Troca de acusações e “herança maldita” marcam debate entre candidatos ao Governo de PE

por Antonio Carlos Miranda // 18 de setembro de 2026 às 09:00

Foto: Sandy James/DP Foto

O segundo debate entre os candidatos ao governo de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), João Campos (PSB) e Ivan Moraes (PSOL), nesta quinta-feira (17), em Caruaru, no Agreste pernambucano, foi palco de mais um confronto político. O evento, promovido pela Rádio Cultura do Nordeste, em parceria com o Diario de Pernambuco e a TV Nova Nordeste, elevou o tom da disputa eleitoral com embates diretos centrados em acusações, gestões anteriores e citações a um suposto “gabinete do ódio”.

A governadora e candidata à reeleição aproveitou parte dos blocos de confronto direto para trazer à tona o debate sobre a segurança no exercício da cidadania e a lisura do processo eleitoral. Na ocasião, ela citou episódios de violência política e reafirmou acusações contra o PSB apontando práticas que, segundo ela, buscam desestabilizar o pleito. “Estão incitando violência na rua, que se pratique violência contra nós e contra a minha campanha. O que é que a gente tem feito? Trabalhado. Trabalhado propostas e entregue a Pernambuco o maior investimento da sua história”, disse a governadora.

Por outro lado, o candidato João Campos (PSB) rebateu as declarações cobrando explicações sobre a condução administrativa do governo e trazendo novamente à tona a questão do chamado “gabinete do ódio”, apontando que a adversária se utiliza de estruturas de disseminação de ataques virtuais. “Desde o início de 2025 eu tenho sido vítima de ataques recorrentes na rede social. Denunciamos o ‘gabinete do ódio’, supostamente constituído no entorno do Palácio do Campo das Princesas, e a Polícia Federal está investigando esses ataques que afrontam a democracia”, falou.

As bets também foram tema de embate entre os dois adversários. Ao questionar João Campos sobre a redução da tributação para empresas do setor nos anos em que esteve à frente da prefeitura do Recife, Raquel reiterou seu posicionamento contrário às casas de aposta associando-as à atuação do crime organizado e problemas sociais. “Eu sempre fui contra as bets. Fui delegada da Polícia Federal e sei que esse tema é tratado diretamente pelo crime organizado no Brasil. Bets e crime organizado. Não é que seja unanimidade para todas as empresas de apostas, mas cristalizar o crime organizado do Brasil não é um bom caminho. E as bets são um caminho para isso”, declarou a candidata à reeleição.

Paulo Câmara

Tentando se distanciar da polarização protagonizada por Raquel e João, Ivan buscou ocupar um espaço crítico no debate. Em suas intervenções, Ivan apontou semelhanças nas práticas políticas dos dois principais concorrentes. Em determinado momento da dinâmica, Ivan direcionou provocações a João ao relembrar e associar o oposicionista às heranças da gestão do ex-governador Paulo Câmara, que comandou o Estado por dois mandatos.

Vejam como meus adversários são semelhantes. Que carreira, João. A pergunta foi sobre o governo do qual você foi chefe de gabinete. Foi teu primeiro emprego, recém-saído da faculdade. Você fez parte do governo anterior. Se há problema de gestões passadas, você é parte desse problema, assim como a candidata Raquel Lyra, que fez campanha para Paulo Câmara. O modelo de desenvolvimento de Pernambuco tem que mudar”, apontou o pessolista.

Disputa presidencial

Ao ser questionado pelo Diario de Pernambuco sobre governabilidade, em uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL), João destacou não ter dúvidas sobre a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Eu tenho uma alegria muito grande de poder ser candidato ao governo do Estado de Pernambuco, contando com o apoio do presidente Lula. Eu tenho certeza de que juntos nós vamos fazer muito por Pernambuco”. João também ressaltou que pretende buscar a parceria com o governo federal para obras no estado citando mais uma vez a Transnordestina. “Tive a oportunidade, como prefeito, de governar com presidentes diferentes e posso testemunhar que é muito melhor ter Lula presidente“, afirmou.

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