Rompendo barreiras, pessoas com Síndrome de Down em Petrolina são capacitadas e buscam oportunidade no mercado de trabalho

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A entrada no mercado de trabalho é um passo importante para que os jovens possam fazer a transição para o mundo adulto. O excesso de preocupação por parte de familiares e amigos muitas vezes torna essa passagem difícil para as pessoas com Síndrome de Down, principalmente pela forma com que elas são tratadas e pelas baixas expectativas em relação à sua função na sociedade.

Em Petrolina, essa realidade começa a mudar a partir de uma iniciativa inédita da prefeitura, em parceria com a Empresa de Turismo de Pernambuco (Empetur), que ofereceu na cidade um curso gratuito de Recepcionista de Eventos para capacitar as pessoas com a síndrome para atuarem em diversos eventos ligados ao turismo. Ao todo, foram oferecidas 25 vagas destinadas à área, visando ao ingresso no mercado de trabalho. A capacitação durou três dias e foi finalizada ontem (20), no Sest/Senat, contando com a presença dos familiares e amigos dos participantes, além de empresários do setor de turismo envolvidos com a ação e autoridades.

Não é só capacitá-los, é oferecer ao mercado de trabalho a mão-de-obra qualificada. Esse primeiro curso é para provocar o empresariado. Isso é inclusão social”, diz o gestor da Unidade de Projetos Especiais da Empetur, Marcelo Rocha. “Eles são capazes, só precisam de uma oportunidade. O curso foi ministrado por uma consultora do Sebrae. Essa iniciativa também é uma forma de entender que eles são capazes”, frisa.

Reconhecer-se como parte do mundo do trabalho fortalece o sentido de cidadania de jovens e adultos. No caso de pessoas com síndrome de Down, muitas vezes as próprias famílias se surpreendem com mudanças de atitude, uma vez que elas se sentem mais independentes e capazes de realizar seus desejos. E esse apoio familiar é de fundamental importância, como explica o diretor de turismo de Petrolina, Marcus Pamponet. “Quando a gente tem um mínimo de contato, já muda o nosso olhar, a nossa preocupação. O contato com a família também é fundamental. Elas precisam se abrir, se permitir. Sempre estamos buscando alternativas de inclusão, é um trabalho muito difícil”, pontua.

Pamponet ainda chama a atenção do empresariado e ressalta os direitos das pessoas com deficiência, estabelecendo que todos têm direito a oportunidades iguais de trabalho. “A prefeitura está muito sensível para esse projeto. Precisamos que o empresariado abra os olhos e o coração para a inclusão. Não é só um pedido por favor, estamos oferecendo mão-de-obra qualificada”.

União

É importante ressaltar que o trabalho não envolve apenas a pessoa e a empresa. Família, escola e sociedade precisam caminhar juntas na defesa da inclusão efetiva para que a entrada no mercado de trabalho de pessoas com Síndrome de Down possa se tornar uma realidade para todos.

Rocha e Pamponet ressaltaram, ainda, que empregar pessoas com Síndrome de Down e outras deficiências intelectuais traz benefícios não apenas para os indivíduos, mas para as organizações. “Para que a experiência seja positiva a todos, é fundamental enxergar as oportunidades de acordo com as potencialidades de cada um“, justificam.

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