Alunos de escola pública de Santa Maria da Boa Vista integram estudo sobre Bioma Caatinga

Os alunos do Erempem – Escola de Referência do Ensino Médio Professora Edite Matos em Santa Maria da Boa Vista, no sertão do São Francisco, puderam conhecer os resultados de uma pesquisa que está sendo desenvolvida na Univasf (Universidade Federal do Vale do São Francisco) com apoio da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Sudene – Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste. Trata-se de um estudo profundo sobre o potencial das plantas encontradas no Bioma Caatinga.

“Inicialmente visitamos as comunidades tradicionais das cidades de Lagoa Grande e Santa Maria e Buíque e conhecemos as plantas para a partir daí elaborar uma lista das que tem maior potencial medicinal. Levamos para a Universidade e estudamos. Agora estamos trazendo os resultados para a população do que encontramos”, disse a professora Márcia Vanusa, do Departamento de Bioquímica da UFPE, que encabeça a pesquisa.

“Além do potencial medicinal, as plantas encontradas na caatinga em nosso município foram analisados também os potenciais cosméticos e alimentares dessas ervas. O objetivo é que futuramente isso possa mobilizar e impulsionar o desenvolvimento dessa região, quem sabe com a produção de um repelente natural”, afirmou Vanusa.

A pesquisadora afirma que Bioma Caatinga é o único desse tipo no mundo e por isso guarda muitas riquezas ainda desconhecidas, em meio aos galhos secos e pequenos arbustos. “Embora muita gente não perceba que a caatinga conserva em seu solo seco e árido vidas diferentes – fauna e flora diversificadas e exclusivas mundialmente. Por isso, a Univasf, também com o apoio da Prefeitura Municipal, vem se debruçando nos estudos detalhados desse Bioma”, finalizou a professora.

Cenário de degradação do bioma caatinga é debatido em audiência pública em Petrolina

audiência caatinga2Representantes do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), da Câmara de Vereadores, pesquisadores e professores – entre outros convidados – marcaram presença na manhã de hoje (22) para uma audiência pública, realizada no auditório da Universidade do Vale do São Francisco (Univasf) em Petrolina, que abordou o atual cenário do bioma caatinga.

Um dos pontos em debate foi o desmatamento da caatinga, que preocupa os ambientalistas da região. A proteção da biodiversidade e das comunidades tradicionais também foram explanadas durante o encontro. Os temas foram definidos pelo Grupo de Trabalho de Proteção ao Meio Ambiente da Comissão de Defesa dos Direitos Fundamentais. (foto: Facebook/vereadora Maria Elena)

Encontro vai debater reconstrução da Caatinga e soluções contra degradação ambiental

Caatinga_Foto_Bárbara_França_DantasDe 14 a 17 de outubro, no auditório da Univasf, pesquisadores de diversas instituições vão se reunir para debater estudos sobre a vegetação Caatinga, um bioma exclusivamente nacional e que ocupa grande parte da região Nordeste. A Caatinga está sendo degradada ao longo do tempo e a busca pela preservação e pelo reflorestamento destas áreas, a produção de sementes e mudas tem um papel fundamental.

O encontro vai acontecer durante o 5º Workshop de Sementes e Mudas da Caatinga, realizado pela Embrapa Semiárido. Durante o Workshop, também será realizado o 2º Encontro da Rede de Sementes Florestais da Caatinga, que fará um balanço das atividades com discussões sobre os novos rumos da mesma.

Na programação estão previstas as participações de representantes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), da Fundação José Silveira (Programa Arboretum), pesquisadores da Embrapa e professores de instituições de ensino do Nordeste, a exemplo das Universidades Federal da Paraíba (UFPB), Federal do Vale do São Francisco (Univasf), Federal de Sergipe (UFS), Estadual de Feira de Santana (UEFS) e Universidade do Estado da Bahia (Uneb), além da Federal de Santa Catarina (UFSC), representando a Rede Brasileira de Sementes Florestais.

As inscrições para o evento podem ser feitas por meio do site www.redesementescaatinga.com ou presencialmente no local do evento, com participação limitada a 150 pessoas. (Foto/divulgação)

Caatinga tem menos de 7,5% do seu território protegidos

CaatingaA Caatinga é considerada por especialistas o bioma brasileiro mais sensível à interferência humana e às mudanças climáticas globais. Apesar disso, apenas 7,5% de seu território está protegido em Unidades de Conservação (UCs) e apenas 1,4% dessas reservas são áreas de proteção integral.

O alerta foi feito pelo biólogo Bráulio Almeida Santos, do Centro de Ciências Exatas e da Natureza da Universidade Federal da Paraíba (CCEN/UFPB), durante o 5º encontro do Ciclo de Conferências 2013 do Biota Educação, organizado pelo Programa Biota-Fapesp.

“A região Nordeste tem 364 reservas registradas no Cadastro Nacional de Unidades de Conservação (CNUC). Apenas 113 (ou 31%) têm como objetivo proteger a caatinga, embora esse bioma seja predominante em todo o semiárido brasileiro. É uma contradição que precisa ser revertida”, afirmou Santos.

Ainda segundo o levantamento feito pelo biólogo, quase metade das 113 UCs são particulares e apenas 9% têm plano de manejo. Na avaliação dele, a situação reflete a ideia errônea, porém disseminada durante muito tempo, de que a caatinga seja um bioma pobre, homogêneo e no qual não há “quase nada a ser preservado”.

“A caatinga sempre foi o patinho feio dos biomas brasileiros. Em primeiro lugar, vem a preocupação com a Amazônia, a Mata Atlântica e o Cerrado. A imagem da Caatinga é a do solo rachado e a do gado morrendo de sede, mas é a região semiárida com a maior biodiversidade do mundo”, afirmou Santos.

As espécies da caatinga, no entanto, ainda são pouco conhecidas. Cerca de 41% do bioma nunca foi amostrado. Até o momento, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente, foram descritas na região 932 espécies de plantas, 241 de peixes, 79 de anfíbios, 177 de répteis, 591 de aves, 178 de mamíferos e 221 de abelhas. No caso da flora, mais de 30% das espécies descritas são endêmicas, ou seja, não ocorrem em nenhuma outra região do mundo. As informações são da Agência Fapesp.

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