Pesquisa da Univasf usa inteligência artificial para prever áreas de risco no norte da Bahia

por Carlos Britto // 15 de fevereiro de 2026 às 20:00

Foto: Ascom Univasf

Um estudo desenvolvido na Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) utiliza inteligência artificial para identificar e prever áreas com risco de deslizamentos e inundações no norte da Bahia. A pesquisa é coordenada pelo professor Cristiano Marcelo Pereira de Souza, do Colegiado de Geologia, e conta com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb).

Intitulado “Modelagem preditiva de riscos geológicos e hidrológicos com inteligência artificial”, o projeto tem como foco os municípios de Jacobina e Senhor do Bonfim, escolhidos devido ao histórico de ocorrências desses eventos e à necessidade de ampliar o conhecimento técnico sobre os riscos ambientais na região.

Segundo o pesquisador, o estudo utiliza algoritmos de aprendizado de máquina associados a dados geoespaciais e ambientais para mapear áreas mais suscetíveis a desastres naturais. “O projeto integra diferentes tipos de dados, incluindo informações topográficas, geológicas, hidrológicas, pedológicas, climáticas e de uso e cobertura do solo. Também estão previstas atividades de campo, análises laboratoriais de solos e rochas, interpretação de imagens de satélite e a construção de bases cartográficas detalhadas”, explicou.

A pesquisa conta ainda com a participação de pesquisadores da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), da Universidade Federal de Viçosa (UFV), do Instituto Federal da Bahia (IFBA) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

O professor ressaltou que os resultados poderão auxiliar diretamente na prevenção de desastres e no planejamento urbano. “Os modelos permitirão identificar áreas com diferentes níveis de risco, possibilitando que órgãos públicos priorizem ações preventivas, como planejamento urbano, obras de contenção, monitoramento ambiental e definição de áreas seguras para ocupação”, afirmou.

O estudo tem duração prevista de 12 meses e está na fase inicial, que inclui levantamento de dados, análises de campo e desenvolvimento dos modelos computacionais. Para o coordenador, a iniciativa é importante diante do aumento da frequência de eventos climáticos extremos, especialmente no Nordeste.

O financiamento reconhece a relevância científica e social da pesquisa, fortalece a infraestrutura da universidade, amplia a formação de estudantes e consolida parcerias com outras instituições. Também reforça o papel da Univasf na produção de conhecimento aplicado à solução de problemas ambientais”, destacou.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Últimos Comentários