Caso Beatriz: advogado diz que ex-funcionário terceirizado era responsável por sistema de informática, não de imagens, do Colégio Auxiliadora

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Wank Medrado. (Foto: Blog do Carlos Britto)

Depois de conseguir, junto ao Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), a emissão de um habeas corpus para Allinson Henrique de Carvalho Cunha – acusado de ter apagado as imagens das câmeras de monitoramento do Colégio Maria Auxiliadora, onde a menina Beatriz Angélica Mota, de 7 anos, foi brutalmente assassinada em dezembro de 2015 – o advogado Wank Medrado voltou a reforçar a defesa do seu cliente. Em entrevista ao Programa Carlos Britto, na Rural FM, nesta quinta-feira (19), Wank assegurou que Allinson é mais uma vítima deste caso, que até hoje não foi desvendado pelas autoridades policiais.

De acordo com o advogado, há muitas fake news (notícias falsas) divulgadas pelas redes sociais referentes ao crime e, diretamente, a Allinson. Wank assegurou que a empresa pela qual Allinson era contratado e prestava serviços ao colégio não respondia pelo sistema de monitoramento eletrônico.

Desde 1997, ele era responsável pelo sistema de informática, ou seja, a parte de computação. Já a parte de câmeras era de responsabilidade de uma outra empresa”, frisou. Na versão da defesa, Allinson teria prestado um favor ao colégio, por ocasião do crime, ao fazer uma cópia de segurança (backup) das imagens e a entregou a funcionários da instituição, que por sua vez encaminhou a cópia para a Polícia Civil de Pernambuco (PCPE), responsável pelas investigações.

A gente acredita, a partir disso, que houve um erro no manuseio. Especificamente esse erro de manuseio possa ter acontecido na polícia. Há probabilidade de ter colocado estes HDs (discos rígidos) ou DVRs num sistema incompatível, que pode ter gerado uma formatação automática, que é normal dentro desses sistemas de informática. Para proteger às vezes a máquina, há esses mecanismos de formatação automática. É o que provavelmente pode ter ocorrido”, argumentou.

Wank explicou ainda que a polícia procurou saber do colégio se havia outras cópias de segurança, mas foi informada que todas as imagens no dia do crime já tinham sido encaminhadas. Pouco tempo depois, vem à tona a notícia sobre o desaparecimento das imagens. Mesmo assim, segundo o advogado, a direção do conseguiu, junto a uma empresa especializada, conseguiu recuperar as imagens e ficou constatado que não havia nenhum motivo extraordinário para que fossem apagadas.

Equívoco

O advogado alegou ainda que nada trará a vida da garotinha Beatriz Angélica de volta e toda a sociedade se sente solidária à dor da família. No entanto, não é admissível “acusar irresponsavelmente” uma pessoa sem “o mínimo de provas”. Para Wank, a polícia pernambucana cometeu esse equívoco. “Ao meu ver, a polícia quis fazer, em algum momento diante da falta de resolução do caso, foi prender para investigar, quando na verdade a legislação diz que precisa investigar para depois prender”, declarou.

Wank revelou que Allinson e a esposa estão passando por tratamento psicológico, diante da situação que passaram, e o momento agora é de fazer seu cliente retomar sua rotina. “O que houve em relação a Allinson foi uma acusação injusta. Ele precisa e merece retomar sua vida profissional e familiar, seu ciclo de amizades em Petrolina e região, e tentar, usando o tempo como auxiliar, sedimentar um novo momento após tudo isso que ele vivenciou”, concluiu Wank.

1 COMENTÁRIO

  1. “Há probabilidade de ter colocado estes HDs (discos rígidos) ou DVRs num sistema incompatível, que pode ter gerado uma formatação automática, que é normal dentro desses sistemas de informática. Para proteger às vezes a máquina,”
    A justiça caiu nesse “H” ?, Meu Deus, quanta crueldade tanto do criminoso quanto desse advogado e da justiça!

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