COP17: Soluções do semiárido para restaurar áreas degradadas são apresentadas

por Antonio Carlos Miranda // 24 de agosto de 2026 às 20:40

Pesquisadora Bárbara França na COP17/foto: Ascom Embrapa Semiárido/divulgação

Soluções desenvolvidas no semiárido brasileiro para restaurar áreas degradadas e ampliar a resiliência às mudanças climáticas são apresentadas na 17ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), que começou no último dia 17 e ocorre até sexta-feira (28) na Mongólia. As experiências integram o Projeto ‘EtnoCaatinga’ e envolvem práticas de manejo e conservação de solo e água, conservação de sementes nativas, sistemas agroflorestais e tecnologias sociais voltadas à recuperação de terras secas e a adaptação das comunidades aos efeitos do clima.

A participação brasileira ocorre no contexto das discussões sobre desertificação e restauração de áreas degradadas, com foco em soluções adaptadas às realidades regionais. A pesquisadora da Embrapa Semiárido Bárbara Dantas (foto), coordenadora técnica do EtnoCaatinga, integra a delegação brasileira e participa da programação do evento.

O projeto é executado em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e o Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA).

Tecnologias sociais em prol da caatinga

Desenvolvido nos estados da Bahia, Pernambuco e Piauí, o EtnoCaatinga atua em 15 comunidades tradicionais, incluindo territórios indígenas, quilombolas e de fundo de pasto. A abordagem combina conhecimento científico e saberes locais em ações de diagnóstico socioambiental, planejamento da restauração, implantação de tecnologias e acompanhamento dos resultados.

Entre as soluções utilizadas estão barragens subterrâneas, barreiros-trincheira, sistemas de reuso de água, fogões ecoeficientes, sistemas agroflorestais, viveiros de mudas, casas de sementes e sistemas de energia solar, além de tecnologias como o ‘Sisteminha’ Embrapa/UFU/Fapemig e iniciativas relacionadas à apicultura. As ações buscam melhorar o manejo de solo e água, diversificar os sistemas produtivos e ampliar a capacidade de adaptação das comunidades às condições do Semiárido.

O projeto também contempla práticas de recaatingamento, com recuperação do solo, produção e manejo de mudas e sementes de espécies nativas e implantação de sistemas agroflorestais. Outra frente é a conservação e o beneficiamento de sementes, que contribuem para ampliar a disponibilidade de material vegetal adaptado às condições locais.

Experiências brasileiras

Na COP17, as experiências do EtnoCaatinga integram diversos debates. Na sexta-feira (21), Bárbara Dantas participou de mesa-redonda no Pavilhão do Brasil dedicada ao recaatingamento, às tecnologias sociais e à cooperação entre países do Sul Global para a restauração de terras secas na África e na América Latina.

A programação segue nesta terça (25), com a participação da pesquisadora em três painéis que discutirão produção sustentável e resiliência dos territórios; restauração de terras, protagonismo feminino e resiliência climática em regiões secas; e a contribuição das florestas brasileiras para a agenda climática global.

Na quinta (27), Bárbara participará de outros três painéis, com discussões sobre soluções desenvolvidas no Sul Global para enfrentar as mudanças climáticas e a desertificação; o potencial do Nordeste brasileiro como referência para outras regiões semiáridas; e estratégias integradas de uso da água e da terra para fortalecer a segurança hídrica e alimentar.

Para a pesquisadora, a participação no evento amplia as possibilidades de intercâmbio técnico e compartilhamento de experiências. “A COP17 possibilita apresentar experiências desenvolvidas no nosso semiárido e, ao mesmo tempo, conhecer estratégias adotadas em outras regiões. Esse intercâmbio é muito importante para aprimorar metodologias de restauração e identificar soluções que possam ser adaptadas às diferentes realidades sociais e ambientais“, ressalta.

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