O excesso de artistas de música sertaneja na programação festiva do São João de Pernambuco foi tema de debate na reunião plenária dessa terça (16) na Assembleia Legislativa (Alepe). O deputado João Paulo do PT (PT) defendeu a soberania cultural nordestina e criticou a descaracterização das festas juninas, alertando para a presença desproporcional do sertanejo e do pop em detrimento das expressões tradicionais, como o forró e o baião.
O parlamentar denunciou ainda a disparidade nos cachês custeados pelo poder público. Enquanto astros de outros gêneros embolsam mais de R$ 1 milhão, lendas do forró recebem até quatro vezes menos. Para ele, a situação configura um perigoso apagamento cultural impulsionado pelo mercado.
“Não se trata de um bairrismo. Trata-se, antes de tudo, de uma questão de soberania cultural, de qualidade econômica e de responsabilidade com o dinheiro público”, declarou. Ele alertou também que contratos milionários com artistas de expressão nacional sacrificam cidades que ainda carecem de saneamento e infraestrutura.
Como solução, João Paulo propôs que legislações sejam feitas no sentido de reservar cotas de 60% a 70% para artistas regionais nos eventos financiados pelo poder público. Ele também exigiu cachês justos para os músicos locais e cobrou dos governos a obrigação de proteger o patrimônio cultural contra a hegemonia da indústria do entretenimento.


