Entre a obra e a transparência: A hora da verdade para os vereadores de Petrolina

por Carlos Britto // 04 de março de 2026 às 22:00

Foto: Nilzete Briito/Ascom CMP

A política de Petrolina vive dias de expectativa e cobrança. O vereador Ronaldo Silva subiu à tribuna para oficializar o pedido de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). O objetivo é claro: investigar os contratos entre a prefeitura e a empresa Liga Engenharia Ltda, apontada como pivô de um suposto esquema de irregularidades.

O argumento de Ronaldo é contundente. Embora reconheça o volume de obras na cidade, o parlamentar questiona a qualidade e a lisura dos processos. “Foi muito dinheiro que entrou nessa cidade. Mas muita pavimentação, muito serviço seboso”, disparou o vereador, convocando seus pares a assinarem o requerimento.

Trabalho não é Salvo-Conduto

É preciso ser justo: a população de Petrolina reconhece o trabalho e as entregas feitas pela gestão. No entanto, o progresso não pode servir de blindagem. Trabalho prestado não é salvo-conduto para o erro. Em uma democracia saudável, quanto maior a obra, maior deve ser a transparência sobre cada centavo investido.

A investigação, inclusive, é o melhor caminho para os próprios investigados. Se não há o que temer, a CPI torna-se o palco ideal para que provem suas idoneidades e esclareçam os fatos de uma vez por todas. Afinal, quem anda com a verdade não precisa de esconderijos.

A Responsabilidade do Legislativo

Até o momento, o documento conta com apenas três assinaturas. Para que a CPI ganhe vida, são necessários pelo menos mais cinco nomes. É aqui que entra a prova de fogo para a Casa Plínio Amorim.

Os vereadores precisam ter a exata noção de suas responsabilidades. Eles foram eleitos para representar o povo e exercer a sua função primordial: fiscalizar. O compromisso do parlamentar deve ser com o eleitor, e não com conveniências de grupos políticos.

O recado das ruas é silencioso, mas atento. Aqueles que se negarem a assinar o requerimento deixam uma mensagem implícita de medo da verdade. Petrolina quer respostas, e o Poder Legislativo não pode se furtar de buscá-las. Caso a Câmara se omita, o caminho será o Ministério Público, mas a mancha da omissão dificilmente será apagada da biografia de quem preferiu o silêncio ao esclarecimento.

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