Após moradores criticaram a falta d’água em diferentes bairros de Juazeiro (BA), o Serviço de Água e Saneamento Ambiental (SAAE) divulgou informações sobre a situação do sistema de abastecimento na cidade. Segundo a autarquia, o problema é resultado de dificuldades estruturais acumuladas ao longo de décadas, além do aumento da turbidez da água do Rio São Francisco após o período de chuvas, o que teria reduzido o volume de água distribuído nos últimos dias.
De acordo com o SAAE, o sistema atual enfrenta limitações causadas por anos de falta de investimentos, equipamentos antigos e uma estrutura que não acompanhou o crescimento urbano da cidade. Esses fatores impactam diretamente as etapas de captação, tratamento e distribuição da água. O levantamento técnico da autarquia aponta que a estação de captação de água bruta do rio não recebe investimentos significativos desde 2014, quando foi instalado um flutuante. Já a Estação de Tratamento de Água (ETA) localizada no bairro Santo Antônio foi construída na década de 1960, apresentando limitações operacionais por falta de modernização.
Equipamentos utilizados no sistema também estão bastante desgastados. Segundo o SAAE, algumas bombas têm mais de 30 anos de uso. Além disso, os filtros utilizados no processo de tratamento enfrentam restrições por falta de manutenção adequada. Dos 25 filtros existentes, dois foram danificados em 2021 e ainda não foram substituídos. Outro ponto destacado pela autarquia é o crescimento urbano acelerado de Juazeiro nos últimos anos, com a criação de novos condomínios, loteamentos e conjuntos habitacionais. Segundo o órgão, esse avanço não foi acompanhado por investimentos suficientes para ampliar a capacidade do sistema. Em alguns casos, extensões da rede de abastecimento teriam sido feitas sem estudos aprofundados sobre a viabilidade hídrica, o que contribuiu para o desequilíbrio entre oferta e demanda.
O SAAE também informou que o sistema registra perda de cerca de 40% da água tratada antes de chegar às residências, principalmente por causa de ligações clandestinas e tubulações antigas. A autarquia também revelou ter herdado um passivo financeiro superior a R$ 90 milhões. Desse total, cerca de R$ 47 milhões correspondem a débitos com a Neoenergia Coelba, responsável pelo fornecimento de energia para os sistemas de captação, tratamento e bombeamento.
Reorganização
A diretora-presidente do SAAE, Fabiana de Possídio, afirmou que a atual gestão está trabalhando para reorganizar a autarquia e melhorar o sistema. “A população tem razão em cobrar. Sabemos das dificuldades enfrentadas por muitos bairros e compreendemos plenamente as reclamações. Herdamos um sistema com muitos anos de falta de investimentos, mas estamos trabalhando com planejamento e responsabilidade para recuperar gradualmente a estrutura e melhorar o abastecimento da cidade,” declarou. Segundo o SAAE, equipes estão mobilizadas em uma força-tarefa para regularizar o abastecimento nos bairros afetados. A expectativa é de que, com a redução da turbidez da água e a estabilização do sistema de tratamento, o fornecimento seja normalizado gradualmente em toda a cidade.


