período 1931-2014 e 295% superior à média dos últimos dois anos para o mês de fevereiro. Porém, este dado não representa segurança no tocante aos diversos usos da água do São Francisco. A afirmação é do Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA).

Segundo a entidade não governamental, a vazão de defluência do lago é regulada conforme os interesses dos grandes empreendedores, de modo que em meados de 2014 o volume do lago foi reduzido num ritmo de 6% ao mês e em 2015 em 1,5% ao mês, chegando ao final do ano com menos de 2% do volume útil. Isto significa que ao final deste ano o cenário do ano anterior pode se repetir.

Esta preocupação parte da análise de que a recuperação do volume do lago, período em que a afluência supera a defluência, ocorre apenas em cerca de quatro meses por ano e têm sido raros os anos em que se ultrapassou os 60% do volume útil. Desse modo é provável que a recarga esteja reduzida a partir de março, ao passo que a defluência continua significativa, podendo ocorrer nova crise a depender do regime de chuva do próximo ano.

Ainda que os reservatórios aumentem seus volumes não significa que a crise hídrica está encerrada, até porque milhares de famílias que não têm acesso à água de rios, nem dispõe da requerida estrutura para captação de água de chuva, ainda mendigam na dependência dos carros pipas que todo ano entram em cena no fim da época chuvosa.

Há um apelo de diversas organizações da sociedade civil que vem debatendo as causas da crise hídrica, dentre elas o IRPAA, no sentido de apontar para urgência de fazer valer os mecanismos legais de contenção do desmatamento e da poluição dos mananciais, a implementação de políticas públicas que levem ao uso sustentável e eficiente dos recursos hídricos, por meio da revisão do modelo de outorgas e fiscalização dos usuários.

André Rocha, coordenador do Eixo Clima e Água do Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA), lembra que em outubro e novembro de 2015 o abastecimento humano de algumas cidades da borda do lago ficou comprometido, no entanto os grandes perímetros irrigados continuaram usando a água regularmente, contrariando a Lei 9.433/97 que estabelece priorizar o abastecimento humano e a dessedentação animal em momentos de escassez.

Causas

As secas, fenômenos naturais e previsíveis, não são as maiores responsáveis pela crise hídrica fortemente percebida no ano passado, segundo afirmam diversas organizações que assinaram carta política durante a “Semana da Água” em 2015. A diminuição da disponibilidade hídrica em algumas regiões do país conta com diversas outras causas, dentre elas a elevada supressão vegetal de alguns biomas como a Amazônia brasileira, o Cerrado e a Caatinga que já contam com, respectivamente, 18%, 50% e 48% desmatados. Soma-se a isso o uso descontrolado da água no Brasil, pela indústria (média de 22%) e pelo agronegócio (média de 72%).

A vazão de consumo dos diferentes usos consultivos na Bacia do Rio São Francisco, seguindo a ANA, é da ordem 216 m3/s, com uma demanda que cresce mais de 5% ao ano. No Submédio São Francisco a grande irrigação chega a consumir 95,2% de toda água retirada do rio, conforme mostra o quadro abaixo, além de causar graves contaminações por agrotóxicos que se soma aos esgotos sem tratamento lançados na calha do rio nas cidades ribeirinhas, comprometendo a qualidade da água e o equilíbrio dos organismos aquáticos.

Região da Bacia SF Vazão de consumo (%)
Urbano Rural Irrigação Animal Industrial Total
Alto 12,8 0,9 67,1 7,5 11,7 100,0
Médio 1,0 0,7 94,4 3,7 0,2 100,0
Submédio 1,5 1,0 95,2 2,0 0,3 100,0
Baixo 2,2 1,6 92,7 3,1 0,4 100,0
*Média geral 4,4 1,0 87,3 4,1 3,1 100,0
Fonte: ANA (2013, 2015).

(fonte/foto: Ascom IRPAA)

Novo presidente do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional do Estado da BA é de Juazeiro

josé moacir

É de Juazeiro o novo presidente do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional da Bahia (Consea-BA). Eleito por unanimidade, José Moacir dos Santos (de camisa preta) é o primeiro gestor eleito do interior do estado. Moacir é conselheiro pela sociedade civil, representando o Instituto Regional da pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA) no Consea-BA. A eleição aconteceu ontem (10), na capital baiana, através de plenária ordinária do Conselho com a participação majoritária dos conselheiros da sociedade civil e do poder público.

Para Moacir a representação do interior do estado na presidência do Conselho, que já vinha sendo discutida entre os conselheiros da sociedade civil, trará uma nova roupagem para o Consea, com a ideia de que o “Governo absorva toda a territorialidade do Estado no que diz respeito as políticas de Segurança Alimentar e Nutricional”.

O desafio, segundo ele, e será construir uma logística e plano de trabalho nos próximos dois anos que dê conta de coordenar o conselho a partir do interior, já que atualmente toda a estrutura administrativa do Consea é concentrada em Salvador. E não só do Consea. Além disso, ele alerta a necessidade estratégica dos movimentos sociais, entidades e pessoas de se engajarem na constituição e fortalecimento dos conselhos municipais de segurança alimentar, como um caminho para a unificação das políticas em todo o estado.

Perspectivas

Além das metas estabelecidas para os próximos dois anos de acompanhar o Plano de Segurança Alimentar e Nutricional e o desenvolvimento da segurança alimentar para se resolver alguns gargalos que ainda provocam a insegurança alimentar, o desfio será provocar o estado a animar os municípios a fazerem parte do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, criado pelo governo federal. Para isso, os municípios precisam ter uma estrutura mínima para aderir a este sistema, como um Plano Municipal, uma Política e um Conselho de SAN. O Sistema tem o objetivo de compreender toda a dinâmica que envolve a construção da SAN e todos os gargalos para isso, sendo uma forma dos governos federal, estadual e municipal e sociedade civil trabalharem em conjunto de uma forma horizontal.

O Consea

O Consea-BA foi criado em 14 de maio de 2003, sob o decreto Nº 8.524 e instituído pela Lei Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional, nº 11.046 de 20 de maio de 2008. O Conselho tem o caráter consultivo e tem por objetivo assessorar o governo no Estado, propondo as diretrizes e prioridades da política e do Plano Estadual de Segurança alimentar e nutricional. Entre as suas atribuições está a de monitorar, fiscalizar o cumprimento das ações e política públicas no que tange o direito humano à alimentação saudável no estado.

O Consea é composto por 36 membros titulares, sendo dois terços da sociedade civil (24 conselheiros) e um terço do poder público (12 secretarias estaduais), uma representação plural de grupos de diversas áreas que almejam ampliar a promoção da segurança alimentar e nutricional no estado. A cada dois anos elege a sua nova diretoria, que na última gestão foi presidida por Nadson Baptista, da Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA). (foto/divulgação)

Primeiras cenas do curta-metragem ‘Uma Aventura no Semiárido’ são gravadas em Casa Nova

bruxos filme casa nova2As serras, a caatinga, os animais e outros elementos que compõem a natureza de Lagoa Nova, comunidade rural do interior do município de Casa Nova, no norte da Bahia, serviram de cenário para as primeiras gravações do curta-metragem ‘Uma Aventura no Semiárido’.  (mais…)

“Gritos” do São Francisco: Curta-documentário mostra cenário preocupante do Velho Chico

rio são francisco pouca águaLançado ontem (4) na internet pelo Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA), em Juazeiro (BA), “Gritos” é um curta-documentário que pretende incomodar olhares e despertar opiniões das pessoas acerca do cenário atual da Bacia do São Francisco e a perspectiva para um futuro próximo.

As imagens, reforçadas por uma envolvente trilha sonora, mostram os sérios problemas pelos quais passa o Rio São Francisco.

Os municípios de Barra, Xique-Xique, Sento Sé, Pilão Arcado, Remanso, Sobradinho, Juazeiro (todos no norte baiano), além de Petrolina (em Pernambuco), que fazem parte do médio e submédio São Francisco, são o eixo principal do curta, destacando as ações predatórias do homem que contribuem para a degradação do Velho Chico, que ontem completou 514 anos ontem.

As marcas de trechos secos do Lago de Sobradinho aparecem como um ‘choque de realidade’, despertando o espectador para a possibilidade real de uma morte anunciada do São Francisco. Assista ao vídeo acessando aqui. (foto/reprodução)

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