Dados parciais da Comissão Pastoral da Terra (CPT) apontam que Pernambuco é o décimo Estado do Brasil com maior número de conflitos agrários e o terceiro da região Nordeste. Ao todo, segundo o levantamento, divulgado em setembro, foram contabilizadas 27 ocorrências desse tipo no primeiro semestre de 2026.
O líder em conflitos agrários no país é o Estado do Maranhão, com 156 ocorrências, tendência de liderança que vem sendo observada nos últimos anos pelo CTP. Na sequência estão Pará (90), Bahia (85), Rondônia e Amazonas (com 63 cada).
Vale ressaltar que o conceito de conflito para a CPT não significa necessariamente atos de violência. Apesar disso, a reportagem do Diario procurou o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a Secretaria de Desenvolvimento Agrário de Pernambuco para saber como está acontecendo o acompanhamento desses conflitos, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.
Número total de conflitos
Segundo o CPT, foram registrados 841 conflitos no campo, distribuídos entre os eixos de luta pela terra (711 registros), luta por água (100) e trabalho análogo à escravidão (30 ocorrências). Esse quantitativo representa a retomada de um crescimento de conflitos, já que no primeiro semestre de 2025 foram contabilizadas 798 ocorrências.
Com relação aos conflitos por terra, que envolvem as violências pela ocupação e a posse da terra, houve um aumento em relação ao ano passado, passando de 584 para 663, em 2026.
Já o número de ocupações e acampamentos diminuiu em todo o Brasil, passando de 66 para 48. Ainda de acordo com a CPT, a contaminação por agrotóxicos foi a forma de violência que mais registrou aumento, seguida de invasão aos territórios, desmatamento ilegal e ameaça de despejo, violências ligadas à expansão do agronegócio.
Estados como Maranhão (153), Bahia (76), Pará (68) e Rondônia (54) seguem liderando os registros de ocorrências de violência dentro dos conflitos por terra.
Trabalho análogo à escravidão
Os dados de ocorrências de trabalho análogo à escravidão no campo tiveram diminuição neste primeiro semestre de 2026 em relação ao ano passado, tanto no número de ocorrências (30) quanto no de trabalhadores resgatados (355).
De acordo com a Comissão, essa diminuição pode estar relacionada ao atraso no fornecimento de dados da Secretaria de Inspeção do Trabalho, que é a principal fonte utilizada pela Campanha Nacional de Combate ao Trabalho Escravo da CPT. Entre todos os Estados, São Paulo registrou o maior número de trabalhadores resgatados (148) e de casos registrados (5). Em três destes cinco casos, os trabalhadores foram resgatados durante atividades de plantio e corte de cana-de-açúcar.
Violências no campo
Em relação à violência contra a pessoa, o levantamento registrou seis assassinatos em conflitos, sendo três mortes de posseiros em Lábrea (AM), dois indígenas em Roraima e no Mato Grosso do Sul e um trabalhador rural sem-terra. As vítimas tinham entre 14 e 45 anos.
Apesar da diminuição de mortes em relação ao ano passado (27), o número de casos (588) e vítimas da violência (497) aumentou em comparação ao último ano, tendo como principais motivos a contaminação por minérios, com 195 casos, seguida pela contaminação por agrotóxicos (132), criminalização (51) e ferimentos (42). As principais vítimas foram os povos indígenas, seguidos dos trabalhadores e trabalhadoras sem-terra, posseiros, seringueiros e quilombolas.


