As universidades federais do Nordeste divulgaram, nesta terça-feira (30), uma nota conjunta em defesa da recomposição orçamentária para o exercício financeiro de 2026. A manifestação ocorre após o alerta da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) sobre os cortes realizados pelo Congresso Nacional durante a aprovação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA).
Para 2026, o Ministério da Educação (MEC) teve R$ 233,4 bilhões em recursos aprovados. No entanto, de acordo com análise preliminar da Andifes, divulgada em 23 de dezembro, as 69 universidades federais sofreram um corte de R$ 488 milhões em relação ao valor originalmente previsto no PLOA encaminhado pelo governo federal. A redução representa 7,05% dos recursos discricionários das instituições, mesmo com a proposta do MEC prevendo um aumento de 43% em comparação com 2022.
Na nota, as universidades ressaltam que as instituições federais de ensino superior são instrumentos estratégicos no enfrentamento das desigualdades sociais e regionais, além de exercerem papel central na promoção da inclusão social. O documento destaca ainda que, nas últimas décadas, houve um processo intenso de expansão e interiorização das universidades, ampliando significativamente o acesso ao ensino superior público, gratuito e de qualidade.
As instituições reforçam que, no Nordeste, essa política pública foi fundamental para a democratização do acesso à universidade e para o estímulo ao desenvolvimento regional sustentável, “alicerçado na educação, na ciência, na tecnologia e na inovação”, contribuindo para o reposicionamento da região no cenário nacional. Também foi destacada a atuação das universidades na promoção da cultura e na oferta de serviços e ações de saúde à população.
O reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Alfredo Gomes, também se manifestou sobre o tema em um vídeo publicado em seu perfil no Instagram, no qual fez duras críticas ao Congresso Nacional. Segundo ele, os cortes aprovados na Lei Orçamentária Anual de 2026 representam um “presente de fim de ano cruel ao Brasil”.
“É dinheiro que garante o funcionamento básico: água, luz, limpeza, laboratórios, salas de aula, aulas de campo. É dinheiro que garante pesquisa e extensão”, afirmou o reitor.
Alfredo Gomes destacou ainda que os impactos são ainda mais graves na assistência estudantil. “Foram quase R$ 100 milhões a menos, o que pode comprometer a permanência de milhares de estudantes pobres, vulneráveis, negros, indígenas e pessoas do interior, exatamente aqueles que mais precisam da universidade para mudar de vida”, disse.
De acordo com o reitor, na prática, as universidades federais terão menos recursos para funcionar em 2026 do que em 2025. Ele também criticou o volume destinado às emendas parlamentares, que somam R$ 61 bilhões no mesmo projeto de lei.
“O Congresso preserva privilégios e coloca dinheiro fora da educação por meio das emendas. Drena recursos da educação para atender a interesses próprios dos parlamentares”, afirmou. Para Alfredo Gomes, “cortar da ciência e da educação é cortar o presente e o futuro do país”. Ele concluiu dizendo que “atacar esse orçamento é atacar a soberania nacional”. (Fonte: Jornal do Comércio)


