Neste artigo enviado ao Blog, a ex-diretora do Colégio Dom Bosco, Terezinha Teixeira, passa em poucas palavras a história da instituição, que chega ao centenário de fundação em 2026.
Confiram:
Cem anos. É impossível mencionar essa marca sem experimentar um sentimento profundo de gratidão e um imenso respeito por todos os capítulos escritos nessa trajetória. Celebrar o centenário do Colégio Dom Bosco não se restringe apenas a exaltar uma estrutura de tradição, mas também significa honrar as gerações de jovens e crianças que cruzaram seus corredores e levaram consigo o selo de uma educação que, desde o seu primeiro dia, teve como missão maior formar o caráter e o coração de seus discentes.
Essa missão nasceu da coragem visionária de Dom Malan, em uma Petrolina de 1926, a qual ainda despontava timidamente às margens do Rio São Francisco. Naquele sertão de tantos desafios, a perseverança inabalável do nosso primeiro bispo foi o farol que trouxe os Salesianos para erguer o colégio diocesano. Ele não vislumbrou apenas uma edificação de alvenaria; anteviu um santuário do saber, acreditando que a educação seria a força definitiva para transformar o destino do nosso povo.
Essa mesma chama de esperança atravessou as décadas, mantida acesa por corações dedicados que doaram suas vidas para que o sonho de Dom Malan jamais perecesse. Foi honrando esse passado que tive a graça de trilhar minha própria jornada nessa casa, de 1976 a 2015. Ao longo de tal caminhada, contei com o apoio incansável da minha irmã, a professora Raimunda Teixeira Coelho – Mundica (in memoriam), cuja presença constante e zelo compartilhado na gestão foram fundamentais para o fortalecimento do projeto educativo ali desenvolvido. Juntas, fomos amparadas pelo pastoreio e pela confiança dos nossos bispos — desde o acolhimento de Dom Gerardo de Andrade Ponte, passando pelas décadas de incentivo de Dom Frei Paulo Cardoso da Silva, até o apoio final de Dom Manoel dos Reis de Farias.
Foi precisamente esse suporte institucional e familiar que nos deu o alicerce necessário para transformar o sonho em realidade visível. Sob essa proteção, vimos cada espaço dessa casa se renovar para acolher melhor nossos alunos: desde o silêncio fértil das bibliotecas até a energia das descobertas em nossos laboratórios. Essa formação ganhava voz e corpo em nossos festivais de literatura, poesia e música, que encontravam no Centro Cultural e no Auditório do Extensão o palco ideal para a cultura petrolinense florescer, unindo desde os pequenos da Educação Infantil até os jovens que se despediam para novos horizontes.
Esse espírito de renovação também abraçou o esporte, pilar fundamental da cidadania. Por intermédio da dedicação de mestres qualificados, a prática esportiva ganhou uma nova estrutura: o Ginásio Poliesportivo, a piscina semiolímpica e as salas de judô e xadrez tornaram-se extensões da sala de aula, onde se aprendiam saúde, disciplina e respeito. Era nessa arena de superação que vibrávamos com as vitórias nos Jogos Escolares e Interdiocesanos, celebrando, acima de tudo, o desenvolvimento integral dos nossos alunos.
Hoje, ao celebrar este centenário, encontro, em cada sorriso, a razão de toda uma vida dedicada a esta casa: o Colégio Dom Bosco permanece vivo na trajetória de tantos ex-alunos que hoje, como cidadãos éticos, espalham nossos valores por onde passam. E permanece vivo na vocação de cada educador que renova diariamente sua fé no potencial humano, sabendo que educar é, acima de tudo, um ato de esperança.
É contemplando esses frutos que olho para trás com a alma em paz. Tive a honra de dedicar décadas da minha vida à administração dessa instituição de ensino, servindo a tal missão com todo o meu coração. Hoje, embora não esteja mais no dia a dia da gestão, sinto que uma parte de mim permanece guardada em suas paredes, e o Dom Bosco permanece, para sempre, em mim.
Que este centenário não seja apenas um marco de tempo, mas o fôlego renovado para que essa casa continue, por muitos outros séculos, a ser luz e esperança no coração do sertão.
Com amor e eterna gratidão,
Terezinha Teixeira Coelho (Diretora de 1976 a 2015)


