Embrapa Semiárido realiza em Casa Nova Dia de Campo sobre cultura da pêra

por Carlos Britto // 05 de fevereiro de 2026 às 15:00

Foto: Clarice Rocha/divulgação

A Embrapa Semiárido realizou, no dia 2 de fevereiro, um Dia de Campo no município de Casa Nova (Norte da Bahia), reunindo produtores rurais e técnicos agrícolas interessados em conhecer de perto o potencial da cultura da pereira no Semiárido baiano. O evento integrou as ações da Fase II do Projeto Eólicas de Casa Nova, iniciativa da Embrapa Semiárido, financiada pela AXIA Energia Nordeste, em parceria com a Prefeitura Municipal.

Tradicionalmente associada a regiões de clima frio, a produção de pêra começa a se firmar no Vale do São Francisco como resultado direto do trabalho da pesquisa agropecuária, que vem adaptando tecnologias de manejo às condições climáticas do Sertão.

Durante o Dia de Campo, os participantes tiveram acesso a informações técnicas sobre as características da cultura, as particularidades de manejo, as condições de produção no Semiárido e as variedades atualmente indicadas para a região. As orientações foram repassadas pelo pesquisador Paulo Roberto Lopes, responsável pelos estudos com a cultura e pelo acompanhamento da área demonstrativa instalada junto ao produtor parceiro do projeto.

Segundo o pesquisador, a introdução da pereira no Semiárido enfrentou, inicialmente, forte ceticismo em razão das exigências climáticas da planta. “As variedades com as quais trabalhamos, a exemplo da Triunfo, necessitam, em condições tradicionais, de cerca de 450 horas de frio por ano, com temperaturas iguais ou inferiores a 7,2 °C. Aqui, a temperatura mínima dificilmente fica abaixo de 20 °C“, explicou.

Diante desse desafio, a Embrapa desenvolveu um manejo capaz de substituir a necessidade do frio, utilizando inibidores de crescimento, estratégia semelhante à aplicada na cultura da mangueira. A partir de testes com diferentes doses e manejos, foi possível viabilizar a produção de pera no Semiárido. Um dos diferenciais observados na região é a possibilidade de realizar até duas safras por ano na mesma planta, algo inédito entre as áreas produtoras de pera no mundo. “Após a colheita, em cerca de 30 dias, conseguimos realizar uma nova indução floral e obter outra safra. Normalmente temos uma safra maior e outra menor, mas ambas com boa produtividade e qualidade“, destacou Paulo Roberto.

Potencial expressivo

De acordo com o pesquisador, o potencial de mercado é expressivo. O Brasil produz menos de 5% da pera que consome e importa cerca de 180 mil toneladas por ano. Caso houvesse maior oferta de fruta nacional a preços mais acessíveis, o consumo poderia chegar a 300 mil toneladas anuais. “Isso mostra que há espaço para crescer, especialmente com organização coletiva, agregação de valor e acesso a mercados mais exigentes“, ressaltou.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Últimos Comentários