Avanço no tratamento da obesidade tem combinação que pode ampliar perda de peso

por Antonio Carlos Miranda // 09 de outubro de 2026 às 09:10

Foto: reprodução

Uma nova combinação de medicamentos alcançou uma perda média de até 23,3% do peso corporal em um estudo com pessoas com obesidade ou sobrepeso e diabetes tipo 2. A combinação reúne a tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, e a eloralintida, uma molécula ainda experimental que atua sobre a via da amilina. O resultado, apresentado no congresso da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes, chama atenção por apontar para uma estratégia que combina diferentes mecanismos envolvidos no controle da fome, da saciedade e do metabolismo.

Para a médica do Núcleo GA, Dra. Karina Rodrigues, os resultados representam um avanço expressivo no tratamento da obesidade. “Embora ainda esteja em estudo, esses resultados representam um avanço muito importante, porque mostram o quanto a ciência tem evoluído na compreensão da obesidade e no desenvolvimento de tratamentos cada vez mais eficazes. Estamos alcançando resultados que, até pouco tempo, pareciam distantes, além de abrir novas possibilidades para pacientes que enfrentam dificuldades, como o famoso platô“, destaca.

A explicação para o interesse na combinação está nos diferentes mecanismos de ação. A tirzepatida atua sobre os receptores de GIP e GLP-1, enquanto a eloralintida atua na via da amilina, hormônio produzido pelo pâncreas que participa da regulação da saciedade. A proposta é atuar de maneira complementar sobre mecanismos que influenciam o apetite e o metabolismo energético. “Hoje sabemos que a obesidade não depende exclusivamente da quantidade de calorias ingeridas e gastas. Existe uma interação complexa entre cérebro, intestino, pâncreas, tecido adiposo e diversos sinais hormonais que regulam a fome, saciedade e o metabolismo energético. Quando conseguimos atuar em mecanismos complementares, ampliamos a possibilidade de obter respostas terapêuticas mais expressivas“, explica a médica.

A possibilidade de combinar diferentes mecanismos, no entanto, não significa que todos os pacientes precisarão de múltiplos medicamentos. Para a Dra. Karina, a tendência é de uma medicina cada vez mais personalizada. “A obesidade é uma doença heterogênea. Duas pessoas com o mesmo índice de massa corporal podem apresentar mecanismos metabólicos, condições clínicas e respostas ao tratamento completamente diferentes. Por isso, o grande avanço não será simplesmente desenvolver medicamentos cada vez mais potentes, mas conseguir identificar qual estratégia oferece o melhor equilíbrio entre eficácia, segurança e tolerabilidade para cada paciente“, frisa.

Experimental

A combinação de tirzepatida e eloralintida ainda é experimental e não está aprovada para uso clínico. Novas fases de pesquisa serão necessárias para avaliar sua eficácia, segurança e tolerabilidade em um número maior de pacientes e por períodos mais longos.

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