Estudante de 17 anos acusa professor de abuso sexual no CETEP de Juazeiro e diz que direção tentou ‘abafar’ ocorrido; gestora nega omissão

Um professor do curso técnico de Enfermagem do Centro Territorial de Educação Profissional do Sertão do São Francisco (CETEP), em Juazeiro (BA), foi denunciado por uma estudante menor de idade que o acusa de assédio sexual. O fato, de acordo com a jovem, de 17 anos, aconteceu no último dia 13 de junho, dentro da própria instituição, que fica localizada no Bairro São Geraldo. A estudante relata que foi chamada pelo professor até o laboratório de enfermagem, quando percebeu que não tinha ninguém no local. “Inicialmente, fiquei na porta ao perceber que não havia ninguém no laboratório, o mesmo insistiu para que entrasse, assim fiz, ao entrar pediu para olhar meu joelho e insistiu para que deitasse na maca e tirasse minha calça, nesse momento me recusei e reafirmei que não havia nada de errado com meu joelho, no instante estava nervosa e o professor estava rindo“, afirma.

A jovem ainda relata que saiu “desesperada” do laboratório e voltou para a sala de aula. Depois, ela disse que foi conduzida à Direção por suas amigas e uma professora. Ela alega não ter recebido suporte da diretora do CETEP. “Ao chegar lá ainda assustada com tudo aquilo, o professor já se encontrava lá, e fui conduzida a outra entrada que dá acesso à direção, quando entrei, fui abordada pelo vice-diretor, que tentava me acalmar com água, pois naquele momento estava em choque, e aguardando a diretora da unidade que estava em reunião, e não me deu suporte algum, durante o período que estava na direção, fui induzida pelo vice-diretor para ‘abafar’ e não comentar sobre o ocorrido, e ainda perguntou se me encontrava em condições de retornar à sala de aula. Como já estava perto do horário da saída, fui embora sem nenhum amparo por parte da escola, nem tão pouco falar com a Diretora. Aguardo, juntamente com minha família, que medidas sejam tomadas por parte da escola”, conta.

Sobre a denúncia da jovem, o Blog conversou com a diretora da escola, Dinoelma Moura, que confirmou o ocorrido, mas negou que tenha deixado de dar assistência a estudante. De acordo com a diretora, assim que tomou conhecimento do fato, chamou a mãe da estudante, que foi até a unidade. “Acolhemos, chamamos a mãe e ouvimos a menina, junto com a mãe dela. Não podemos expor a estudante, por isso conversamos com ela e a mãe, separadamente. Depois dessa conversa, colocamos o professor e a mãe. Ele confessou que se excedeu, mas disse não ter tocado na estudante, algo que foi confirmado por ela”, disse Dinoelma Moura.

O professor não dá aulas para a estudante, mas faz parte do quadro do curso de Enfermagem. A diretora disse que ele está afastado dos turnos que a jovem estuda (manhã e tarde). Ainda segundo Dinoelma, a estudante disse que o professor estaria cuidando de um problema no joelho dela. “A escola está apurando o fato. Enquanto instituição, a única coisa que a gente pode fazer é tirar o professor da sala, inclusive ele não é professor dela. Ele já foi tirado do convívio. Ela disse que ele estava ajudando a cuidar de um problema no joelho dela, mas eu não tinha conhecimento disso. A gestão tomou todas as medidas cabíveis e foram encaminhadas aos órgãos competentes”, afirma.

Dinoela Moura disse que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) não permite que a instituição exponha a estudante. “O ECA não permite que a gente exponha a estudante em situação de constrangimento. Ela é menor de idade e a gente está aqui para apoiar os nossos alunos, não para passar a mão na cabeça de qualquer professor que seja. Não nos omitimos, em momento algum. A gente acolhe, chama a família, somos mediadores. Recolhemos as informações e repassamos ao Conselho Tutelar e à Vara da Infância e Juventude, bem como à Secretaria de Educação do Estado”, garante. Até a manhã de hoje (19), quando concedeu entrevista a este Blog, a gestora ainda não tinha sido chamada para ser ouvida pelos órgãos judiciais.

Afastamento definitivo

Questionada se o próprio Cetep não poderia afastar o professor, a diretora Dinoela Moura disse que o Estado é responsável por tal medida.  “Vai ser aberto um processo administrativo, ai o estado pode usar a decisão jurídica para afastar definitivamente o professor. A medida administrativa foi tomada, agora o processo está na justiça, que ficará a cargo de tomar as medidas cabíveis. Reafirmo que tomamos todas as providências e encaminhamos aos órgãos competentes. Lamentamos o ocorrido e garantimos que ela foi totalmente protegida dentro do colégio”, finaliza.

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