Artigo do leitor: “Doar órgãos faz bem a todos”

Para o bacharel em Direito Pedro Cardoso da Costa, as concepções que envolvem a doação de órgãos estão relacionadas à questão que envolve valores éticos, morais, religiosos e principalmente de formação pessoal. É isso que ele argumenta neste artigo.

Acompanhem:

Sem dúvidas, um problema complexo até para o debate. Envolve tudo o que há de mais sagrado nesse “plano” da vida. Quando se trata de doador vivo, este abre mão de parte de seu corpo para integrar o corpo de outra pessoa. Noutra condição, o doador é considerado falecido pela Ciência, mas precisa ter a sua vida prolongada por aparelhos para que a vida de outro siga com mais conforto, ou simplesmente continue. 

Essa é a parte física inescapável dessa relação entre receptores e doadores de órgãos. Embora de extrema gravidade, essa talvez seja a etapa menos complicada. A partir daqui, envolve valores éticos, morais, religiosos e principalmente de formação pessoal.

Existem religiões que não permitem a transfusão de sangue a seus seguidores. Não raro o noticiário divulga um conflito entre um médico com o dever de salvar o paciente e uma família que não permite a realização desse processo. Outros preferem não fazer a doação de órgãos de algum familiar, por entender que a pessoa deve ir para o outro plano sem faltar pedaços, na sua integralidade, como aportou por aqui.

Quem tem um ente querido precisando de um órgão não entende as razões de alguém se negar a dar condições de uma vida melhor a outra pessoa. Essa defesa poderia até ser reforçada com o princípio religioso do “ama ao próximo como a ti mesmo”.

Aqueles situados numa posição oposta, com um parente à beira da morte, podem colocar dúvida na Ciência e acreditar numa possibilidade de cura e consequente sobrevida do ente querido. Essa tese também tem o reforço da fé religiosa. Inclusive pode reforçar essa posição a tese de que alguém só se torna santo se possuir dois milagres comprovados. Ou seja, quem assim se posiciona tem todo direito de acreditar que seu parente venha a ser merecedor de um milagre.

Apesar de parecer contraditório comprovar milagres, não se pode negar que se trata de um requisito exigido para a beatificação de alguém. E se exatamente aquele parente for o merecedor desse feito? Apesar de tantos conflitos, o que deve merecer uma análise leve, confortável, segura é que todas as crenças, a fé, os rituais colocam a vida em primeiro lugar. Todos eles são meios de se tornar a vida um pouco melhor.

Não se deve expressar um conceito tachativo, atribuindo a quem doa o atributo de “correto”, nem considerando “errado” aquele que opta por não doar. Mas quem escreve deve passar algum elemento para fortalecer um dos lados. 

Como a vida é o bem mais importante neste plano, a dor da família doadora deve ser reconfortada com o bem gerado à outra parte. Também não há dúvida quanto a se tratar de uma decisão extremamente difícil. Ao doar, a família vai dar vida a quem recebe e aliviar o sofrimento de todos os envolvidos, especialmente dos familiares do receptor.

O bem suplanta qualquer dor. Praticá-lo é defendido por qualquer religião, crença ou filosofia de vida. Doar órgãos só traz o bem para todos e talvez seja a maior demonstração de amor que exista.

Pedro Cardoso da Costa/Bacharel em Direito

Artigo do leitor: “O MEJ e a sede empreendedora no interior baiano”

Empreendedorismo-Serviço-e-chats-ajudam-quem-tem-ou-quer-abrir-empresaNeste artigo enviado ao Blog, a leitora Joyce Cordeiro de Marins, que é representante da empresa Concretize Jr., da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), destaca entre outras coisas que uma alternativa eficiente para fazer o mercado de trabalho se reinventar é trazendo o empresariado para dentro das universidades.

Confiram:

O Movimento Empresa Júnior (MEJ) tem ganhado cada vez mais espaço no interior baiano. E não poderia ser diferente, já que os estudantes universitários dessa região não se conformam mais em apenas receber os conteúdos programáticos em sala de aula. Eles estão atrás do autoconhecimento profissional, o que hoje é encontrado no empreendedorismo.

A exemplo, temos a Empresa Júnior (EJ) do curso de Engenharia Civil, da Universidade Federal do Vale do São Francisco, a Concretize Jr, que está há quatro anos atuando no mercado com sua carta de serviços, abrangendo não apenas o Vale, mas outras cidades longínquas, como a capital pernambucana, Recife. E o que os 76 jovens que passaram pela empresa e aqueles que estão passando por ela ganham com essa experiência? Como dito, existe uma inquietação, é uma preocupação em ser e fazer um diferencial no mercado de trabalho, e por isso somente vivenciando o dia a dia de uma empresa é possível entender e adquirir know-how para encarar o mundo a fora. Onde mais se poderia encontrar um leque tão arraigado de conhecimento? Onde encontraríamos tantas possibilidades e problemas a serem resolvidos?

Se hoje Juazeiro se tornou um polo Empresa Júnior, foi devido às mentes inquietas que instauraram o movimento na cidade. E a Concretize, sendo a primeira EJ federada pela UNIJr-BA, teve um papel indispensável para que isso acontecesse. Foram quase 40 projetos executados, dentre eles projetos arquitetônicos, elétricos, hidrossanitários e levantamentos cadastrais. Trabalhos estes desempenhados por estudantes que se propuseram dedicar-se para dar o melhor e fazer um serviço de qualidade. Não é para menos que a empresa recebeu o Prêmio Impacto no ano de 2015, uma forma de reconhecimento da Federação Baiana de Empresas Juniores, pelos seus trabalhos e crescimento no interior baiano.

E para entender a dinâmica do MEJ interiorano, é necessário reconhecer a importância de quem compõe seu quadro corporativo: o empresário júnior. A sua característica fundamental é a proatividade, porque o que as EJ’s procuram são pessoas capazes de se adaptar e de tomar decisões, antes que lhes sejam requisitadas; e isso vem atrelado ao espírito de liderança, pois é necessário que haja guias, juniores que coordenem e conduzam os demais. De que maneira poderíamos nos destacar entre os milhares de estudantes no país? Através de intercâmbios? Através de Projetos de Extensão? Mas por que não ir além?

O Movimento Empresa Júnior tem como principal intuito formar, capacitar e preparar futuros profissionais, de modo que haja um “quê” a mais. Sendo assim, voltamos à peça chave, o empreendedorismo. Sim! Porque são os jovens empreendedores que estão gerando inovações, que estão buscando uma melhoria, a eficientização de processos e modernização de serviços. Hoje, mais do que nunca o mercado precisa se reinventar. E como isso é possível? Quebrando o protocolo e trazendo o mundo empresarial para dentro das universidades. Não faz mais sentido perdermos tempo, ainda temos muito chão pela frente e o tempo é o nosso maior aliado.

Joyce Cordeiro de Marins/Assessora de Presidência na empresa Concretize Jr.

Artigo do leitor: “Petrolina, o desafio e a oportunidade de aprimorar um ambiente empreendedor”

petrolinaInfraestrutura e mão de obra qualificada. Estes são dois dos requisitos fundamentais para fazer prosperar um bom negócio. E Petrolina, segundo o leitor Pedro Neto, tem as credenciais para alavancar seu desenvolvimento, sobretudo em momentos de crise como o atual, incentivando e facilitando o empreendedorismo.

Confiram:

Califórnia Sertaneja, Capital do Sertão, Petrolina da Fé, do Trabalho, do Progresso ou Terra dos Impossíveis. Não somente os títulos que atribuíram a Petrolina a fizeram ser destacável no cenário estadual, regional e nacional, mas sobretudo o lugar de vencer desafios, “plantar” ideias e abraçar oportunidades. E não basta apenas uma boa ideia para um negócio decolar na sexta cidade mais populosa do estado. Ter um ambiente regulatório, com infraestrutura, mão de obra qualificada e acesso à capital são requisitos fundamentais para um negócio crescer e prosperar, gerando emprego e renda. Nossa economia já depende de negócios inovadores, e para que isso aconteça, a cidade precisa se ater mais ao assunto, especialmente agora em um momento de recessão plena.

A desburocratização do setor público pode atrair investimentos e dar mais coragem ao empreendedor. Faz-se necessário, também, pensar e dar espaço à economia criativa como o turismo e empresas de tecnologia, que podem ser vetores promissores, além de fomentar negócios embrionários através do fornecimento de um espaço físico para essas ideias se relacionarem e se fortalecerem com outras.

Saber aproveitar a nossa localização geográfica e condição logística privilegiada, além de modernizar nossa economia, não só a de base, a exemplo das exportações, precisamos igualmente dar os braços aos novos negócios e à tecnologia, para até mesmo melhorarmos nossa eficiência administrativa e operacional.

Hoje somos uma economia de serviços com baixo valor agregado, pouco industrial e não tecnológica. No entanto, nenhum avanço nesse sentido será possível sem o apoio e interação da administração pública.

Através dessa nova matriz econômica tecnológica/industrial, iremos justificar uma outra vantagem competitiva que Petrolina tem, que é o bônus demográfico, pois assim avançaremos em políticas econômicas e sociais.

Pedro P. L. Neto/Empresário, administrador e especialista em gestão de empresas, finanças e obras

Artigo do leitor: Estudante cobra de faculdade em Juazeiro pagamento atrasado dos professores

FasjAborrecida com o pagamento atrasado aos professores da Faculdade São Francisco de Juazeiro (Fasj), a estudante Dalma Lopes faz um desabafo, por meio deste Blog, para cobrar da instituição os compromissos com seu quadro de profissionais.

Confiram:

Sou aluna da Fasj (Faculdade São Francisco de Juazeiro) e venho por meio deste informar que a faculdade, mais uma vez, não está pagando os professores desde outubro deste ano. Isso não é a primeira vez que acontece e eu, como aluna e representante de sala do 5º período de Fisioterapia, venho aqui para tentar solucionar os problemas.

Não quisemos entrar em greve, para que os alunos que têm bolsa não se prejudiquem, como aconteceu das outras vezes. Os professores, por sua vez, estão de mão atadas e com medo de demissões, como já aconteceu para quem fez greve.

Espero que com a divulgação ou ajuda de vocês, possamos chegar a algum lugar, porque uma instituição particular não pagar os principais modelos da instituição, difícil seguir com educação desse jeito…Minha intenção não é prejudicar ninguém, e sim fazer com que siga as normas jurídicas e de direito de cada cidadão, afinal isso é para ser modelo de bom exemplo.

Dalma Lopes/Estudante

Artigo do leitor: “O presidente sanguinário e sua Reforma da Previdência”

fetapeO presidente da Federal dos Trabalhadores em Agricultura do Estado de Pernambuco (Fetape), Doriel Barros, escreveu um artigo ao Blog no qual comenta sobre a reforma da previdência anunciada pelo presidente Michel Temer.

Segundo Doriel, as categorias precisam se mobilizar contra a reforma que, segundo ele, significa um “sangramento dos mais pobres”.

Acompanhem:

O cenário político do nosso país tem exigido das organizações sociais e sindicais e da Igreja um verdadeiro levante. Uma ação que cobre ao Governo Federal e ao Parlamento mais compromisso e responsabilidade com a população, mostrando que não é possível agir tão deliberadamente, sangrando os mais pobres para pagar os juros da dívida pública. Só a Reforma da Previdência, pauta atual do Congresso, trará um enorme prejuízo para mais de milhão de pessoas do campo pernambucano, que trabalham e esperam, na velhice, uma aposentadoria que as permita viver com dignidade. Isso sem contar os retrocessos causados à vida da população rural pela PEC 55 e extinção do Ministério de Desenvolvimento Agrário, para não citar outros desmandos.

Na agricultura familiar, as pessoas iniciam suas atividades muito cedo, trabalhando, em média, 45 anos. Atualmente, a idade mínima para se aposentar nessa categoria é de 55/60 anos (mulheres/homens) e 15 anos de contribuição. Com a  Reforma apresentada pelo Governo Federal, a idade mínima será de 65 anos para homens e mulheres e o tempo mínimo de contribuição de 25 anos. A proposta ainda prevê a redução dos salários e o fim das pensões. Um conjunto de ações que condena milhões de pessoas, em todo o país, a própria sorte, pois vivendo em condições precárias, e sem acesso a políticas públicas adequadas e programas sociais, muitas morrerão antes de fazer jus a sua aposentadoria.

Sem qualquer preocupação com essas questões sociais, mas somente visando ao capital, o Governo, para atingir seus objetivos, tem apresentado a falsa informação de que há um rombo na Previdência. O argumento é de que foi deixado um déficit, em 2015, de R$ 85 bilhões. Números esses que são questionados pela Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Anfip), que anuncia um superávit de R$ 24 bilhões, no mesmo ano.

O governo esconde que a constituição Federal de 1988 estabelece no artigo 195 que a Previdência Social, a saúde e a assistência social fazem parte da seguridade social e, segundo a Anfip, possuem diversas fontes de financiamento, como contribuições sobre a folha de pagamentos, sobre o lucro das empresas, sobre importações e mesmo parte dos concursos promovidos pelas loterias da Caixa Econômica. Para a Associação, com esses recursos, a Previdência estaria a salva.

O que o atual governo não aceita é que milhares de pessoas, nos últimos anos, tenham comemorado o aumento da expectativa de vida, resultado de políticas de valorização dos trabalhadores e trabalhadoras, em especial, os rurais que, com suas aposentadorias, têm assegurado um envelhecimento com qualidade de vida. 

Por tudo isso, é inadmissível imaginar que essa reforma proposta pelo Governo Federal possa passar no Congresso. Os representantes dos Três Poderes têm expressado, todos os dias, um total desrespeito em relação aos anseios da população brasileira, especialmente quando o assunto é a preservação de direitos historicamente conquistados pelos trabalhadores e trabalhadoras. Não é possível que os parlamentares deem mais esse voto em prol da desigualdade e das injustiças sociais.

Doriel Barros/Presidente da Fetape

Artigo do leitor: “Um ano sem Beatriz e sem respostas”

O-CASO-BEATRIZ-FOTO-NOVAHá exatamente um ano um crime bárbaro deixava perplexa e estarrecida toda uma região. A pequena Beatriz Angélica Mota, de apenas sete anos, foi morta com mais de 40 facadas dentro de uma das instituições de ensino mais tradicionais de Petrolina – o Colégio Maria Auxiliadora.

Durante todo esse tempo, as investigações da Polícia Civil (PC) pouco avançaram e nenhuma resposta de concreta, até agora, foi dada à sociedade sobre o assassino da menina. Neste artigo enviado ao Blog, o leitor José Elias Gomes Batista, cobra essa resposta, assim como a família de Beatriz e todos os cidadãos que clamam por justiça.

Confiram:

O infeliz aniversário de Beatriz

“Vamos celebrar a estupidez humana

A estupidez de todas as nações

O meu país e sua corja de assassinos

Covardes, estupradores e ladrões

Vamos celebrar a estupidez do povo

Nossa polícia e televisão

Vamos celebrar nosso governo

E nosso Estado, que não é nação”

(“Perfeição”/Legião Urbana)

Renato Russo já declarava isso nos anos 90, mas nada mudou. Continuamos sendo assombrados pela violência que toca nossas portas e levam nossos filhos ou queridos amigos.

Até quando continuaremos assim?

Petrolina tem casos assombrosos aos de uma capital. Onde está a Polícia? Onde estão as autoridades para conter tudo isso?

E o que mais me intriga: cadê o assassino da pequena Beatriz? Já se foram os prefeitos e o governador do Estado de Pernambuco, que assegurava prioridade. Mas cadê o assassino de Beatriz?

Vamos com letras maiúsculas: QUEM É O ASSASSINO DE BEATRIZ?

Formalmente não sabemos. E quem saberá?

Sou um homem de dúvidas, mas o vídeo posto pela Polícia Civil poderá ajudar no caso. Não que seja a certeza do ceifador da menor Beatriz, mas transparece ser o marginal de má vontade que retirou a vida da pequena Beatriz.

Vamos além.

O vídeo não mostrou nada, apenas um andarilho pela cidade, na hora errada e no momento incorreto.

Quem atentou contra Beatriz tinha conhecimento, era malandro, conhecia as entradas e saídas da escola, das redondezas, é sagas em matéria de conhecimento, e eu não descarto obra encomendada, logicamente respeitando todas as religiões, mas para o livro do mal pode ser hipótese, pois poderia ter alguém que queria a vitalidade, a felicidade e o amor que existia na pequena Beatriz.

Mas, lucidamente, para onde vamos?

Isso nos deixou os pesquisadores forense sobre o caso.

Morrer para alguns é uma oportunidade, mas para uma criança de 7 anos é uma aberração contra as pessoas que deviam protegê-la.

Aí surge o conhecimento professor/aluno, aluno/professor. Então é capaz de um professor da área de saúde física conhecer todos os alunos?

Tenho certeza que não foi problema aluno/professor e nem professor/aluno nesta instituição.

Então, quem matou Beatriz? Vamos soar e esperar pra ver?

Identificar com qualidade é a melhor propositura. Mas como podemos identificar com qualidade, a partir do momento que a pessoa disponibiliza todo trabalho para você? Quem matou sabia o que estava fazendo, e não é pessoa diferente, pouco lúcida ou que não agrida quem amamos.

José Elias Gomes Batista/Leitor

Artigo do leitor: “Restringir, debilitar, atacar e destruir”

juizaA juíza federal Thalynni Lavor é mais uma a demonstrar todo seu repúdio contra a Câmara dos Deputados, pelas mudanças no Pacote Anticorrupção aprovados esta semana.

Confiram:

No Brasil, a corrupção infiltrou-se nas estruturas de poder de forma crescente, gradual e endêmica. A ONU estima que anualmente 200 bilhões de reais são desviados no Brasil. Valores que deixam de ser aplicados em saúde, educação, segurança, infraestrutura de transporte, fomento de criação de empregos e renda.

Os órgãos de controle começaram a incomodar os Chefes do Poder Político e Econômico. A população começou a reagir.

Os corruptos (de todos os partidos), conjuntamente com os grupos privados favorecidos com os esquemas públicos, passaram a temer serem responsabilizados por seus crimes. Para garantir a impunidade, incentivaram a divisão.

Categorias profissionais e grupos familiares foram sendo coloridos com tons diferentes. Professores, estudantes, servidores públicos, médicos, empresários, empregados, juízes, advogados, jornalistas, escritores foram sendo etiquetados em caixas separadas (juntos seriam fortes!).

Em seguida, passaram a ser excluídos direitos de cada grupo. Apontando que a responsabilidade era do grupo opositor.  As pessoas foram sendo separadas, e foram se separando. Tangidas como se fossem animais em currais diversos.

Cidadãos com iguais interesses de que a moralidade e a ética sejam diretrizes para o agir do Estado, e que os recursos públicos alcançassem seus reais destinatários, passaram a ver uns aos outros como inimigos e responsáveis por seus males.

Quanto mais fragmentado, mais fácil impedir reação! As trincheiras foram sendo inseridas nos grupos de amigos, familiares. Quanto mais dividido, mais fácil excluir direitos e garantias. Mais fácil asfixiar a voz!

Neste ínterim, os políticos reunidos (independentemente da cor da bandeira) aprovam leis que garantem a impunidade dos crimes que cometeram.

Pior! Aprovam leis que amordaçam as instâncias de controle e garantem que eles possam continuar cometendo novos crimes, enriquecendo ilicitamente e saqueando os cofres públicos!

Aproveitaram-se do choro da torcida unida para apresentar cartada de surpresa. Calar a Magistratura e o Ministério Público. Calar especialmente a primeira instância que ingressou no serviço público, por concurso, com o mais alto rigor de avaliação de meritocracia.

Os juízes e representantes do Ministério Público que cometem crimes, que praticam atos de corrupção, os que se utilizam do cargo para obter vantagens indevidas devem ser punidos. E as Medidas de Combate à Corrupção, as quais tiveram apoio popular, criam mecanismos para que isso ocorra de forma mais efetiva.

Já os demais, aqueles que trabalham seriamente para cumprir seu ofício, precisam de independência e autonomia para garantir o cumprimento da lei e da Constituição. Criminalizar interpretação ou amarrar suas mãos, deixando-os à mercê do ataque direto daquele que cometeu os crimes e, quer continuar cometendo, é inaceitável em qualquer país democrático. É impedir que cumpram seu dever. Hipótese em que também estarão cometendo crime, desta feita, por desídia. Como disse a Ministra Carmem Lúcia: “Juiz sem independência não é juiz. É mero carimbador de despacho”.

A OAB é uma entidade de direito público com importância fundamental na redemocratização do país e na manutenção do Estado Democrático de Direito. Seu papel constitucional e institucional, como função essencial da Justiça, sobrepuja (ou pelo menos deve sobrepujar) os interesses corporativos de uma classe.

Violar as garantias institucionais com todas as instâncias de atuação da Justiça reunidas na defesa da Carta Constitucional seria mais difícil. Melhor dividir! Por isso, acresceram crimes que, a priori, parecem fortalecer a categoria dos advogados. Quando, na verdade, os enfraquece na medida em que há impossibilidade de julgamento justo, equânime e independente de forças políticas e econômicas.

Uma nação inteira dividida como torcidas rivais, enquanto os direitos de todos são violados. Professor não pode ensinar. Questionar. Discutir. Médicos passam a ser os responsáveis por todas as falhas do sistema de saúde (e não a má gestão, os desvios e a ausência de estrutura). Bolsistas não podem fazer suas pesquisas. Juiz não pode decidir. Promotor não pode investigar. Advogado não pode postular direitos, ou até postular, mas sem qualquer eficácia! (já que o juiz não pode decidir).

Indivíduos colocados uns contra os outros, como se algum time conseguisse jogar sozinho! E, como no poema Intertexto de Bertold Brecht, cada um vai sendo calado isoladamente: “Primeiro levaram os negros. Mas não me importei com isso, eu não era negro. Em seguida levaram alguns operários. Mas não me importei com isso. Eu também não era operário. Depois prenderam os miseráveis. Mas não me importei com isso. Porque eu não sou miserável. Depois agarraram uns desempregados. Mas como tenho meu emprego, também não me importei. Agora estão me levando. Mas já é tarde. Como eu não me importei com ninguém, ninguém se importa comigo”.

Enquanto os grupos brigam entre si, lutando isolados para serem ouvidos, os políticos, independente da cor da agremiação, e os grandes empresários favorecidos com os crimes assistem de camarote e brindam com champanhe importado…

Thalynni Lavor/Juíza Federal – PE

Artigo do leitor: “Reflexos de uma lamentável crise”

natal-em-criseNeste artigo enviado ao Blog, o leitor Rogério Mota, que mora no Recife (PE), lamenta que a crise instaurada no Brasil tenha atingindo forte uma das festas mais tradicionais do país: o Natal. E não apenas no sentido econômico.

Confiram:

Não é nenhuma novidade dizer que estamos na pior de todas as crises em todas as esferas como nunca o nosso País agora vem passando. Também não é nenhuma novidade dizer que é sem dúvida uma crise provocada por um desgoverno de treze anos de um poder total de destruição, inclusive da própria sensibilidade e no espírito humano de todos nós brasileiros.

Sou sexagenário, tenho excelentes recordações de como a vida tinha mais brilho em todas as épocas do ano. Tinha a participação das pessoas com um elevado fervor de festejar e de colorir as tradicionais festas natalinas. No meu bairro de Casa Forte, aqui no Recife, observando pela minha varanda nesta época, via praticamente em quase todas as varandas dos prédios vizinhos as luzes enfeitando e dando um exemplo de participação e de uma química geral da alegria nas pessoas de que deveríamos festejar o nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. Não, nada disso vem acontecendo. Encontram-se aquelas varandas sem nenhum enfeite e vontade nenhuma de se festejar o Natal. É muito lamentável!!

Quem de nós consegue ter a iniciativa de relevar esse cruel momento para festejar? Não! A nossa estrutura sentimental foi destruída em vermos o nosso Brasil num caos geral: desempregos aos milhões; toda semana corrupção vindo à tona; descrédito total nas classes políticas; as instituições executiva, legislativa e judiciária sendo desmoralizadas pela falta de compostura e de sintonização harmoniosa…enfim, um total descrédito da população em todos os processos de desenvolvimento do nosso Brasil de hoje e de um futuro incerto.

É uma crise, digo novamente, provocada por pessoas que tentaram implantar através de diversas enganações, de diversas enrolações, verdadeiramente de autênticos marginais de alta periculosidade, a destruição de uma Nação em prol dos seus interesses individuais. O pior de tudo é que ainda existe meia dúzia de “anestesiados” que defende e adotam ladrões, corruptos e destruidores de tudo que achávamos bonito como o festejo do nosso Natal. Destruidores dos milhares de famílias de pessoas dignas que merecem a nossa total solidariedade.

O meu desejo, apesar do meu coração extremamente sofrível em nunca admitir o que os marginais fizeram com o nosso bem maior, o nosso glorioso espírito Natalino é, de um Feliz Natal a todos os meus amigos.

Rogério Mota/Leitor

Artigo do leitor: Fidel Castro, uma análise realista

fidel castroNeste artigo, o jornalista Machado Freire faz uma análise realista, sem jogar confetes nem atirar pedras, acerca do líder cubano Fidel Castro, que morreu no último sábado (26), aos 90 anos de idade.

Confiram:

Eu não queria falar de Fidel Castro – nem contra nem a favor do político, do ser humano e muito menos do ditador.

Acho que muita gente deles é que tem até obrigação se de explicar por que “amavam Fidel” e outros, por que “detestavam” o líder cubano.

Não me coloco em nenhuma dessas situações, mas também não fico em cima do muro. Posso até já ter votado nulo ou em branco, mas a minha posição política e ideológica, jamais foi omitida!

Com origem sertaneja, sou da época em que na minha juventude – logo na segunda adolescência, apesar das limitações que tínhamos na comunicação (era o rádio, o cinema e, aqui ou acolá, um jornalzinho) havia motivos para cada um acompanhar a mesmice do coronelismo (com tendência udenista-patriarcal), ou optar pelo lado contrário, como esquerda consciente.

Sempre aparecia uma ou outra “alma perdida” que vinha da capital e nos estimulava a fazer uma opção política. E o ápice foi a ditadura de 64, que “separou o joio do trigo”, com as consequências que a história nos reserva.

Então, por que negar ou omitir que as lideranças dos Estados Unidos, União Soviética e Cuba não nos influenciaram politicamente? Só os indiferentes (e são poucos) não provaram desse “mingau delicioso”, jamais esquecido!

Não interessa detalhar que fulano ou beltrano era assim ou assado; ligado ao imperialismo ianque ou à esquerda soviética ou cubana. Todos temos o livre arbítrio e, mesmo debaixo do cacete, haveremos de levar nossos princípios e tendências para a sepultura. Os covardes têm outra opção/convicção!

Para me situar mais ou menos neste fato – que o mundo inteiro acompanhou – elogiando ou criticando, não posso deixar de emitir a minha modesta avaliação.

Fidel Castro foi um grande líder que exerceu um papel espetacular, juntamente com Guevara, no momento em que derrubou a ditadura de Batista e passou a organizar o povo cubano. Mas se transformou em ditador sanguinário (negando suas mais importantes promessas ao povo cubano e do mundo), na medida em que passou a ter a Ilha como uma propriedade privada e a praticar todas as crueldades que tiveram origem no desgovernos dos seus principais adversários do passado.

Ninguém é dono do destino de ninguém. O ser humano não pode, em nenhuma hipótese, ser tratado como propriedade privada, seja lá de quem for.

Um país sem liberdade não pode ser comparado nem a uma pocilga.

Machado Freire/Jornalista

Artigo do leitor: “Só nos resta orar”

clovis-guimaraesO ex-pesquisador da Embrapa Semiárido, Clovis Guimarães Filho, faz uma análise pertinente sobre a questão hídrica na região e a falta de prioridades para o homem da caatinga.

Boa leitura:

Já são seis anos consecutivos de estiagem severa em todo o semiárido e, até agora, praticamente sem qualquer resposta efetiva em termos de apoio ao produtor por parte dos órgãos competentes, tanto federais como estaduais ou municipais. Seminários, simpósios, reuniões, grupos de trabalho, comitês, “missões internacionais” e outros sobre estes anos de seca não foram suficientes sequer para fundamentar uma agenda mínima de trabalho. Respostas mais efetivas ao produtor continuam apenas na esfera das emergenciais, como se a estiagem fosse uma surpresa. Ações mais concretas devem ser creditadas apenas ao esforço individual de algumas poucas entidades, infelizmente em um nível ainda muito pontual, quase negligenciável em termos de público beneficiado.

Nos primeiros dois anos de estiagem ainda esboçaram algumas formas de apoio ao produtor, como crédito especial para estiagem, distribuição de ração, perfuração de poços, etc. Mas, salvo a renegociação das dívidas, todas sucumbiram pela absoluta incompetência gerencial em fazê-las atingir um número significativo de beneficiários. Hoje, devido à crise. as ações não passam de “remendos”. Nem os pipeiros estão sendo pagos regularmente. Em todos esses anos o desperdício de água continuou generalizado, sem que nenhuma providência ou iniciativa para combatê-lo tivesse sido tomada. Lavagens de calçadas e de carros, às vezes até com água tratada, além de vazamentos e desvios, camuflados ou escancarados da rede pública são cenas do cotidiano das nossas cidades.

O Lago de Sobradinho está com água correspondente a menos de 6% de sua capacidade e, segundo previsões, deve atingir os 2 % até o final do ano. O mesmo acontece com os demais reservatórios em todos os estados. O Velho Chico agoniza induzido pela inépcia dos órgãos ambientais, praticamente confinados ao litoral, ante a devastação irresponsável de seus principais afluentes.  Exemplos disso são os riachos Pontal e Salitre, importantes afluentes em Pernambuco e na Bahia, bem aí às nossas vistas, em seus últimos estertores com o aniquilamento de suas matas ciliares.

Na verdade as coisas só melhorarão quando começarmos a enxergar as estiagens como fatores normais de produção, e não como anormalidades. Tudo isso em uma região de potencial imenso em recursos naturais e humanos para dar um padrão de vida condigno às suas populações. O caatingueiro foi muito pouco lembrado nas recentes campanhas eleitorais. Alguns candidatos até tocaram no assunto, mas de uma maneira muito genérica e superficial. Nos debates da TV o tema “campo” não foi nem levado em conta para sorteio e debate entre candidatos. Não foi apresentada qualquer proposta clara e racional de apoio ao caprino-ovinocultor, nem mesmo um plano estratégico anual de formação de reservas de forragens par os rebanhos, providência elementar e capital de qualquer secretaria estadual ou municipal de agricultura em parceria com agências de crédito.    

Infelizmente a irrigação ainda é uma solução apenas parcial para o nosso semiárido. Apenas pouco mais de 2% de sua área apresenta condições satisfatórias (água e solos de qualidade no mesmo espaço) para sua adequada utilização. Somente agora, forçados pela crise, é que se começa a falar em reuso de água, prática já utilizada desde o século IV a.C  pelos romanos. O mesmo, com relação à exploração de alternativas não agrícolas no nosso semiárido. O potencial é imenso. As iniciativas são frustrantes. Veja-se o caso do abandono do projeto da Serra da Capivara, no Piauí. Em Campo Formoso, município sofrido do sertão baiano, hibernam as duas maiores grutas do Brasil. Mais de 20 km de galerias subterrâneas, com lagos e estalactites de 20m de comprimento, tudo já mapeado e estudado pela USP. Maquiné não chega “nem aos pés”. Até hoje as grutas não contam sequer com uma via de acesso digna desse nome.  

Ao final das contas o que salta mesmo aos olhos é a nossa lerdeza em olhar um pouco mais para baixo e reconhecer o potencial de águas subterrâneas das bacias sedimentares da região. O recém-falecido engenheiro Manoel Bonfim Ribeiro, antigo diretor do DNOCS, reclamava que mais de 40% dos nossos poços tubulares estavam fora de operação por razões diversas, menos por falta de d’água. Ele afirmava que “o semiárido é uma ilha cercada de água doce por todos os lados”. São estimadamente 135 bilhões de m3 em reservas subterrâneas. Só a água subterrânea da bacia do Gurguéia é suficiente para abastecer 2/3 da população brasileira. Um bom projeto de adutoras faria o resto. Manoel Bonfim concluía que, o que falta mesmo não é água, e sim gestão. Isso nos faz perguntar. Não se perfuram poços petrolíferos no pré-sal, a 5-7 mil metros de profundidade para alimentar veículos? Por que não se perfuram poços, a um custo infinitamente mais baixo, na área sedimentar do semiárido, a 300-1.000 metros de profundidade, para alimentar pessoas? Não seria também uma prioridade?

Resultado da imprevidência generalizada: prejuízos calculados pela Confederação Nacional dos Municípios em mais de 100 bilhões de reais, atingindo 33 milhões de pessoas. Agora não adianta mais vir com remendos. Só nos resta orar para que chova abundantemente.

Clovis Guimarães Filho/M.Sc. em Animal Science e ex-pesquisador da Embrapa Semiárido

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