As condições de deslocamento de pacientes do Tratamento Fora do Domicílio (TFD) que residem no Sertão do Aripe renderam duras críticas de uma cidadã que necessita do serviço. Entre outras dificuldades ela cita os atrasos e o abandono institucional dos poderes públicos.
Confiram:
Olá, somos os pacientes usuários do TFD da região do Araripe, somos cidadãos sertanejos e não pedimos favores. Exigimos respeito, dignidade e o cumprimento de nossos direitos constitucionais à saúde.
Precisamos que nos escutem.
Enquanto enfrentamos doenças graves, nós, moradores do Sertão do Araripe, lidamos há anos com o descaso, a negligência e a violação sistemática de nossos direitos básicos em viagens de mais de 700 km em busca de tratamento.
A busca por atendimento médico especializado tornou-se um pesadelo diário para nós, centenas de moradores do Sertão do Araripe. Pacientes de municípios como Araripina, Bodocó, Exu, Moreilândia, Ouricuri, Santa Cruz, Santa Filomena e Trindade, que dependem do Tratamento Fora do Domicílio (TFD), enfrentamos uma verdadeira via sacra até o Recife — marcada por exaustão, atrasos e completo abandono institucional.
Percorremos mais de 12 horas de viagem em estradas precárias. Já é um desafio para qualquer pessoa saudável. Para quem enfrenta o tratamento de câncer, doenças cardíacas ou enfermidades crônicas e graves, o deslocamento em veículos muitas vezes desconfortáveis e sem suporte adequado transforma-se em uma sessão de tortura que agrava ainda mais os quadros de saúde.
Ao chegarmos à Capital, a situação não melhora. Pacientes e acompanhantes passam:
Horas de espera ao relento – Pessoas debilitadas aguardam em pátios de garagens e pontos de apoio improvisados sem estrutura adequada de descanso ou higiene.
Falta de apoio financeiro e logístico – Atrasos na liberação de ajudas de custo e passagens deixam famílias sem recursos para refeições básicas ou transporte urbano entre os hospitais.
Perda de consultas e exames – Falhas organizacionais e atrasos no transporte fazem com que procedimentos agendados há meses sejam simplesmente cancelados, forçando o paciente a retornar ao Sertão sem o devido atendimento.
Essa realidade, que se arrasta há anos, representa uma grave violação dos direitos humanos e constitucionais:
Afronta à Dignidade da Pessoa Humana – Submeter cidadãos doentes a privações extremos e descaso desrespeita os princípios básicos de humanidade.
Negação do Direito à Saúde – A Constituição garante a saúde como dever do Estado. Quando o TFD falha na ponta, a vida e a eficácia do tratamento dos sertanejos são colocadas em risco direto.
Abandono Regional – A distância até a Capital não pode continuar sendo desculpa para a perpetuação da desigualdade no acesso à medicina especializada.
Um apelo urgente por providências.


