Artigo do leitor: “Poema para refletir na pandemia”

por Carlos Britto // 24 de maio de 2020 às 21:33

Foto: PIXABAY

Autor da biografia de Ana das Carrancas (A Dama de Barro), o jornalista, professor e escritor Emanuel Andrade publicou neste fim de semana um poema novo para refletir sobre a pandemia do novo coronavírus (Covid-19) que assola o mundo. O texto, inclusive, deve integrar seu próximo livro que está organizando para até o final do ano, em formato físico e digital.

Vejam os versos do inédito ‘O Surto’:

O SURTO

Dias sem risos largos,

em cores pardas.

Pensamentos em preto e branco.

Dias minimalistas e neurais:

O mundo a transgredir em dor na mais

completa telepatia,  fechando fronteiras

por entre o mapa da terra.

Dias de comoção e espanto no gosto 

amargo a escorrer nos lábios sem voz.

Lágrimas diagramadas em diversas faces de tantas gerações.

Dias em que a manhã trava a tarde e

Contorce a noite.

Notícia  de súbito sufocando  até

a xícara de café  com pão adormecido.

Uma coruja perplexa nos fios elétricos

roda a cabeça a tentar entender

porque o mundo paralisou entre pessoas mascaradas inflando o peito.

Manhãs  invadem a tarde nos leitos da pandemia,

e noites assolam a madrugada na escuridão do medo.

Os pássaros noturnos sem rumo

clamam a esperança dourada do próximo sol.

E o mudo vai girando e girando na lógica concreta de um relógio que marca os segundos e minutos doídos com seus

ponteiros de batidas previsíveis.

Mas logo ali, onde se busca 

uma estrada de emergência 

há esquina de um beco sem saída,

onde cego entoa seu cântico cru

catando versos sublime

e grita baixinho (em voz de meditação)

que a calma iluminará a fresta de

um novo mundo novo, 

talvez ao som de harmonias alinhavadas

pelas mãos de anjos invisíveis,

tocando  a harpa de cada continente

a olhos e ouvidos abertos e atônitos,

Contudo, atentos por um mundo melhor.

Um mundo em que se reconheça de coração sem tamanho e nem cor,

as criaturas humanas,

cuidadas e cuidadoras,

entre máscaras e agulhas

no horizonte indefinido da ciência

que haverá de dizer não mais a dor.

Emanuel Andrade/Jornalista, Professor e Escritor

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