Sobre resultado de eleições, Cristina Costa diz ter feito “campanha limpa” e revela que “máscara do PSB caiu”

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Foto: Blog do Carlos Britto

Os 1.478 votos obtidos nas eleições municipais deste ano não foram suficientes para garantir o terceiro mandato da vereadora Cristina Costa (PT) na Câmara Municipal de Petrolina. Sem personificar culpados pela sua derrota, a petista atribuiu como fator crucial a questão da pandemia de Covid-19, somada ao jogo de interesses – cenário que ela não viu somente na cidade.

Em entrevista ao Programa Carlos Britto nesta quarta-feira (2), na Rural FM, a vereadora destacou ter feito uma “campanha limpa” e com um discurso “sempre condizente com a prática”. Mas disse que precisou abrir mão de muitas lideranças comunitárias na campanha para que formasse uma chapa proporcional, o que também acabou atrapalhando-a, apesar de muito correligionários afirmarem que ela se reelegeria mesmo assim.

Cristina não estava pensando no mandato, mas na cadeira da representatividade do Partido dos Trabalhadores na Câmara de Vereadores, e eu sabia que corria esse risco de ser bem votada e não entrar, porque o processo na majoritária não trouxe muitos candidatos, pelo contrário, levou muito candidato do PT pra outro partido. Mas isso faz parte da política, do processo democrático, e com isso a gente teve que formar uma chapa”, ressaltou.

A petista citou também a pandemia pelo fato de muitos eleitores que votariam nela terem optado por não irem às urnas neste ano, e todos são formadores de opinião. “Como não teve coligação este ano, recebi muita mensagem de gente pedindo desculpa porque achava que eu estaria eleita. Fora que alguma candidatura que veio para dentro do PT circulou a campanha dentro do meu próprio eleitorado, dentro da perspectiva de que isso dividiu o voto. Aí não entrou lá, nem entrou cá”, lembrou. O último fator, segundo ela, foi o econômico, que pesou em todo o país, não apenas em Petrolina.

PSB

A vereadora disse ter tido a chance de entrar em esquema de ‘boca de urna’, mas ela se recusou. “Se fosse pra voltar para a câmara nessas condições, eu não seria Cristina Costa”, assegurou. Integrante da Executiva Estadual do PT, ela viu como positivo o fato de Marília Arraes, candidata petista derrotada à Prefeitura do Recife, ter conseguido resgatar o ânimo da militância. Mas lamentou o método utilizado pelo PSB do candidato vencedor, João Campos. “Me chamou a atenção a campanha do PSB, que adotou um método para se manter no poder que não é da esquerda, mas um método da direita, que se assemelhou ao Governo Bolsonaro. Por um lado foi positivo pra abrir a cabeça do nosso senador”, afirmou Cristina, referindo-se a Humberto Costa, uma das principais lideranças petistas, que defendeu o apoio a João.

Cristina, que foi ao Recife apoiar a candidatura de Marília, revelou que seu partido teria provas suficientes para anular a eleição a prefeito da capital pernambucana, diante de graves práticas ilícitas cometidas pelos socialistas. “Temos áudios de conversa de chefe de gabinete cobrando de uma candidata a vereadora porque deu estrutura e dinheiro, pedindo pra devolver o dinheiro, e pessoas reconhecendo ter recebido dinheiro”, revelou.

Ela disse ainda que a executiva estadual petista terá uma reunião no próximo dia 7/12 para avaliar o resultado do pleito e, consequentemente, os rumos que a legenda irá tomar. Ao afirmar que nessa eleição “a máscara do PSB caiu”, é muito provável que um rompimento entre as duas siglas não esteja descartado. Em relação ao segundo Governo Miguel Coelho, ela garantiu que continuará fiscalizadora como sempre foi e com a mesma “política construtiva” que praticou como oposicionista na Casa Plínio Amorim. Cristina destacou ainda o trabalho realizado pelo PT em Petrolina que levou a legenda a garantir ao menos um assento, com a reeleição do Professor Gilmar Santos. Quanto à majoritária encabeçada por Odacy Amorim, a vereadora afirmou que na reunião com todos os filiados será discutida até que ponto houve uma contribuição com os candidatos proporcionais.

9 COMENTÁRIOS

  1. Discordo da vereadora quanto a derrota de Marília Arraes, o que foi preponderante na derrota de Marília foi justamente o fato de pertencer ao Partido dos Trabalhadores e esse fenômeno não ocorreu apenas em Recife mas em todo o Brasil. O PT tem que assumir e reconhecer os seus erros e parar de sempre apontar culpados.

  2. Além do mais a frente de João Campos sobre Marília Arraes foi de quase 100 mil votos. O povo é soberano e a sua vontade tem que ser respeitada. E essa era a vontade da maioria.

  3. Primeiro, o que tem a ver o PSB e sua denominada máscara com a sua perca eleitoral. Segundo, nem sempre quem ganhou realmente ganhou. O que posso dizer a respeito do presente pleito, principalmente quanto ao proporcional, referente aos vereadores, posso dizer, seguramente, que se trata de mandatos com legitimidade popular, porém, sem legitimidade moral que, para o cidadão e para o desempenho do mandato é o que realmente interessa, o mais importante. Um político eleito comprando votos serve para que mesmo, senão para negociar o seu mandado moralmente ilegítimo. Então vereadora, assuma os seus erros cometidos no mandato, principalmente o abandono das bases, das classes, a sua, por exemplo, a de professor. A sua aproximação com o governo sem fiscalização de Miguel Coelho. Quanto ao cidadão, principalmente aqueles que trocam o seu voto por cinquentinha, quando não por uma dose de cachaça, um favor prestado por um candidato, aguardem a fatura, ela chegará, o preço certamente será pago.

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