O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso preventivamente nesta quarta-feira (4) pela Polícia Federal (PF), por conta de uma nova fase da Operação ‘Compliance Zero’. Na operação, a PF investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo a venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master.
O colunista da CBN e O Globo Lauro Jardim traz bastidores da prisão do banqueiro, revelando que a decisão do ministro André Mendonça de mandar prender Vorcaro é resultado de trocas de mensagens encontradas em seu celular, que continham um plano para retaliar o jornalista por publicar informações sobre os crimes investigados. Vorcaro integrava um grupo de WhatsApp batizado de ‘A turma’, em que foram planejadas ações violentas contra pessoas que ele considerava adversários – como jornalistas.
“Foi um pedido feito pela PF de prisão preventiva dele, Vorcaro, do cunhado dele, Fabiano Zettel, e de dois funcionários que trabalhavam pro Daniel Vorcaro, um policial civil aposentado e um outro personagem que também fazia serviços, e posso dizer sem exagerar, serviços sujos pro Vorcaro“, explica Lauro Jardim. “O Vorcaro cita uma nota que eu publiquei na minha coluna de domingo no Globo e diz que eu publico muitas coisas sobre ele, e parte para dizer que tem que fazer alguma coisa.”
“E embora eu sempre tenha certeza de que jornalista não é notícia, nesse caso sou obrigado a ser notícia e revelar aqui que na troca de mensagens do Vorcaro, nesse grupo batizado A Turma, ele me incluiu, ele planejou e autorizou uma ação contra mim“, conta.
Monitoramento
De acordo com o colunista, a ideia era, primeiro, monitorá-lo e “descobrir coisas ruins” sobre ele. Depois, simular um assalto para “quebrar seus dentes“.
“Isso foi planejado e dado ok pelo Vorcaro para que fosse seguido. Isso não chegou a acontecer, não sei se porque ele foi preso antes, eu não sei, o fato é que isso constava. No fundo, o que dá para dizer é que o Vorcaro, em relação a algumas pessoas que ele considerava adversário, ele tinha uma espécie de milícia própria e que ele agia, se é que não agiu em outros casos que a gente não sabe ainda“.
O colunista ainda diz que, no mandado de prisão, há “relações espúrias, complicadas” entre Daniel Vorcaro e um ex-diretor do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza, que em janeiro foi afastado pelo presidente Gabriel Galípolo para ser investigado. Lauro Jardim também afirma que além dele, outro alto funcionário afastado do Banco Central, Belline Santana, consta nessa ordem de prisão. “Tudo ali está explicitado, essas relações dele absolutamente inapropriadas com o Vorcaro“.
Lauro Jardim destaca que, a partir da descoberta de tantos fatos graves, como a potencial agressão que seria cometida contra jornalistas, com provas mais robustas da PF obtidas do celular do banqueiro, é possível que venha uma delação premiada. “Pode ser que agora isso mude a situação dele. Portanto, ele e a defesa dele têm que repensar isso, e aí se ele for fazer uma delação, podem saber que é uma delação para, não sei se derrubar, mas pelo menos balançar meia República“.
Repúdio
O Globo afirmou que “repudia veementemente as iniciativas criminosas planejadas contra o colunista Lauro Jardim, um dos mais respeitados jornalistas do país. A ação, como destacado pelo ministro André Mendonça, visava ‘calar a voz da imprensa’, pilar fundamental da democracia. Os envolvidos nessa trama criminosa devem ser investigados e punidos com o rigor da lei. O Globo e seus jornalistas não se intimidarão com ameaças e seguirão acompanhando o caso e trazendo luz às informações de interesse público“. (Fonte: CBN)


