O governo norte-americano revisou as orientações nutricionais e divulgou as ‘Diretrizes Alimentares para Americanos 2025-2030’ na última quarta-feira (7). As novas orientações apresentam orientações atualizadas para uma dieta saudável e fornecem base para programas e políticas federais de nutrição. A edição mais recente das recomendações incentiva o consumo de proteínas, gorduras saudáveis, vegetais frescos, grãos integrais e produtos lácteos.
A publicação aconteceu após o Secretário de Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr, dar ênfase sobre a necessidade de reestruturação do suprimento de alimentos dos EUA, pauta que faz parte do movimento Make America Healthy Again. Kennedy deixa uma mensagem clara. “Comam comida de verdade”, diz ele. As diretrizes também adotam uma nova postura em relação a alimentos altamente processados e carboidratos refinados, que constituem mais da metade das calorias na dieta dos EUA.
Segundo a Dra. Carolina Almeida, diretora médica do Núcleo GA, a reorganização da pirâmide alimentar pelo governo norte-americano é um grande marco na história da saúde em geral. “Antes a pirâmide alimentar tinha por base um incentivo maior do consumo de alimentos ricos em carboidratos, muitas vezes pobres, que não agregam muito ao nosso corpo. Isso acabou levando ao que temos hoje, que é um excesso de pessoas com obesidade”, aponta.
Para a médica, a mudança também reforça um conceito que vem sendo defendido há anos na prática clínica. “Quando priorizamos comida de verdade, com menos rótulos e mais nutrientes, damos ao corpo condições reais de funcionar melhor. Isso impacta diretamente o controle do peso, a saúde metabólica e até a prevenção de doenças crônicas. É um passo importante para colocar a atenção na qualidade do que se come”, ressalta.
Guia
O Guia Alimentar para a População Brasileira adota uma lógica distinta da nova pirâmide alimentar dos Estados Unidos, embora compartilhem um ponto em comum: a valorização dos alimentos in natura ou minimamente processados. No Brasil, o guia não trabalha com pirâmides ou metas quantitativas, mas com princípios que orientam escolhas alimentares mais conscientes e alinhadas à cultura alimentar. Enquanto a diretriz norte-americana passa a priorizar proteínas e laticínios integrais, o modelo brasileiro mantém a combinação de alimentos básicos, como arroz e feijão, frutas, legumes e verduras, mantendo os carboidratos minimamente processados como parte fundamental da alimentação.
Para a Dra. Carolina, as duas abordagens não são excludentes, mas refletem realidades culturais e epidemiológicas diferentes. “O ponto de convergência mais importante é o resgate da comida de verdade. Quando falamos em saúde e controle da obesidade, o maior vilão não é um grupo de alimento isolado, mas o excesso de ultraprocessados. Adaptar as diretrizes à realidade de cada país, respeitando hábitos culturais, é o caminho mais eficiente para promover mudanças sustentáveis na alimentação”, finaliza.


