Quilombolas de Pernambuco ocuparam, nessa terça-feira (24), a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Petrolina, em um ato de resistência e cobrança por direitos historicamente negados. Entre as principais pautas do movimento estão a demarcação e titulação das terras quilombolas, o acesso a créditos fundiários e a proteção dos territórios diante da exploração ilegal de recursos naturais por mineradoras.
Por meio do seu mandato coletivo, o vereador Professor Gilmar Santos (PT) manifestou apoio à mobilização e colocou a equipe à disposição para dar visibilidade à luta das comunidades, além de se dispor a contribuir com as articulações necessárias junto ao governo federal. Ele não pôde estar presente no ato por estar cumprindo agenda institucional em Brasília (DF), juntamente com os demais vereadores da Casa Plínio Amorim, mas reforçou seu compromisso com a pauta quilombola e com a defesa dos territórios tradicionais.
Além disso, Professor Gilmar é autor do Estatuto de Igualdade Racial e de Combate à Intolerância Religiosa de Petrolina (Lei nº 3.330/2020) – o primeiro do estado de Pernambuco, uma conquista histórica construída ao lado dos movimentos sociais. A iniciativa reforça o alinhamento do mandato com a luta dos povos quilombolas, na defesa dos territórios, no enfrentamento ao racismo e na garantia de direitos para as populações negras, tradicionais e de matriz africana.
Cenário crítico
Uma das lideranças presentes na ocupação, Antônio Crioulo, do Quilombo Conceição das Crioulas e dirigente da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), destacou a gravidade da situação vivida pelas comunidades. “Muito preocupados com as negligências e a falta de políticas públicas no território, resolvemos ocupar o Incra aqui em Petrolina. Conceição das Crioulas é uma das primeiras comunidades quilombolas, parcialmente tituladas aqui no Nordeste. Também é uma das maiores quando se trata da luta pelo território, pela educação escolar quilombola e pela identidade. Estamos aqui porque nossa comunidade acaba de ser alvo de uma mineradora que visa explorar, de maneira ilegal, os minérios da nossa comunidade“, afirmou.
Segundo ele, a mobilização tem como objetivo central garantir a proteção do território e o acesso a direitos básicos. “Estamos aqui com o objetivo principal de cuidar e preservar nosso patrimônio sagrado, nosso território, Conceição das Crioulas, e também lutar pelo acesso às políticas públicas do Incra“, completou.


