Raquel Lyra e o segundo turno presidencial

por Antonio Carlos Miranda // 06 de outubro de 2026 às 10:00

Foto: Miva Filho/Secom-PE arquivo

O empreendedor social e consultor empresarial Daniel Torres faz, neste artigo, sua leitura sobre o apoio da governadora reeleita de Pernambuco, Raquel Lyra, a Lula ou Flávio Bolsonaro no segundo turno.

Confiram:

Raquel Lyra acerta muito ao não declarar apoio agora no segundo turno. E o motivo não é neutralidade. É tamanho político.

Ela acaba de ser reeleita no primeiro turno com 53,27% dos votos sem precisar se pendurar em Lula, em Flávio Bolsonaro ou em qualquer padrinho local e nacional. Nenhum outro governante teve isso no Brasil até agora. Raquel tem hoje aquilo que muita liderança passa uma vida inteira tentando construir: voto próprio, brilho próprio e autonomia própria.

E não venceu qualquer adversário. Derrotou João Campos, presidente nacional do PSB, aliado direto de Lula e um dos nomes que vinham sendo projetados como renovação da esquerda no país. Lula foi ao Recife, subiu no palanque e pediu voto para João. Não bastou. Raquel venceu no primeiro turno.

É isso que muda o tamanho dela para 2030. Se Flávio Bolsonaro vencer agora e buscar a reeleição, vai precisar romper a barreira que o bolsonarismo encontra no Nordeste. No primeiro turno, Lula dominou amplamente a região. Uma governadora nordestina reeleita, independente e capaz de conversar com eleitorado fora da bolha da direita vai valer ouro.

Do outro lado, a conta também fecha. Se Lula vencer, não poderá disputar novamente em 2030. A esquerda terá de construir um sucessor e preservar sua força no Nordeste. Se esse candidato vier do Sul ou do Sudeste, uma liderança nordestina com voto próprio e trânsito fora da bolha petista será igualmente muito estratégica.

É aí que Raquel vira a joia da coroa. Declarar apoio agora seria escolher um lado justamente quando os dois lados têm razão para disputar a presença dela nas próximas eleições. Raquel é hoje o principal vetor do Nordeste e uma das mulheres mais poderosas do país.

Daniel Torres/ empreendedor social e consultor empresarial

Raquel Lyra e o segundo turno presidencial

  1. Sempre Atento disse:

    Ela pode até não ter se pendurado em Flávio , agora as pessoas da direita votaram nela por porque não tinha opção e não iria votar em petista declarado e envolvidos em desvios de dinheiro público, igual a uma família que administra Petrolina a quase 40 anos, e todas as eleições prometeram as mesmas coisas e a única coisa que melhorou foi o patrimônio deles e a sociedade continuam vivendo na merda ,só jumentos e retardados não pensam isto e acham que eles são a salvação deles.

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