Polêmica: Prefeito de Barreiros e entidades médicas divergem após fiscalização em hospital municipal

por Carlos Britto // 06 de novembro de 2026 às 17:00

Foto: WhatsApp/divulgação

Uma fiscalização de surpresa realizada na noite da última quarta (4) pelo prefeito de Barreiros (PE), Carlinhos da Pedreira (PP), ao Hospital Municipal Jailton Messias de Albuquerque, gerou forte repercussão e intenso debate nas redes sociais. O gestor municipal acusou dois médicos plantonistas de estarem dormindo e “namorando” em uma sala da unidade, enquanto pacientes aguardavam atendimento, anunciando a demissão imediata dos profissionais e o rompimento do contrato com a organização social gestora do local.

O episódio provocou forte reação de entidades representativas da classe médica, como o Sindicato dos Médicos (Simepe) e o Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe).

Durante a abordagem noturna, registrada em vídeo e divulgada publicamente, o prefeito cobrou explicações e utilizou termos ofensivos contra os profissionais, alegando que apenas um médico estaria na ativa, enquanto os outros dois estariam trancados em um quarto. Na recepção da unidade, Carlinhos da Pedreira expos sua versão aos pacientes que aguardavam consultas e declarou que a situação configurava negligência e abandono de plantão.

Nota do Simepe

Em nota oficial, o Simepe repudiou veementemente a atitude do chefe do Executivo Municipal, classificando-a como “um ato de constrangimento público e exposição vexatória”. O sindicato destacou que fiscalizar os serviços públicos é prerrogativa da gestão, mas ressaltou que humilhar trabalhadores, antecipar julgamentos e expô-los ao descrédito público são condutas incompatíveis com a responsabilidade do cargo.

Confira a nota oficial:

O Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) vem a público repudiar veementemente a atitude do prefeito de Barreiros, Carlinhos da Pedreira, ao expor e constranger publicamente médicos plantonistas do Hospital Municipal Jailton Messias de Albuquerque.

Fiscalizar os serviços públicos é dever da gestão. Humilhar trabalhadores, antecipar julgamentos e alimentar exposição ao descrédito público são condutas incompatíveis com a responsabilidade do cargo.

A presença de uma médica e de um médico em ambiente de repouso não autoriza insinuações de natureza íntima. As imagens divulgadas não demonstram o comportamento insinuado. O Simepe também repudia qualquer tentativa de desqualificação profissional apoiada em estereótipos de gênero e no julgamento da vida privada das mulheres.

O Simepe informa que recebeu relatos de que os profissionais estavam em período de descanso, após intensa atividade assistencial nas primeiras 12 horas do plantão, enquanto um terceiro médico permanecia atendendo. O repouso durante plantões deve ser organizado com garantia de continuidade da assistência, e sua utilização não caracteriza, por si só, abandono do serviço.

Defender a dignidade de quem cuida e exigir condições adequadas de atendimento são compromissos essenciais com a população.

Diretoria Executiva do Simepe

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