Dino cobra mais transparência em emendas e estabelece prazos ao DNOCS e Codevasf

por Carlos Britto // 23 de março de 2026 às 13:30

Foto: Gustavo Moreno/STF

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), estabeleceu nesse domingo (22) novos prazos para que órgãos da administração pública e ministérios aperfeiçoem mecanismos de transparência e rastreabilidade para corrigir falhas na execução de emendas parlamentares. Segundo o ministro, ainda há fragilidades no modelo atual de acompanhamento desses recursos.

No despacho, Dino classificou o cenário como uma “inequívoca emergência institucional”, com destaque para a situação no Sistema Único de Saúde (SUS), onde, segundo ele, há necessidade de maior controle e transparência na aplicação das verbas.

O ministro destacou ainda a necessidade de correções estruturais em órgãos como o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) e a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).

Dino apontou ainda a existência de indícios de que as falhas de fiscalização permanecem “graves e reiteradas” na execução de emendas pelo Dnocs e pela Codevasf, citando problemas crônicos evidenciados por operações policiais

Medidas

Entre as medidas determinadas para o Dnocs, que segundo o ministro vive um quadro de “anomalias, descontroles e vícios“, estão:

– adoção de critérios técnicos objetivos para obras de pavimentação, evitando escolhas meramente políticas;

– uso preferencial de “contratos de repasse” em vez de convênios, para fortalecer o controle financeiro e operacional;

– uso de ferramentas de georreferenciamento e fotos para garantir a execução real das obras.

Para a Codevasf, o ministro fixou o prazo de 60 dias para a instauração de Tomadas de Contas Especiais (TCEs) para reaver valores pagos indevidamente.

Plano emergencial

A decisão também dedica atenção especial ao Departamento Nacional de Auditoria do SUS (Denasus). Segundo os autos, o órgão perdeu cerca de 50% de sua força de trabalho entre 2001 e 2025. De acordo com o ministro, a saúde pública não pode gerir dezenas de bilhões de reais em emendas sem os devidos controles

O governo terá 30 dias para apresentar um plano emergencial de recomposição da capacidade de trabalho do Denasus, sob pena de adoção de medidas excepcionais de auditoria.

O ministro também atendeu a um pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) e prorrogou até o dia 31 de março o prazo para que cinco ministérios publiquem novas portarias relacionadas às emendas parlamentares.

Segundo Dino, a medida se deve em função da “heterogeneidade” e “falta de aderência” das normas para definição dos objetos no que se refere a destinação de recursos públicos pelos parlamentares.

Os ministérios citados são:

– Cidades;

– Esporte;

– Turismo;

– Agricultura, Pecuária e Abastecimento;

– Educação.

A decisão traz dados atualizados sobre o esforço de transparência ativa. Até o momento, o Congresso Nacional identificou o “apoiamento” (quem indicou o recurso) para cerca de R$ 24,67 bilhões em emendas coletivas entre 2020 e 2024. (Fonte: g1-Brasília)

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