Neste artigo, o leitor Rinaldo Remígio enaltece o ofício de profissionais comprometidos com seu trabalho, a exemplo dos bombeiros militares. E lembra um recente episódio ocorrido na pequena cidade de Filadélfia, Norte da Bahia.
Confiram:
Há momentos na vida em que uma notícia simples revela, de forma profunda, o verdadeiro significado de uma profissão. Não se trata apenas de cumprir um dever institucional, mas de representar, diante da sociedade, a própria essência da proteção, do cuidado e da esperança.
Foi lendo uma matéria no Blog do Carlos Britto que me deparei com uma dessas histórias que merecem ser registradas, compartilhadas e, sobretudo, reconhecidas.
Na pequena cidade de Filadélfia, no Norte da Bahia, uma manhã que parecia comum transformou-se em um momento decisivo na vida de uma família. Uma mãe chegou ao pelotão da Polícia Militar desesperada, em prantos, trazendo nos braços sua filha de apenas três meses que havia parado de respirar.
O desespero de uma mãe é talvez uma das imagens mais fortes que a vida pode apresentar. Naquele instante, não havia espaço para hesitação. Havia apenas uma vida frágil que precisava ser salva.
Foi então que entrou em ação o Tenente Miguel, da Polícia Militar da Bahia.
Com serenidade, preparo técnico e rapidez, o oficial tomou a criança nos braços e iniciou imediatamente as manobras de primeiros socorros. Foram segundos que pareceram eternos para quem presenciava a cena. Até que, finalmente, a pequena voltou a respirar.
O alívio tomou conta da mãe, do ambiente e certamente também do coração daquele policial que, emocionado, confessou nunca ter vivido situação semelhante.
Ali, naquele momento, a farda não representava apenas autoridade. Representava humanidade.
Histórias como essa nos fazem refletir sobre o papel das instituições de segurança pública. Muitas vezes, a sociedade cobra — e com razão — que a polícia esteja presente em todos os lugares, pronta para agir diante de qualquer emergência.
Mas também é verdade que a segurança de uma sociedade não depende apenas das forças policiais.
Ela começa dentro de casa. Começa na educação que os pais oferecem aos filhos, no exemplo que se transmite às novas gerações, no respeito às leis, na construção de valores que formam cidadãos conscientes.
A polícia protege, mas a sociedade também precisa colaborar com esse processo.
Por isso, atitudes como a do Tenente Miguel merecem mais do que reconhecimento momentâneo nas redes sociais ou nos noticiários. Merecem um verdadeiro voto de louvor — não apenas ao policial, mas à instituição que o formou e o preparou para agir com técnica, serenidade e espírito humano.
Homens e mulheres que vestem a farda carregam consigo uma missão que vai muito além do enfrentamento da criminalidade: preservar vidas.
Naquela pequena cidade do Norte baiano, a Polícia Militar cumpriu, com grandeza, a sua mais nobre missão. E nós, enquanto sociedade, precisamos reconhecer, valorizar e também fazer a nossa parte.
Porque uma sociedade segura não se constrói apenas com quartéis e viaturas. Constrói-se com responsabilidade coletiva, educação e respeito — valores que devem caminhar lado a lado com aqueles que dedicam suas vidas a proteger a nossa.
Rinaldo Remígio/Professor universitário aposentado e memorialista


