Artigo do leitor: “O aumento dos preços e a redução nas embalagens”

por Carlos Britto // 27 de agosto de 2021 às 21:35

Foto: Ilustração

Neste artigo, o aluno de engenharia mecânica da Universidade do Vale do São Francisco (Univasf), Gustavo Almeida, faz uma reflexão sobre uma possível relação entre o aumento dos preços nos alimentos e uma mudança nas embalagens. Segundo ele, com base em suas pesquisas, o crescimento da inflação no Brasil pode ser a causa para o início de uma mudança nas prateleiras de supermercados. Confiram:

Nos últimos meses, os consumidores puderam observar que alguns alimentos apresentaram redução na quantidade presentes nas embalagens. Observei com cuidado produtos como pote de requeijão de 200g, que passou a indicar 180g, pacote de biscoito de 160g, que passou a indicar 126g, e pacote de frango, que antes registrava 1kg, agora indica 800g. Em todos estes exemplos o preço se manteve muito próximo ou igual ao anterior.

Como mero consumidor considero que esta diminuição pode ter sido adotada como uma estratégia das indústrias para não perderem as vendas das mercadorias. Como o mercado não explica de forma clara sobre o aumento nos valores desses produtos, acaba sendo imperceptível para muita gente como que essas mudanças econômicas afetam o bolso dos consumidores de todas as classes sociais.

Para abordar o possível motivo desse movimento, podemos refletir um pouco sobre inflação. Esse fenômeno econômico tem como característica a redução do poder de compra da população, e pode ser definida como o aumento generalizado no preço de produtos e serviços. Por conta disso, a inflação tem efeito negativo sobre o dinheiro, diminuindo seu valor, fazendo com que compre cada vez menos ao longo do tempo.

A inflação é medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que na data atual, de acordo com o IBGE, apresenta um valor acumulado de 8,99% em 12 meses – o número mais alto desde maio de 2016, quando bateu 9,32%. Para acrescentar, temos o Índice de Preços ao Produtor (IPP), que mede o preço dos produtos “na porta da fábrica” e determina a média dos preços de venda recebidos pelos produtores. Segundo dados do IBGE, o IPP apresenta um acumulado recorde de 36,81% em 12 meses, e um acumulado de 19,11% no ano, o maior para o último mês de junho na série histórica iniciada em 2014.

Essa alta dos preços, com destaque para indústrias extrativas, alimentícias e de refino do petróleo e produtos do álcool, mostra impacto direto em todos os setores da economia brasileira, que agora é mais perceptível no setor alimentício, por meio da redução das quantidades presentes nas porções dos alimentos vendidos nos mercados.

Portanto, é necessário que a população sempre esteja atenta aos detalhes econômicos, que muitas vezes são desconsiderados, como o efeito da inflação que afeta o bolso dos brasileiros.

Gustavo Almeida/Estudante de Engenharia Mecânica

Artigo do leitor: “O aumento dos preços e a redução nas embalagens”

  1. Neide disse:

    Muito pertinente; explicativo e atualizado. Parabéns ao blog!

  2. Ivoneide Almeida Braga disse:

    Artigo excelente ! Ótima Reflexão ! Parabéns à Gustavo Almeida e ao Blog Carlos Britto !

  3. Joao Vicente disse:

    Excelente Reflexão!
    Parabéns.

  4. Lais Moura disse:

    Muito bom! Temos que ficar atentos!

  5. Adilson Boson Jr disse:

    Verdades inconvenientes que precisam ser divulgadas. Parabéns!

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