Paulo Câmara rebate insinuações de executivo da JBS e garante: “Só tenho dois patrimônios, minha família e meu nome”

O governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), reagiu ontem (22) com indignação às insinuações feitas, em delação premiada, pelo executivo da empresa JBS, Ricardo Saud. “Quero dizer que estou indignado, mas não vou baixar a cabeça. Eu tenho o compromisso de trabalhar por Pernambuco e vou continuar trabalhando. Sou servidor público. Vivo do meu salário e só tenho dois patrimônios: a minha família e meu nome. E ninguém vai manchá-los”, declarou Paulo Câmara, durante cerimônia no Palácio do Campo das Princesas.

O socialista voltou a ressaltar que sua campanha a governador, em 2014, não teve recursos da JBS.”A minha campanha eleitoral de 2014 não recebeu recursos da empresa JBS. Quero dizer isso porque nem minha campanha, nem o PSB estadual recebeu nenhum centavo desta empresa. As doações que a JBS fez foram ao PSB nacional, que registrou. Está tudo registrado nas doações do PSB nacional”, discursou Paulo. “Essa própria pessoa que está fazendo a delação foi muito textual ao dizer que a doação ao PSB nacional ocorreu sem nenhuma contrapartida e sem nenhum benefício”, completou.

Paulo Câmara lembrou que na Petição 7.003 do Ministério Público Federal, assinada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que trata da delação premiada da JBS, não há menção ao nome dele, nem do prefeito Geraldo Julio e nem do ex-governador Eduardo Campos. A petição foi acolhida pelo relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin. As informações são da Secretaria Estadual de Imprensa. (Foto/reprodução)

Dos três ministros pernambucanos que sinalizaram saída do Governo Temer, só Roberto Freire deixa cargo

As denúncias que atingiram o presidente Michel Temer (PMDB) provocaram um fenômeno, no mínimo, curioso ao longo desta quinta-feira (18): o efeito ‘ioiô’ em alguns ministros que ensaiaram a saída do Governo e ficaram. Na noite da quarta-feira (17), horas depois da divulgação de trechos da delação premiada dos donos da JBS, começou a correr a informação de que o ministro das Cidades, Bruno Araújo, defendia no partido o desembarque do Governo Temer e a entrega dos quatro ministérios do PSDB na gestão do peemedebista, inclusive o seu. Só que não.

No meio da tarde desta quinta-feira (18), uma hora antes de o presidente Temer fazer o seu pronunciamento do “fico”, os meios de comunicação começaram a informar que o PPS havia decidido que, caso o peemedebista não renunciasse, seus dois ministros – Raul Jungmann (Defesa) e Roberto Freire (Cultura), deixariam os cargos. Só que não.

Das três promessas de debandada, Roberto Freire ficou só. Foi o único que levou adiante a sua ideia inicial e deixou a pasta. Seu companheiro de partido, Raul Jungmann, licenciado da sua vaga de suplente de deputado federal, disse ter recebido um apelo dos comandantes das Forças Armadas para continuar.

Bruno Araújo, como bom tucano, fez que ia e não foi. Anunciou, por meio da sua assessoria, “que permanece no Governo Federal a pedido do partido, o PSDB”. A sigla, por sua vez, aguarda a divulgação do conteúdo das gravações dos executivos da JBS para, só então, se pronunciar.

Mendonça e Fernando Filho

Outros dois ministros pernambucanos não se pronunciaram. Mendonça Filho (Educação) é do mesmo partido do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), primeiro na linha de sucessão de Michel Temer. Já Fernando Filho, das Minas e Energia, recebeu e ignorou a recomendação do presidente do PSB, Carlos Siqueira, para que deixasse o cargo. Assim como fez quando foi indicado à revelia do partido, permanece no ministério. (Fonte/foto montagem: Blog da Folha)

Áudio gravado de Jucá é ‘café pequeno’ perto de conversa de Renan e Sarney, revela jornal

jucá e renan

O ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, não gravou apenas Romero Jucá. Machado registrou também áudios do presidente do Senado, Renan Calheiros e do ex-presidente da República José Sarney. As informações são do jornal O Globo.

Segundo o jornal, a fonte que teve acesso aos áudios de Calheiros e Sarney disse que o conteúdo revelado em relação à Jucá “não é nada”, comparado com a conversa de Renan e Sarney.

As gravações foram feitas no âmbito da delação premiada negociada entre Sérgio Machado e a Procuradoria-Geral da República desde março.

Na delação, outros senadores do PMDB são comprometidos. São eles: Jáder Barbalho e Edilson Lobão.

A delação de Machado aguarda a homologação do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Teori Zavascki. (fonte: O Financista/foto: Jane de Araújo/Agência Senado)

Aloizio Mercadante nega tentativa de impedir delação premiada de Delcídio

O ministro da Educação Aloizio Mercadante negou em entrevista à imprensa na tarde desta terça-feira (15) que tenha oferecido ajuda ao senador Delcidio do Amaral (PT-MS) em troca de seu silêncio. Uma conversa entre Mercadante e o assessor de Delcídio foi anexada à delação premiada do senador, homologada pelo ministro Teori Zavascki. De acordo com Mercadante, a própria gravação da conversa prova que a motivação era apenas pessoal, sem qualquer interesse em impedir ou tratar da delação, que seria um direito do senador.

Mercadante destacou que foi muito explícito em duas passagens de que não trataria de delação premiada e destacou trechos da gravação. “Tem que construir uma saída, uma saída viável. Se ele está ameaçando a delação, mesmo que ele queira fazer, eu não vou entrar nisso, a decisão é dele, é o direito dele, ele faz o que achar que deve“, disse Mercadante na conversa com o assessor.

O ministro repudiou a tentativa de envolver o nome dele em procedimentos que não estão compatíveis com o estado democrático e garantiu que a presidenta Dilma não tem nenhuma responsabilidade sobre a conversa. Ele destacou ainda sua disponibilidade para esclarecer o episódio com o Judiciário e informou que vai tomar as medidas judiciais cabíveis.

De acordo com o ministro, a gravação foi editada. Ele garantiu que em nenhum momento tentou comprar ou induzir o silêncio de Delcídio. A intenção da conversa, que aconteceu por iniciativa do próprio ministro, era falar sobre as possibilidades de defesa do senador petista no Senado, como um gesto de solidariedadepessoal, não como ministro. Mercadante salientou que estava sensibilizado com a situação do senador, e citou os ataques que as filhas do colega vinham sofrendo nas redes sociais.

Gravações

Delcídio entregou à Procuradoria-Geral da República conversas gravadas entre seu assessor de confiança, José Eduardo Marzagão, e o ministro, em dois encontros no gabinete, e acusou Mercadante e também a presidente Dilma de tentar comprar o silêncio dele. “Me senti pressionado pelo governo“, disse o senador aos procuradores, de acordo com reportagem publicada pela revista Veja. Mercadante teria prometido dinheiro e ajuda para que Delcídio deixasse a prisão e escapasse do processo de cassação de mandato no Senado, com a condição de que o senador não desestabilizasse tudo com a delação. (fonte: Jornal do brasil/foto: ABr)

Delcídio compromete Dilma e Lula em delação premiada, diz revista

dilma e lulaO ex-líder do governo no Senado Delcídio do Amaral (PT-MS) fez acordo de delação premiada e acusou o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff de tentarem interferir nas investigações da Operação Lava Jato e terem conhecimento de irregularidades na Petrobras, segundo o site da revista IstoÉ. A publicação afirma ter tido acesso a um documento de 400 páginas com o conteúdo do depoimento preliminar de Delcídio aos procuradores da operação. Nessa fase, o acusado cita nomes e fatos que pretende delatar. Para ter validade, a delação precisa ser homologada pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em um dos trechos do documento, o senador afirma que é “indiscutível e inegável a movimentação sistemática do agora ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo e da própria presidente Dilma Rousseff no sentido de promover a soltura dos réus presos na operação”.

Segundo o senador, Lula marcou a conversa entre ele e o ator Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, que acabou culminando na prisão do ex-líder do governo. De acordo com ele, partiu de Lula a ordem para pagar pelo silêncio de Cerveró e outras testemunhas. Delcídio foi preso acusado de tentar atrapalhar as investigações da Lava Jato. Entre as ofertas feitas, uma mesada de R$ 50 mil à família do ex-diretor e um plano de fuga.

De acordo com a revista, Delcídio afirma que o ex-presidente lhe pediu “expressamente” para ajudar o pecuarista José Carlos Bumlai, citado nas delações de Fernando Baiano e do próprio Cerveró. O senador disse que Bumlai tinha “total intimidade” e exercia o papel de “consigliere” da família Lula, expressão italiana usada em referência aos conselheiros dos chefes da máfia italiana.

Refinaria de Pasadena

Ele declarou, conforme o depoimento citado pela revista, que Dilma sabia das irregularidades da refinaria de Pasadena, que gerou prejuízo bilionário à Petrobras. Segundo a IstoÉ, Dilma conversou com auxiliares e nomeou ministros favoráveis às teses de defesas de acusados para cargos em tribunais superiores, principalmente no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A ideia, segundo Delcídio, era ajudar empreiteiras e políticos alvos da Lava Jato.

Uma das nomeações estratégicas para a presidente, ainda de acordo com os documentos citados pela revista, seria a do desembargador Marcelo Navarro para o STJ. “Tal nomeação seria relevante para o governo, pois o nomeado cuidaria dos habeas corpus e recursos da Lava Jato no STJ”, afirma a revista. Nesse caso, Navarro ficaria responsável por soltar Marcelo Odebrecht e Otávio Marques de Azevedo, da Andrade Gutierrez.

O ex-presidente, segundo a revista, sabia do esquema de corrupção da Petrobras e agiu pessoalmente para barrar as investigações. A assessoria de Delcídio nega que ele tenha feito delação premiada e promete lançar uma nota de repúdio à publicação da revista. (fonte: Congresso em Foco/ foto: reprodução)

Ex-diretor da Petrobras recebeu propina dois anos após ter deixado estatal

paulo roberto costaEx-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa recebeu propina relacionada a contratos da estatal até fevereiro de 2014 — um mês antes de ser preso pela Polícia Federal e dois anos depois de deixar a empresa. Em um dos depoimentos que integra sua delação premiada, Costa revelou que os valores indevidos eram pagos em prestações mensais de R$ 550 mil e que somaram um total de R$ 8, 827 milhões.

No mesmo relato, o ex-diretor contou que abriu a empresa Costa Global com a intenção inicial de prestar serviços de consultoria, mas que decidiu usá-la para esquentar valores de vantagens indevidas que ainda tinha de receber depois de deixar a Petrobras, em 2012. De acordo com Costa, a filha dele, Arianna Azevedo Costa Bachmann, era quem elaborava os contratos fictícios e também quem emitia as notas frias.

Foram assinados com a Costa Global contratos com quatro empreiteiras acusadas de participar do cartel — Queiroz Galvão, Camargo Corrêa, Iesa Óleo e Gás e Engevix. Costa admitiu que todos eles eram irregulares, e contou que o doleiro Alberto Youssef fez um balanço das propinas que ainda lhe eram devidas quando ele deixou o cargo.

Para o acerto, ressaltou Costa, foi firmado um contrato de R$ 800 mil, em março de 2013, com a construtora Queiroz Galvão. A empresa pagou-lhe em oito parcelas de R$ 100 mil. Com a Iesa, o valor alcançou R$ 1,2 milhão, e o pagamento ocorreu em 12 parcelas de R$ 100 mil. A Engevix fechou contrato para lhe pagar R$ 665 mil, em 19 parcelas de R$ 35 mil. A Camargo Corrêa, que lhe devia R$ 3 milhões em propinas, combinou que faria o pagamento em 30 parcelas de R$ 100 mil, mas teria quitado o valor em dezembro de 2013, disse Costa. Outro saldo de propina não paga, no valor de R$ 72 mil, teria sido dividida em 12 parcelas de R$ 6 mil.

Costa afirmou que também foram fechados contratos para receber propina de uma distribuidora de produtos de petróleo que atua no Amazonas. Ele contou que foi procurado pelo dono da empresa, que se propôs a construir um terminal de derivados em Itaquatiara. Até então, a Petrobras deixava os produtos num navio, que ficava parado no local.

O ex-diretor disse que sua participação foi essencial para que o negócio com essa empresa desse certo. Após a construção do terminal, contou Costa, a distribuidora foi contratada sem licitação pela Petrobras. Em função do acerto, Costa recebeu R$ 3,09 milhões da empresa, valor que também foi pago em parcelas por meio de contratos fictícios de serviços de consultoria. O maior contrato foi de R$ 2,025 milhões, pagos em 15 prestações de R$ 135 mil. Um segundo somava R$ 975 mil e era dividido em 15 parcelas de R$ 65 mil. O contrato de menor valor, de R$ 90 mil, foi pago em seis parcelas de R$ 15 mil.

Patrimônio ilícito

Parte do ganho com propinas, segundo Costa, foi usada para comprar uma casa no condomínio Portobello, em Mangaratiba, na Costa Verde, por R$ 3,3 milhões, e uma lancha, por R$ 1,1 milhão. Os bens adquiridos foram colocados em nome da empresa Sunset Global Investimentos e Participações, mas a intenção era repassar estes e outros bens que viessem a ser adquiridos para offshores no exterior. Com a ajuda do advogado Matheus Oliveira dos Santos, que trabalhava para Youssef, a família Costa abriu três offshores: Sunset International, Sunset Global Foundation e Sunset Global Services. Costa usaria as offshores para receber comissões no exterior e negociava interesses da Samsung na África.

Em outro depoimento de delação premiada, o ex-gerente de Serviços da Petrobras Pedro Barusco Filho disse que o ex-diretor Renato Duque também continuou a receber propina depois de deixar o cargo. (fonte: O Globo/foto Reuters)

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