Auxiliares de AEE denunciam sobrecarga e desvio de função em escolas de Juazeiro

por Carlos Britto // 08 de maio de 2026 às 17:33

Foto: TCE-PE/reprodução – Ilustrativa – Arquivo Blog

Profissionais que atuam como auxiliares de Atendimento Educacional Especializado (AEE) em uma escola de tempo integral em Juazeiro (BA) denunciaram situações de sobrecarga, desvio de função e desgaste emocional enfrentadas dentro da unidade escolar após a adesão aos programas “Escola da Escolha” e “Juá Integral”. Segundo a servidora, as profissionais foram contratadas para acompanhar estudantes com TEA e outras necessidades específicas, mas que, na prática, estão sendo responsáveis por toda a turma e acumulando funções que seriam do professor regente. “Passamos mais tempo com todos os alunos da sala do que o próprio professor de referência, inclusive nos intervalos”, relatou.

De acordo com a denúncia, enquanto os professores têm direito a pausas durante os turnos, as auxiliares permanecem acompanhando os estudantes em todas as atividades, sem qualquer descanso. “As auxiliares conduzem os alunos ao refeitório, acompanham toda a alimentação e seguem trabalhando no chamado recreio de possibilidades, auxiliando vários estudantes ao mesmo tempo”, afirmou.

Outro ponto destacado é a exigência para que uma única profissional acompanhe vários alunos simultaneamente, chegando a atender até cinco estudantes ao mesmo tempo – o que, segundo a servidora, compromete a qualidade do atendimento e aumenta o desgaste físico e emocional. As trabalhadoras também relatam que frequentemente precisam ultrapassar o horário de saída para liberar os alunos da turma, sem receber qualquer remuneração extra.

Além da sobrecarga, as profissionais denunciam episódios de tratamento desrespeitoso por parte da gestão escolar. Segundo o relato, frases como “se achar ruim, peça demissão” teriam sido direcionadas às auxiliares. “A situação é desumana. Estamos adoecendo física e emocionalmente, realizando muito além do que nos compete e sem valorização profissional”, desabafou. As servidoras defendem que, diante do aumento da demanda de estudantes que necessitam de acompanhamento especializado, a solução seria a contratação de novos profissionais por meio de processo seletivo, garantindo melhores condições de trabalho e atendimento adequado aos alunos. A Redação encaminhou a denúncia para a Secretaria de Educação (Seduc) e aguarda um posicionamento sobre a situação.

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