Artigo do leitor: “A politicagem useira e vezeira”

Neste artigo enviado ao Blog, nosso colaborador Alberto de Andrade Silva faz uma análise preocupante do cenário político e econômico do país. Para ele, do governo da ex-presidente Dilma Rousseff para o do atual Michel Temer, a única mudança que ocorreu foi trocar seis por meia dúzia.

Confiram:

Continua preocupante a caótica situação, econômica e financeira, em que se encontra o Brasil e a maior parte de sua população. Tudo isso causada pela alta corrupção generalizada no país que, no decorrer dos últimos 14 anos, empoleirou nos principais cargos das instituições governamentais politiqueiros da pior espécie, useiros e vezeiros na prática dos conchavos de desvios dos recursos públicos que são destinados aos investimentos necessários ao bem coletivo. Dentre eles a educação, saúde, segurança e geração de empregos, de cujos benefícios toda população necessita para viver dignamente.

Igualmente é também preocupante a falta de apoio e incentivos às classes produtoras dos diversos segmentos, para retomada do desenvolvimento. Indubitavelmente são elas as colunas de sustentação da geração de riquezas, das quais a nação e sua prole (filhos) tanto necessitam para o desenvolvimento e a ideal manutenção da crescente prosperidade nacional.

Evidentemente, estamos vivendo momentos de inquietação e preocupação com as recentes manobras maquiavélicas de políticos disputando cargos importantíssimos nas tomadas de decisões, que precisam ser justas e acertadas, no combate aos escândalos de ladroagem que arruinaram o país. Tudo levando a crer que “a morte de Zavascki, a queda da principal peça fez com que a realidade do tabuleiro mudasse. Novos atores entram em cena para colocar em xeque a Lava-Jato. Eunício Oliveira no Senado, Rodrigo Maia na Câmara, Alexandre de Morais, no STF, Edison Lobão na CCJ do Senado e novos diretores da polícia federal alteram o equilíbrio da força”. Com tantas desordens acarretadas pela corrupção e a duvidosa administração do país, a população continua cada vez mais desanimada e desconfiada.

E já falam por aí que o que se espera é que as ruas respondam à altura da gravidade do momento. Por isto, ninguém sabe o que poderá acontecer.

Mas espera-se ações enérgicas e definitivas para desarraigar tantos desmantelos e rombos no país que, desde o julgo lusitano, vem empacando e retardando seu desenvolvimento pelo cultivo dos velhos hábitos hereditários.

Alberto de Andrade Silva/Leitor

Artigo do leitor: Após morte de jovem gestante, médico propõe novo modelo de saúde pública da mulher no Vale do São Francisco

Após a trágica morte de uma jovem de 17 anos durante trabalho de parto no Hospital Dom Malan (HDM)/Imip, em Petrolina, o médido e professor Álvaro Pacheco enviou este artido ao Blog, pelo qual defende um novo modelo de saúde pública para mulheres da região, com o envolvimento da sociedade e dos órgãos governamentais.

Confiram:

Repercute nas redes sociais o óbito de gestante de 17 anos no Hospital Dom Malan-IMIP em Petrolina, o qual é atribuído, segundo conhecido Blog local (http://www.carlosbritto.com/gestante-de-17-anos-morre-no-hdmimip-porque-equipe-medica-teria-se-recusado-a-fazer-cesariana-denuncia), à “não realização de parto cesariano que teria sido solicitado pela paciente, pois a mesma estava com pressão alta e com dor”.

Tragédia, ninguém tenha dúvida. Todos, certamente, sofremos com isso. Obviamente, ninguém sofre tanto quanto à família da falecida. Isso também é indiscutível. Pergunto, porém, o que acontece depois de vir a público uma situação como essa? Quais as lições, como reagem e quais os desdobramentos que conduzimos – enquanto comunidade – com esse fato que, com toda a razão, a todos nos toca?

Observando as reações nestas mesmas redes sociais, parece-me que uma das formas das pessoas reagirem é extremamente intempestiva, manifestada pela “revolta e pela indignação com o fato”, ”culpando a tudo e a todos”, exigindo a “punição dos culpados” ou até mesmo capitalizando de maneira mesquinha seus interesses pessoais. Há pessoas que vivem de explorar a desgraça alheia e alguns até ganham muito bem pra isso.

Vamos abordar outros pontos. Desde pequeno, nas lições do Catecismo e em casa, uma sentença entrou em minha cabeça e me serve de guia para muitos dos meus passos: ”A verdade é o que nos liberta”. Atualmente, inclusive, vivemos a época da informação, da internet e seus “aplicativos para 140 caracteres”, escravos de conteúdos resumidos e que enchem de conhecimentos, mas não garantem sabedoria.

Esta vem com profundidade, conhecimento mais radical, aprofundado e bom uso deste. E nos aproxima da verdade. Já que esta se encontra em algum ponto entre as diferentes versões apresentadas da história.

Pessoalmente, parece-me irresponsável emitir opinião específica sobre o episódio publicado, sem antes ouvir as versões da história oferecidas pelo Hospital, pelos assistentes ou pelos demais envolvidos no caso, valorizando apenas a informação de um suposto e não identificado “leitor do blog”.

Portanto, minha contribuição inicia com alguns esclarecimentos que podem nos ajudar a ter uma visão mais profunda sobre o tema. Permitam-me tentar contribuir com alguns fatos.

O primeiro e mais gritante deles é que o Brasil é o campeão  de partos cesarianos. Atualmente a maioria das mulheres no Brasil traz seus bebês à luz através de cirurgia. Em nenhum país no mundo são realizadas tantas cesáreas quanto no Brasil. Isso também porque talvez em nenhum país do mundo se acredite, ou se venda levianamente, a falsa ideia de que a cesárea é sempre a melhor solução.

O parto no Brasil há muito deixou de ser encarado como um evento familiar e fisiológico e passou a ser divulgado e trabalhado como uma situação patológica, um evento médico, para o qual “a solução” é: a cesariana. Por outro lado, apesar das altas taxas de cesárea, nossos indicadores de mortalidade materna são significativamente piores que da maioria dos países do chamado Primeiro Mundo, nos quais prevalecem os partos normais.

Para esclarecimento, nós temos uma Razão de Mortalidade Materna (a forma que os estudiosos avaliam a frequência de morte materna no mundo), atualmente quase 10 vezes maior que de países como Noruega, Finlândia, Holanda – todos com uma taxa de partos cesarianos no mínimo a metade do que o Brasil realiza atualmente.

Ao contrário da impressão de muitos leigos, o parto cesariano está associado a maior risco de complicações como infecção, trombose ou sangramentos que aumentam em muito a chance de morte materna. Portanto, é uma visão simplória que a cesárea tem efeito protetor para as mulheres e o parto normal é um indicador de assistência inadequada. Não falo de impressões pessoais, mas como alguém que contribuiu com o tema.

Em minha dissertação de Mestrado, na qual foram estudados os fatores que aumentam o risco da mulher ter alguma complicação ou risco de morte por causa da gestação, foi evidenciado que o parto cesariano aumenta em até 2 vezes o risco de morbidade grave, comparado ao parto normal, o que está em acordo com a literatura médica atual sobre o assunto.

Importante considerar também que, ao contrário do que a população leiga imagina, os riscos de morrer por causa de hipertensão na gravidez não cessam após o parto. Na verdade, a maioria das mortes de mulheres durante o ciclo de gravidez e parto em nossa realidade ocorre depois do nascimento, por complicações da própria doença, mas que podem ser potencializadas pelo parto cesariano, associado com as complicações citadas, e outras não descritas.

Além disso, ao contrário do que muito se fala, para os médicos é mais fácil fazer uma cesariana – a qual dura em média 30 minutos – do que assistir a um parto normal – o que pode demorar significativamente mais, a depender de cada situação. São fatos expostos. A sabedoria de usá-los nos julgamentos e opiniões sobre o assunto dependem, a partir de agora, de cada um.

Agora, a minha segunda contribuição passa a ser uma convocação. Além de refletirmos e debatermos sobre o assunto, acredito ser fundamental partirmos para a ação. A comoção e indignação que fatos como o acima descrito nos trazem devem nos motivar (e não acovardar por julgamentos superficiais no falso anonimato da Internet) a avaliar de verdade qual é o nosso atual modelo de atenção as nossas famílias antes, durante e após a gravidez.

É uma realidade e fatos que para muitos ainda não são conhecidos e, por esse motivo, simplificam-se as respostas com uma acusação leviana: “a culpa foi dos médicos que não fizeram a cesárea”.

Foi mesmo? É só isso que nos incomoda? É só isso que conseguimos pensar? E quanto às outras grávidas em trabalho de parto diariamente em macas, devido a maternidades superlotadas? E aquelas que são transferidas de ambulância por mais de 400 km, porque seus municípios não têm maternidades próximas? Isso não nos motiva a nada?

É preciso que paremos um pouco para avaliar se os profissionais têm trabalhado em condições adequadas (materiais, número proporcional de pacientes por turno de atendimento) acomodações justas para pacientes e equipe, se todos os serviços e municípios contribuem com o cuidado (comprar ambulância é a única solução, uma atitude “humanizada”?) e se todos os esforços governamentais para que a linha de atenção à saúde de nossas mulheres seja realmente executada.

O problema vai mais além do que os vossos olhos inquisidores veem.

Portanto, estou criando a proposta de nos reunirmos enquanto comunidade interessada, atuante e cidadã, para passarmos a limpo quais os verdadeiros problemas relacionados à Saúde da Mulher, de modo a elaborarmos propostas e atuarmos para melhorar nossa qualidade assistencial.

Sugiro e convido aqui, a quaisquer interessados a um movimento politizado, porém não partidarizado, para iniciarmos esse movimento de vigilância e cuidado social. Um observatório da Saúde da mulher do Vale do São Francisco.

Disponibilizo meu endereço eletrônico (negoalvo@bol.com.br) para que os interessados entrem em contato para irmos além da “rebeldia de Facebook” e passarmos a agir como verdadeiros cidadãos.

Que a verdade nos liberte e nos permita crescer.

Álvaro Pacheco/Médico Ginecologista e Obstetra e Professor de Saúde da Mulher da Univasf

Artigo do leitor: Estudante da Univasf critica condutor de ônibus da universidade que o ignorou em parada

O estudante da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), Vladimir Nunes, lamenta um episódio ocorrido na noite de ontem (9), em Juazeiro (BA), após o ônibus da Univasf não ter parado para ele, apesar de o estudante ter feito sinal para que parasse.

Confiram:

Caro Carlos Britto,

Venho ao seu Blog expressar minha completa indignação e sensação de humilhação em relação ao constrangimento sofrido no início da noite desta quinta-feira, 09/02. Sou estudante do curso de Ciências Biológicas da Univasf, mas moro e trabalho em Juazeiro. Apesar das dificuldades decorrentes da tentativa de conciliar trabalho e estudo, faço o possível para conseguir “dar conta” dessas duas atividades.

Contudo nesta quinta-feira, exatamente às 18h05, no ponto de ônibus do Bairro Alto do Cruzeiro, ao lado da avenida, aguardando o ônibus “A” da Univasf, que deveria chegar a este local às 18h13, conforme itinerário atualizado que segue no link, fui surpreendido por completo ao pedir sinal ao motorista para que parasse e o mesmo me ignorou e seguiu seu trajeto, sem fazer a curva para entrar na parada de ônibus.

Imagine minha sensação de impotência e humilhação, carregado do peso dos livros, depois de ter trabalhado durante toda a manhã e tarde da quinta feira, aguardando ansiosamente pegar o ônibus para ir à biblioteca do Campus Juazeiro e utilizar 4 preciosas horas da noite para atualizar meu estudo semanal. O mesmo veículo, segundo o itinerário, chega ao Campus Juazeiro às 18h25. Sem um centavo sequer no bolso, voltei arrasado para meu local de trabalho para tentar estudar lá mesmo.

O episódio deixa transparecer que talvez, para o estudante pobre, não haja tanto respeito ou garantia de prestação de um serviço que deveria ser garantido a todos os estudantes. Ando de ônibus porque preciso, mas tenho certeza de que muitos de meus colegas ricos, que dispõem de veículo próprio, chegam no horário certo às aulas e aos estudos. Que episódio vergonhoso!

Espero que mais nenhum estudante precise passar pela mesma situação que passei.

Vladimir Nunes/Estudante de Ciências Biológicas – Univasf

Artigo do leitor: A ministra Cármen Lúcia e o Brasil passado a limpo

Em mais um artigo enviado ao Blog, nosso leitor Alberto de Andrade Silva mostra-se confiante na presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, quanto à missão de passar o país a limpo.

Confiram:

Cármen Lúcia de plantão no Tribunal, nesse final de semana, dá a entender que é ela mesma que assumirá a tarefa de homologar a delação, que sai até terça-feira da próxima semana. É o que apostam todos os ministros.

Como aditamento ao meu último comentário, publicado por este apreciado e conceituado Blog do Carlos Britto, pela ocasião da posse da referida ministra, agora, mais uma vez, acho oportuno reafirmar minha fé e confiança no melhor desempenho da exímia ministra nessa próxima tomada de decisão. Oxalá que seja justa e acertada, para um desfecho honesto pautado na verdadeira justiça, tão necessária ao combate dos diversos crimes de corrupção que se arraigaram no país.

É verdade que ainda há dúvidas sobre a escolha do relator da Lava-Jato, ou seja, se o sorteio será feito somente entre os integrantes da segunda turma ou entre todos os ministros do Supremo Tribunal Federal. O ideal é que tal sorteio seja feito somente entre os ministros mais engajados nos processos de delação premiada da Odebrecht. Cujos processos são os que mais denunciaram e apontaram os crimes de lesa-pátria.

Sabe-se que não é só a grande maioria dos brasileiros, mas também muita gente do mundo inteiro, que atentamente estão acompanhando o desenrolar dos trambiques acarretados pela enorme corrupção em referência, cujo malefício está se transformando em produto de exportação, vergonhosamente comentado e criticado de forma chacota pelas más línguas.

Diante do referido desmantelo governamental do Brasil, que arruinou as condições de vida de sua população, igualmente, empacando o desenvolvimento nacional, pergunta-se até quando vamos continuar navegando sem rumo, com perspectivas obscuras, sem saber onde vamos chegar?

Outrossim, a população vai continuar sem entender por que ainda não foram aprisionados e punidos exemplarmente os principais chefes da ladroagem que arruinou a nação brasileira?

Excelentíssima Ministra Cármen Lúcia, digníssima presidente do STF, contamos com seu exímio desempenho, junto aos demais dirigentes do Brasil dos brasileiros, para a moralização desta nação, a reconstrução e a retomada do seu desenvolvimento sustentável.

Alberto de Andrade Silva/Leitor

Artigo do leitor: “A insistência na mentira da geração de emprego em Juazeiro”

A recente divulgação feita pela atual gestão de Juazeiro (BA) sobre o número de empregos gerados no município não condiz com a realidade. Pelo menos é o que garante o economista Antonio Fonseca Fraga. Neste artigo enviado ao Blog, ele afirma que a prefeitura “insiste numa mentira” criada pela publicidade governamental e divulgada na mídia.

Confiram:

A Prefeitura de Juazeiro tem usado sistematicamente e de forma intencional a mentira estatística para mostrar um desempenho de governo eficiente e com dados positivos sobre a economia do município. No governo anterior, e agora nesse, são investidas somas altíssimas dos recursos municipais para divulgar em mídias de rádio, blog e TV dados sobre a rotatividade do emprego na cidade, dados que dizem pouco sobre a realidade do trabalho e dizem muito menos sobre a real situação do emprego no município.

São argumentos que não resistem a uma simples análise. Qualquer cidadão que atentar para esses números, mesmo sem ser perito da área, perceberá que o dado é extremamente revelador da pobreza do município. Há números que se prestam muito à mentira. Esse dado de geração de emprego em Juazeiro é um deles.

O conceito de desemprego adotado pelo IBGE é muito restrito. Na verdade ele toma apenas o conceito de empregado com carteira assinada, e não traz nada mais sobre os que são ocupados e os sem ocupação. Um catador de lixo em atividade está ocupado. Portanto, não é um desempregado. Mas, o que é um catador de lixo, senão um ser vivendo no próprio abismo do desemprego? A propaganda mascara a gravidade desse problema em que envolve o desemprego, a ocupação informal e a desocupação.

Entretanto, o mesmo IBGE traz outros números que podem esclarecer esse fato: Juazeiro tem hoje 38.000 pessoas empregadas entre os setores público e privado, ou seja, pessoas que recebem salários mensais. E tem 43.000 pessoas ocupadas em outras atividades que agrupam os profissionais liberais, empresários, pecuaristas, agricultores, ambulantes, moto-taxistas, taxistas, catadores de lixo, vendedores de amendoim, acarajé, sanduiche, espetinho, donas de casa etc.

Juazeiro tem no total, portanto, 81.000 pessoas trabalhando. Só que dentre os trabalhadores assalariados vamos tirar os funcionários municipais, que são 9.000, 2.500 estaduais e 1.000 federais. Vão sobrar 25.500 trabalhadores com carteira assinada na iniciativa privada, porquanto é esse universo que o IBGE trabalha. Pois bem, vamos analisar agora o que aconteceu com esses trabalhadores no ano de 2015 e 2016:

a) em 2015 foram admitidos 16.711 e demitidos 18.271, com uma perda de 1560 postos de emprego.

b) em 2016 o saldo foi positivo em 1.269, assim recuperou parte da perda, mas ainda segue com 291 postos a menos. Veja aí o absurdo da alta rotatividade: em um universo de 25.500 empregados, houve troca de quase 70% dos postos de trabalho.

O que revela essa alta rotatividade no emprego? Que o emprego tem sido basicamente de pessoas com baixa qualificação profissional, são empregos temporários, que é típico na construção civil, na agricultura, no setor de serviços os mais elementares etc.

A análise prossegue com o conceito de População Economicamente Ativa (PEA), que no Brasil gira em torno de 65% da população, permitindo deduzir que Juazeiro tem 145.000 pessoas aptas ao trabalho, mas somente 81.000 são empregados e ocupados. Ou seja, 64.000 pessoas em nada se ocupam. E isso é justificado pelo grande número de famílias no Programa Bolsa-Família, que em número exato de dezembro de 2016 era de 48.982 famílias.

São famílias com renda per capita entre R$ 85,00 e R$ 450,00, onde muitas dessas famílias têm no programa a única fonte de renda. Olha que dramático! Isso é o retrato da extrema pobreza que vive essa cidade. A propaganda é muito loquaz, mas a realidade é dura e diz muito mais. A introdução da economia no exercício político é papel essencial de governo, que deve buscar formas de facilitar a geração de renda para as pessoas, valorizar os seus patrimônios através de melhorias na cidade, nas ruas, nos serviços, no saneamento etc.

Isto é, ter em relação aos habitantes e ao bem-estar nada mais que uma forma de apoio. Mas a verdade é que a Prefeitura não possui estratégias definidas para geração de renda no município. Não cuida sequer dos espaços públicos de feiras, não há programas de treinamentos e profissionalização, não há programas de apoio à atividade da pequena indústria, da pecuária, do processamento de produtos alimentares. Nada!

Nada que possa evitar a alta mobilidade no emprego, que decorre do que se chama de desemprego estrutural, advindo da defasagem entre o nível técnico exigido e a baixa qualificação profissional do trabalhador, não se preocupa jamais em qualificar o trabalhador em profissões que lhe assegurem maior permanência no emprego.

Esse quadro de miséria favorece pouco a pouco a formação do discurso da filantropia, o discurso da construção da Minha Casa Minha Vida, o discurso da Bolsa Família, enquanto falha na escolarização das crianças e dos jovens, na manutenção dos serviços de saúde, na manutenção da limpeza da cidade, nos investimentos em equipamentos urbanos. A verdade é que utilizam de vários discursos. Entretanto, não é capaz de propor ou conceber melhorias para a cidade no longo prazo. São meros repetidores de frases formatadas, enquanto grassa a miséria nas periferias e no interior. Essa é a estratégia que permite aos que governam ser a classe burguesa e exercer sua dominação sobre essa pobreza mendicante, na verdade, criando ilhas de poder para ser disseminadas entre os pares.

 Antonio Fonseca Fraga/Economista

Artigo do leitor: Representante do ConCidade defende implantação de IPTU Progressivo em Petrolina

Neste artigo, o representante do Conselho Municipal da Cidade (ConCidade) de Petrolina e leitor assíduo do Blog, Pedro Caldas, defende a implantação do IPTU Progressivo como forma, ao mesmo tempo, de a prefeitura manter a cidade limpa e realizar investimentos em áreas essenciais da cidade.

Confiram:

Petrolina vem nos últimos 10 anos sofrendo com uma ocupação desordenada, demonstrando claramente a falta de planejamento urbanístico e de uma política forte por parte do Poder Público Executivo para coibir as ações especulativas de terrenos, que tem se tornado um problema para o cidadão convivendo com lixo, insetos e entulhos de construções, e em tabela para a Prefeitura, que acaba tendo que pagar caro para retirada desses entulhos e lixo.

O Estatuto das Cidades possui dispositivos que asseguram ao Poder Público Municipal implantar o IPTU Progressivo, que leva o proprietário do imóvel ocioso a se adequar às obrigações para que o seu terreno cumpra a função social da propriedade.

O prefeito Miguel Coelho precisa debater esse assunto com o ConCidade (Conselho Municipal da Cidade), com a Câmara de Vereadores e toda sociedade petrolinense na busca de conscientizar os grandes proprietários de terrenos urbanos, de que os recursos públicos gastos com a retirada de lixo e entulhos de seus terrenos podem ser investidos em pavimentação, saneamento, educação e melhoramento da saúde.

A Prefeitura, com a implantação do IPTU Progressivo, dará ao proprietário do imóvel um prazo para o mesmo murar, fazer a calçada e a limpeza da área, e em caso do terreno continuar ocioso, a Prefeitura de Petrolina poderá desapropriar o imóvel mediante pagamento em Títulos de Dívidas Públicas.

É preciso alertar alguns poucos latifundiários de Petrolina que somos a 6ª maior economia de Pernambuco, tendo o maior PIB do interior do Estado, e não cabe nesta cidade assistir ao Poder Público Municipal enxugar gelo, limpando terrenos, o povo mal educado sujando e os proprietários de camarotes assistindo a tudo, apenas especulando.

Assim sendo, defendo o debate com a sociedade para a implantação do IPTU Progressivo como forma de disciplinamento das áreas ociosas em nossa cidade.

Pedro Caldas/Membro do Conselho Municipal da Cidade de Petrolina (ConCidade)

Artigo do leitor: “A crise carcerária em nossos Estados”

A atual crise carcerária pelo qual atravessa o país (que, aliás, não é nenhuma surpresa), mereceu uma análise pertinente do nosso leitor José Elias Gomes Batista.

Confiram:

Possamos acreditar que estamos vivenciando diariamente, nos jornais, facções que tomaram conta das unidades presidiárias, são mortes executadas pelo poder das forças que tomaram os presídios de norte a sul. É o crime organizado mostrando seu poderio contra os Estados, que se negaram anos e anos de demonstrar sua atuação nos presídios.

Vivemos no colapso, que até demorou a chegar, mas agora demonstrou suas garras firmes e fortes contra a omissão dos Estados que nada fizeram para evitar a criação ou perpetuação de outras organizações criminosas sementarem em outros Estados, outras ideologias e força articulosa de submeter o Estado ao caos, e demonstrar toda sua fragilidade de anos, sem contribuir com a ressocialização de presos dos mais distintos seguimentos de crime.

É vivenciar a nota zero para o Estado e oito para facções. Não é apologia ao crime, mas estamos passando pela pior crise carcerária de todos os tempos e, pior que isso, é que estamos estarrecidos com a inoperância do Estado em sua conduta.

Me considere Sr (a). Dr (a). Juiz (a) de Execuções Penais dos Estados que morreram detentos, mas vocês estão na contramão da realidade prisional. Todos estão com medo que tudo isso vire um Carandiru atual, mas como a Polícia agir sem que haja vitimados? Melhor 50 que 100. Eu vi e tenho cenas que nunca mais vou esquecer.

A Polícia tem que agir com rigor e sem medo do enfrentamento direto com presos. Tomar a unidade e permanecer o tempo necessário até que haja o recontrole da unidade prisional.

É inadmissível ver presos circulando livremente, sem quaisquer restrições. É a família do mal tomando o controle de tudo! Mas onde fica o Estado de Direito? Perdido na ineficácia do Governo, que negligenciou anos os abarrotados de presos.

O Estado de Pernambuco é um dos Estados da Federação que mais mantém o número de presos. Sua ressocialização é mínima, apesar que não tenho números a expor, mas pelo conhecimento e sabendo da precariedade, posso dizer com firmeza que Pernambuco está com uma bomba pronta a estourar a qualquer momento, seja no inflado presídio do Curado ou mesmo pelo presídio de Petrolina. Todos acima da capacidade. Assim como os demais da Federação.

Petrolina ainda não teve rebelião como Alcaçuz porque mantém um presídio em bom solo, com boa segurança e por se manter no interior, mas já existem suas facções que tomam conta das alas do presídio.

A nossa preocupação: já houve rebelião no presídio de Petrolina? Sim. O que podemos fazer para evitarmos novas rebeliões dentro do presídio? A presença enérgica do Estado, através dos seus agentes.

Apesar de polêmica, a atitude do Estado foi acertada, evitando férias dos seus agentes durante 90 dias.

Respeito o direito dos agentes penitenciários, mas o interesse comum está acima dos interesses unitários.

Por fim, espero que possamos passar essa crise momentânea sem descontroles como no Rio Grande do Norte, e que a paz seja restabelecida, bem como que possamos tratar a solução como um problema matemático e ideológico com poderio eficaz, simples e sagaz para solucionar a equação ‘preso X problemas’.

José Elias Gomes Batista/Leitor

Artigo do leitor: “Doar órgãos faz bem a todos”

Para o bacharel em Direito Pedro Cardoso da Costa, as concepções que envolvem a doação de órgãos estão relacionadas à questão que envolve valores éticos, morais, religiosos e principalmente de formação pessoal. É isso que ele argumenta neste artigo.

Acompanhem:

Sem dúvidas, um problema complexo até para o debate. Envolve tudo o que há de mais sagrado nesse “plano” da vida. Quando se trata de doador vivo, este abre mão de parte de seu corpo para integrar o corpo de outra pessoa. Noutra condição, o doador é considerado falecido pela Ciência, mas precisa ter a sua vida prolongada por aparelhos para que a vida de outro siga com mais conforto, ou simplesmente continue. 

Essa é a parte física inescapável dessa relação entre receptores e doadores de órgãos. Embora de extrema gravidade, essa talvez seja a etapa menos complicada. A partir daqui, envolve valores éticos, morais, religiosos e principalmente de formação pessoal.

Existem religiões que não permitem a transfusão de sangue a seus seguidores. Não raro o noticiário divulga um conflito entre um médico com o dever de salvar o paciente e uma família que não permite a realização desse processo. Outros preferem não fazer a doação de órgãos de algum familiar, por entender que a pessoa deve ir para o outro plano sem faltar pedaços, na sua integralidade, como aportou por aqui.

Quem tem um ente querido precisando de um órgão não entende as razões de alguém se negar a dar condições de uma vida melhor a outra pessoa. Essa defesa poderia até ser reforçada com o princípio religioso do “ama ao próximo como a ti mesmo”.

Aqueles situados numa posição oposta, com um parente à beira da morte, podem colocar dúvida na Ciência e acreditar numa possibilidade de cura e consequente sobrevida do ente querido. Essa tese também tem o reforço da fé religiosa. Inclusive pode reforçar essa posição a tese de que alguém só se torna santo se possuir dois milagres comprovados. Ou seja, quem assim se posiciona tem todo direito de acreditar que seu parente venha a ser merecedor de um milagre.

Apesar de parecer contraditório comprovar milagres, não se pode negar que se trata de um requisito exigido para a beatificação de alguém. E se exatamente aquele parente for o merecedor desse feito? Apesar de tantos conflitos, o que deve merecer uma análise leve, confortável, segura é que todas as crenças, a fé, os rituais colocam a vida em primeiro lugar. Todos eles são meios de se tornar a vida um pouco melhor.

Não se deve expressar um conceito tachativo, atribuindo a quem doa o atributo de “correto”, nem considerando “errado” aquele que opta por não doar. Mas quem escreve deve passar algum elemento para fortalecer um dos lados. 

Como a vida é o bem mais importante neste plano, a dor da família doadora deve ser reconfortada com o bem gerado à outra parte. Também não há dúvida quanto a se tratar de uma decisão extremamente difícil. Ao doar, a família vai dar vida a quem recebe e aliviar o sofrimento de todos os envolvidos, especialmente dos familiares do receptor.

O bem suplanta qualquer dor. Praticá-lo é defendido por qualquer religião, crença ou filosofia de vida. Doar órgãos só traz o bem para todos e talvez seja a maior demonstração de amor que exista.

Pedro Cardoso da Costa/Bacharel em Direito

Artigo do leitor: “O MEJ e a sede empreendedora no interior baiano”

Empreendedorismo-Serviço-e-chats-ajudam-quem-tem-ou-quer-abrir-empresaNeste artigo enviado ao Blog, a leitora Joyce Cordeiro de Marins, que é representante da empresa Concretize Jr., da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), destaca entre outras coisas que uma alternativa eficiente para fazer o mercado de trabalho se reinventar é trazendo o empresariado para dentro das universidades.

Confiram:

O Movimento Empresa Júnior (MEJ) tem ganhado cada vez mais espaço no interior baiano. E não poderia ser diferente, já que os estudantes universitários dessa região não se conformam mais em apenas receber os conteúdos programáticos em sala de aula. Eles estão atrás do autoconhecimento profissional, o que hoje é encontrado no empreendedorismo.

A exemplo, temos a Empresa Júnior (EJ) do curso de Engenharia Civil, da Universidade Federal do Vale do São Francisco, a Concretize Jr, que está há quatro anos atuando no mercado com sua carta de serviços, abrangendo não apenas o Vale, mas outras cidades longínquas, como a capital pernambucana, Recife. E o que os 76 jovens que passaram pela empresa e aqueles que estão passando por ela ganham com essa experiência? Como dito, existe uma inquietação, é uma preocupação em ser e fazer um diferencial no mercado de trabalho, e por isso somente vivenciando o dia a dia de uma empresa é possível entender e adquirir know-how para encarar o mundo a fora. Onde mais se poderia encontrar um leque tão arraigado de conhecimento? Onde encontraríamos tantas possibilidades e problemas a serem resolvidos?

Se hoje Juazeiro se tornou um polo Empresa Júnior, foi devido às mentes inquietas que instauraram o movimento na cidade. E a Concretize, sendo a primeira EJ federada pela UNIJr-BA, teve um papel indispensável para que isso acontecesse. Foram quase 40 projetos executados, dentre eles projetos arquitetônicos, elétricos, hidrossanitários e levantamentos cadastrais. Trabalhos estes desempenhados por estudantes que se propuseram dedicar-se para dar o melhor e fazer um serviço de qualidade. Não é para menos que a empresa recebeu o Prêmio Impacto no ano de 2015, uma forma de reconhecimento da Federação Baiana de Empresas Juniores, pelos seus trabalhos e crescimento no interior baiano.

E para entender a dinâmica do MEJ interiorano, é necessário reconhecer a importância de quem compõe seu quadro corporativo: o empresário júnior. A sua característica fundamental é a proatividade, porque o que as EJ’s procuram são pessoas capazes de se adaptar e de tomar decisões, antes que lhes sejam requisitadas; e isso vem atrelado ao espírito de liderança, pois é necessário que haja guias, juniores que coordenem e conduzam os demais. De que maneira poderíamos nos destacar entre os milhares de estudantes no país? Através de intercâmbios? Através de Projetos de Extensão? Mas por que não ir além?

O Movimento Empresa Júnior tem como principal intuito formar, capacitar e preparar futuros profissionais, de modo que haja um “quê” a mais. Sendo assim, voltamos à peça chave, o empreendedorismo. Sim! Porque são os jovens empreendedores que estão gerando inovações, que estão buscando uma melhoria, a eficientização de processos e modernização de serviços. Hoje, mais do que nunca o mercado precisa se reinventar. E como isso é possível? Quebrando o protocolo e trazendo o mundo empresarial para dentro das universidades. Não faz mais sentido perdermos tempo, ainda temos muito chão pela frente e o tempo é o nosso maior aliado.

Joyce Cordeiro de Marins/Assessora de Presidência na empresa Concretize Jr.

Artigo do leitor: “Petrolina, o desafio e a oportunidade de aprimorar um ambiente empreendedor”

petrolinaInfraestrutura e mão de obra qualificada. Estes são dois dos requisitos fundamentais para fazer prosperar um bom negócio. E Petrolina, segundo o leitor Pedro Neto, tem as credenciais para alavancar seu desenvolvimento, sobretudo em momentos de crise como o atual, incentivando e facilitando o empreendedorismo.

Confiram:

Califórnia Sertaneja, Capital do Sertão, Petrolina da Fé, do Trabalho, do Progresso ou Terra dos Impossíveis. Não somente os títulos que atribuíram a Petrolina a fizeram ser destacável no cenário estadual, regional e nacional, mas sobretudo o lugar de vencer desafios, “plantar” ideias e abraçar oportunidades. E não basta apenas uma boa ideia para um negócio decolar na sexta cidade mais populosa do estado. Ter um ambiente regulatório, com infraestrutura, mão de obra qualificada e acesso à capital são requisitos fundamentais para um negócio crescer e prosperar, gerando emprego e renda. Nossa economia já depende de negócios inovadores, e para que isso aconteça, a cidade precisa se ater mais ao assunto, especialmente agora em um momento de recessão plena.

A desburocratização do setor público pode atrair investimentos e dar mais coragem ao empreendedor. Faz-se necessário, também, pensar e dar espaço à economia criativa como o turismo e empresas de tecnologia, que podem ser vetores promissores, além de fomentar negócios embrionários através do fornecimento de um espaço físico para essas ideias se relacionarem e se fortalecerem com outras.

Saber aproveitar a nossa localização geográfica e condição logística privilegiada, além de modernizar nossa economia, não só a de base, a exemplo das exportações, precisamos igualmente dar os braços aos novos negócios e à tecnologia, para até mesmo melhorarmos nossa eficiência administrativa e operacional.

Hoje somos uma economia de serviços com baixo valor agregado, pouco industrial e não tecnológica. No entanto, nenhum avanço nesse sentido será possível sem o apoio e interação da administração pública.

Através dessa nova matriz econômica tecnológica/industrial, iremos justificar uma outra vantagem competitiva que Petrolina tem, que é o bônus demográfico, pois assim avançaremos em políticas econômicas e sociais.

Pedro P. L. Neto/Empresário, administrador e especialista em gestão de empresas, finanças e obras

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