A Infra S.A. colocou em licitação os estudos para um novo corredor ferroviário que poderá ligar Juazeiro do Norte, no Ceará, a Juazeiro, na Bahia, com conexão ao Porto de Suape, em Pernambuco, formando um traçado de 947 km. Trata-se de um novo capítulo na longa e conturbada tentativa de se concluir o ramal da ferrovia Trasnordestina em solo pernambucano.
O Edital RLE nº 002/2026 prevê a contratação de estudos de viabilidade técnica, econômico-financeira, ambiental e jurídica, além do apoio às fases de audiência pública, controle externo e futura licitação da concessão. O valor estimado é de R$ 10.992.853,58. O aviso foi publicado no Diário Oficial da União em 29 de maio último. As propostas foram abertas em 23 de junho.
O destaque está na análise do ramal ligando Petrolina a Salgueiro, com destino final em Suape. Até agora, o debate público sobre a Transnordestina em Pernambuco vinha concentrado principalmente no trecho entre Salgueiro e o porto pernambucano. A nova licitação amplia esse horizonte ao incluir o corredor entre Juazeiro do Norte, Salgueiro, Petrolina e Juazeiro (BA). Isso é importante porque o estudo de viabilidade passa a considerar a conexão direta com um polo produtor extremamente forte, que é o da fruticultura às margens do Rio São Francisco.
O estudo deverá identificar as cargas com potencial para utilização da ferrovia. Além das frutas produzidas no Vale do São Francisco, estão os insumos utilizados pelas empresas da região, além de outras mercadorias que hoje dependem predominantemente do transporte rodoviário. Sem falar nos negócios de diversos setores que a região detém, como produção de várias vinícolas e a de cana de açúcar, da Agrovale.
A empresa se apresenta como a única usina produtora de açúcar e etanol no semiárido brasileiro, operando com 100% da área plantada sob irrigação. Ela tem potencial relevante para gerar cargas ferroviárias em dois fluxos. O de saída envolve especialmente o açúcar, que é uma carga de grande volume e mais compatível com transporte ferroviário de longa distância. O etanol também pode ter potencial, mas exigiria vagões-tanque, terminais apropriados e estrutura específica de armazenagem e transferência. Já o de entrada, envolveria fertilizantes, defensivos, combustíveis, peças, materiais industriais e outros insumos usados no cultivo irrigado da cana e na operação da usina. Todos esses produtos e fluxos podem ajudar a equilibrar a ferrovia nos dois sentidos.
Viabilidade econômica
Mas é preciso mensurar se o volume é suficiente para sustentar a operação, os custos de implantação, a conexão com as malhas existentes e a capacidade de atrair operadores e investidores. Por isso, as diretrizes da Infra S.A. determinam a análise de pelo menos três alternativas de traçado, considerando custos, restrições ambientais, desapropriações, condições geológicas, demanda de cargas e viabilidade econômico-financeira. Também estão previstos levantamentos aerofotogramétricos, sondagens, ensaios geotécnicos e estudos geofísicos.
A contratação da Infra S.A. corre em paralelo a outro estudo relacionado à ligação entre Petrolina e Salgueiro, que foi contratado pela Sudene junto à Universidade Federal de Pernambuco, no ano passado. As duas iniciativas possuem escopos distintos, mas tratam de uma mesma questão estratégica: a criação de uma saída ferroviária para a produção do Vale do São Francisco.
O contrato prevê 25 meses de execução, dentro de uma vigência de 27 meses. A empresa contratada deverá entregar os estudos em etapas, incluindo versões anteriores e posteriores às audiências públicas. Agora, o que a Infra S.A. pretende é um planejamento ferroviário que deixa de olhar apenas para o eixo Salgueiro–Suape e passa a considerar uma conexão mais ampla, capaz de integrar o Vale do São Francisco, o Cariri e o Interior nordestino ao sistema ferroviário e ao porto pernambucano. (Fonte: ME)


