A aproximação do deputado estadual João Paulo (PT) com a governadora Raquel Lyra (PSD) tem sido alvo de críticas internas e externas. Em entrevista exclusiva ao Diario de Pernambuco, o parlamentar defendeu o que ele chama de “postura republicana e democrática”, justificando a presença em algumas agendas e entregas da gestora estadual não como alinhamento político-partidário, mas como compromisso com o desenvolvimento de Pernambuco.
“A crítica é importante, é um instrumento científico de trabalho. Mas, eu não vou deixar de cumprir o meu papel que o povo de Pernambuco me delegou”, ressaltou. Segundo João Paulo, a sua atuação como parlamentar não pode negligenciar a colaboração institucional quando o foco é o benefício da população. Ao Diario, o deputado citou o investimento em obras de contenção de encostas e infraestrutura em Jardim Monte Verde, no município de Jaboatão dos Guararapes, cuja prioridade no território ultrapassa a disputa eleitoral.
“Ela é governadora. Isso não é apoio a Raquel, é apoio àquele projeto. Ali morreram 43 pessoas e foi dedicada uma obra de R$ 43 milhões, que salvou vidas. Eu não teria como não participar de uma iniciativa dessa e participarei de outras que tenham, essencialmente, recursos federais ou que sejam de interesse público”, frisou.
Ainda sobre a governadora, João Paulo observa um discurso de neutralidade quando o assunto é apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Contudo, ele não descarta uma aproximação com o governo federal. Para ele, os avanços no estado, mediante incentivos federais, são dados concretos e que não devem ser ignorados. “Há sinalizações. Ela [Raquel Lyra] não tem como negar esse apoio”, disse, referindo-se aos feitos do presidente no Estado.
Disputa em Pernambuco
O deputado minimiza as divergências e garante que o PT está coeso. “Nesse momento de polarização, o partido está 100% unido”, assegurou. Ao ser questionado sobre a aliança PT e PSB, João Paulo salienta que a formalização do apoio do presidente Lula à pré-candidatura de João Campos (PSB) faz parte de uma estratégia. “A declaração de Lula está em função da decisão nacional do partido, que é garantir o PSB na vice-presidência e outros acordos nacionais em função da reeleição do presidente”. No pleito estadual, ele aponta um cenário acirrado. O parlamentar relembrou as pesquisas, mas pondera que elas são um recorte do momento e não definidoras.
“João vinha liderando com uma folga muito grande. Com a saída dele da prefeitura e o crescimento de uma oposição da direita, além da governadora com grandes entregas, trouxe um resultado um pouco mais favorável pró-Raquel. O cenário de hoje é apertado, mesmo com essa pouca vantagem da governadora segundo as pesquisas mais confiáveis. No entanto, as pesquisas são uma foto de determinado momento”, avaliou.


