Pesquisa arqueológica revela que seca já existe há 10 mil anos

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SecaPesquisas arqueológicas feitas em 2009, por ocasião do projeto de integração do Rio São Francisco, reforçaram o que muitos cientistas já sabiam a respeito da seca: o fenômeno é antigo. Porém, é mais antigo do que se imaginava. Segundo estudos, a estiagem existe nada menos que há 10 mil anos. Juntamente com esse dado, os arqueólogos também confirmaram a convivência entre o homem e a megafauna, composta por animais da Era do Gelo.

Os achados passam a integrar o acervo do Museu do Homem Americano, localizado no Parque Nacional da Serra da Capivara, em São Raimundo Nonato, no Piauí. No espaço está preservada a história do homem de 100 mil anos atrás até a chegada do colonizador branco. O Museu é considerado o mais completo e moderno da América do Sul e possui laboratórios de arqueologia, paleontologia, registros rupestres e vestígios orgânicos e cerâmicos.

Parte da exposição é formada por descobertas feitas durante pesquisas arqueológicas nas obras do Projeto de Integração do Rio São Francisco, que cruza quatro estados brasileiros: Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte.

A pesquisa arqueológica integra as 38 condicionantes ambientais para a construção da obra. O órgão responsável pela atividade é o Instituto Nacional de Arqueologia, Paleontologia e Ambiente do Semiárido (Inapas), que tem à frente dos estudos a professora e coordenadora do Departamento de Arqueologia e Pós-Graduação em Arqueologia da UFPE, Anne-Marie Pessis. As novas descobertas já possibilitaram vínculos e cruzamentos importantes com as pesquisas da Fundação do Museu do Homem Americano (Fumdham), lideradas pela professora Niède Guidon.

Anne-Marie destaca que os levantamentos propiciados pelo empreendimento aproximaram pesquisadores de diferentes formações, que unem esforços pela investigação científica. Agora, profissionais como físicos, arquitetos e até especialistas em parasitologia estão mais próximos em campo.

Descobertas

Na opinião da arqueóloga do Museu do Homem Americano, Elisabeth Medeiros, é importante que o acompanhamento dos estudos de grandes obras seja realizado por uma instituição científica. “A troca de informações entre as áreas dá uma nova dimensão à arqueologia, antes setorial e, agora, regional”. A pesquisadora salienta ainda que a área das obras do São Francisco é rica em sítios arqueológicos. “Na região de Salgueiro, por exemplo, há vários sítios que podem ser compartilhados e expostos”, conta Elisabeth.

As descobertas indicam que, há 30 mil anos, a região que hoje sofre com a seca já foi úmida e teve uma vegetação rica, capaz de oferecer alimentos aos animais do período quaternário da megafauna, como preguiças-gigantes, tigre-dentes-de-sabre e tatu-pampaterium. Outra evidência é que, embora a região fosse úmida, há indícios que outros períodos de seca ocorreram no sertão nordestino. Com informações da assessoria do Ministério da Integração.

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