Lucas Ramos se posiciona contra privatização da transposição do São Francisco: “Nordestinos pagarão mais caro pela água”

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Foto: Ascom/divulgação

O deputado estadual Lucas Ramos (PSB) foi à tribuna da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) nesta segunda-feira (12) para se posicionar contra o anúncio do governo federal de privatizar a operação e manutenção do projeto de transposição do Rio São Francisco. A proposta está inclusa no primeiro exemplar da série Pró-Infra, uma iniciativa que vai reunir várias ações nas áreas de logística, energia, saneamento básico, mobilidade urbana, entre outros.

Para Lucas, entregar o controle dos eixos da transposição (Norte e Leste) à iniciativa privada representa uma ameaça para a região, principalmente aos estados de Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte.

Caso haja a transferência da gestão, os interesses da população correm sério risco, pois estarão em segundo plano e ofuscados pelos objetivos comerciais dos empresários“, alertou. “Nordestinos de quatro Estados pagarão mais caro pela água se o Governo privatizar“, lembrou.

Com os trabalhos praticamente finalizados e após um investimento bilionário feito pela União ao longo de 12 anos, o governo Jair Bolsonaro quer entregar a operação de um projeto tão importante e virar, mais uma vez, as costas para nossa região“, comentou o parlamentar. Atualmente, as obras da transposição encontram-se em fase de conclusão. O Eixo Leste (que sai de Floresta até o agreste paraibano) está 97,6% concluído, enquanto o Eixo Norte (com captação em Cabrobó e seguindo em direção ao reservatório de Jati, no Ceará) apresenta índice de 97%.

Lucas ressaltou, ainda, a importância que o Rio São Francisco tem para o desenvolvimento nordestino. “As águas do Velho Chico desempenham um papel fundamental para o Nordeste, possibilitando a agricultura familiar e irrigada, a pesca artesanal, o abastecimento, a geração de energia e o turismo. Um patrimônio que deve ser bem cuidado através de políticas públicas que prezem pela sustentabilidade para que continue servindo às gerações futuras“, salientou.

Chesf

Na Alepe, o deputado foi o responsável pela criação de dois colegiados que colocaram luz sobre as discussões acerca da utilização e preservação dos recursos do Rio da Integração Nacional: a Frente Parlamentar em Defesa da Chesf e a Frente Parlamentar em Defesa do Rio São Francisco. “Estamos alertas quanto à movimentação do Governo Federal com o objetivo de retomar a privatização do Sistema Eletrobras, o que levaria em seguida para a venda de subsidiárias do setor elétrico como a Chesf“, declarou.

Queremos que a Chesf continue impulsionando o crescimento do país, sem buscar atender os desejos de investidores em detrimento do seu papel como motor do desenvolvimento de uma região. Estaremos atentos a qualquer manobra que venha a comprometer o bolso e o futuro dos nordestinos“, completou.

7 COMENTÁRIOS

  1. Recursos naturais como AGUA, ENERGIA e GÁS, são patrimônios de todo brasileiro, portanto deveriam ser geridos pelo governo e distribuídos próximo ao preço de custo. Moramos no ‘quintal’ do maior lago artificial do pais Sobradinho e, pagamos a maior conta de água e energia do pais. O custo maior desses serviços é estrutural e linhas de distribuição, no decorrer dos anos governos investiram bilhões, verdadeiras fortunas nas estruturas básicas, depois entregam de “bandeja” para iniciativa privada e até GRINGOS que se alojam aqui para levar o dinheiro do nosso pais. A transposição está no mesmo caminho, antes da conclusão já estão querendo distribuir para os ricos e, o ribeirinho pobre ou paga caro pelo uso do recurso, ou continua sofrendo os horrores da seca inacabável, monstro esse alimentado pela Indústria da seca, até quando, hein?

    • Não senhor Edilberto, esses recursos que você citou não são patrimônios de todo brasileiro, é patrimônio de quem pagar mais por ele, incluindo os gringos que você citou. Quanto o senhor recebeu de ações da Petrobras, Chesf desde que essas empresas existem? Aposto que 0. Portanto os recursos que você citou não são seus. Eu até concordo com a privatização da transposição, o problema é quem ninguém vai querer essa jaca multibilionária e de custo quase inviável de manutenção. Levaria uma década ou mais para que os preços caíssem para um nível que o povo possa pagar.

      Essa transposição jamais deveria ter sido feita, o dinheiro que foi gasto daria para explorar melhor os lençóis freáticos do Nordeste, obtendo água de qualidade e com preço acessível.

  2. Ei Lucas O Governo do estado aumentou a conta de Água a partir de hoje. Vai brigar com o Governador pra reduzir rpz, tu só sabe reclamar e fazer críticas. Vc é uma decepção

  3. Um absurdo privatizar uma água q e nossa, Sr Jair Bolsonaro proteja nossos bens renováveis , o senhor não está sendo como o esperado com o meio ambiente. O rio São Francisco pedi socorro. A floresta amazônica está sendo devastada , o senhor precisa ter conhecimento de nossas riquezas naturais e preserva las . Ainda dá tempo de instruirsse.

  4. O Deputado tem toda razão em defender o Rio São Francisco. Quanto a Transposição, acho que não vai ter comprador, aliás, se o Governo der a custo zero, ainda assim, dificilmente vai encontrar um maluco que queira, a não ser que seja nos moldes das privatizações dos governos anteriores, o governo vende e empresta o dinheiro para o comprador, ou então o cara compra, faz um financiamento no BNDES, aplica o dinheiro em outra coisa e depois abanadona a Transposição. A propósito, basta que o Governo Federal deixe de pagar a conta de energia, que a Transposição será sucateada, mesmo porque, não foi feita para funcionar. A solução para o Semiárido é se fazer Barragens Subterrâneas+Poços Amazonas em seus bojos+pequenos bombeamentos para as cisternas já existentes=água para o consumo humano e animal e ainda se fazer pequenas irrigações. Se cada família irrigar pelo menos meio hectare, ter-se-á mais de um milhão de hectares irrigados, a custos baixíssimos. E isso é possível. Vamos dar adeus ao carro pipa.

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