Prefeitos da Bahia discutem critérios para conter alta nos cachês de bandas nos festejos juninos

por Carlos Britto // 01 de fevereiro de 2026 às 12:30

Foto: Ascom UPB

O aumento dos cachês pagos a bandas contratadas por prefeituras para os festejos juninos foi tema de uma reunião realizada na manhã da ultima sexta-feira (30), na sede da União dos Municípios da Bahia (UPB). O encontro reuniu representantes de entidades municipalistas de seis estados do Nordeste, que defenderam a necessidade de estabelecer critérios mais justos para a remuneração dos artistas, com o objetivo de preservar o erário público e evitar prejuízos a investimentos em áreas essenciais, como saúde e educação.

A reunião contou com a presença da promotora do Ministério Público da Bahia, Rita Tourinho, que orientou os gestores a observarem possíveis excessos na variação dos cachês de um ano para o outro. Segundo ela, dados do Painel dos Festejos Juninos do Ministério Público já indicam um crescimento exacerbado desses valores ao longo dos anos. “O que se busca é a definição de critérios para limitar esses aumentos. Não se trata de controlar o mercado privado, mas de discutir até que ponto a administração pública pode pagar. É uma pauta justa, porque a população quer festejar, mas também quer que suas necessidades básicas sejam atendidas”, destacou.

O presidente da UPB e prefeito de Andaraí, Wilson Cardoso, afirmou que o movimento tem caráter regional e envolve todos os estados do Nordeste. “O São João é uma festa democrática, aquece a economia dos municípios e queremos realizar grandes eventos, mas pagando um preço justo, sem comprometer as finanças públicas. A ideia é evitar que os valores praticados em um estado acabem inflacionando os cachês em outros, como Pernambuco ou Alagoas. É uma ação integrada do Nordeste”, ressaltou.

Durante o encontro, gestores compartilharam experiências e preocupações comuns em relação ao crescimento dos custos dos festejos juninos, especialmente com grandes atrações musicais. Para eles, o debate é fundamental para garantir a manutenção da tradição cultural sem comprometer a responsabilidade fiscal dos municípios.

O presidente da Federação das Associações de Municípios da Paraíba (FAMUP-PB), George Coelho, defendeu a criação de parâmetros claros. “Temos que ter uma resolução e um parâmetro de cobrança de valor”, afirmou. Já o presidente da Associação dos Municípios do Estado do Ceará (Aprece), Joacy Júnior, destacou que “a população tem direito à cultura e ao lazer, mas não é justo que o poder público arque com custos elevadíssimos”. Para o presidente da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA), Marcelo Beltrão, a pressão popular por grandes festas também aumenta a preocupação dos gestores.

O presidente da Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (FEMURN), Baba Anteomar Pereira da Silva, avaliou que decisões tomadas de forma colegiada fortalecem o posicionamento dos municípios. Representantes da Federação dos Municípios do Estado do Sergipe (FAMES) e da Associação Piauiense de Municípios (APPM) também participaram da reunião.

Ao final, ficou definido um novo encontro com órgãos de controle, marcado para a próxima quarta-feira (4), com a expectativa de avançar na construção de orientações conjuntas que auxiliem os municípios na contratação de atrações e no planejamento financeiro dos festejos juninos de 2026

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Últimos Comentários