Autor de projeto que cria curso pré-vestibular gratuito, vereador de Pilão Arcado denuncia gestão municipal: “Coronelismo camuflado”

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Vereador de Pilão Arcado-BA,Paulo José. (Foto: Duda Oliveira/Blog do Carlos Britto)

Em Pilão Arcado, no norte da Bahia, um projeto do vereador Paulo José (PCdoB) vem dando o que falar na Câmara Municipal. De acordo com o vereador, que faz parte da oposição, a proposta tem como objetivo preparar os estudantes da cidade para enfrentar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e vestibulares, pois, segundo ele, o Município não oferece condições mínimas de estudo na rede pública.

Ele [o cursinho] seria oferecido dentro de prédios da rede pública e o corpo docente seria formado por professores também da rede pública. Eles [os vereadores de situação] levantam a tese de que isso vai gerar despesas para o município. Mas isso não vai gerar despesas. Esse curso também abrange para adultos e idosos, são 20% das vagas para eles. A rede de educação não tem suporte mínimo para os estudantes concorrerem ao Enem. A situação não têm argumento, a não ser a perseguição política”, disse Paulo José, em entrevista a este Blog.

Pelo fato de eu ser de oposição, eles não querem votar a favor. Na visão deles, com a aprovação do projeto, vou me engrandecer. Algo totalmente errado, pois não serei beneficiado em nada. Eles já colocaram o projeto em pauta, mas foi retirado. A prefeitura diz não ter renda, mas vai contratar Zezé di Camargo e Luciano por R$ 250 mil”, lamentou. A dupla deverá se apresentar na festa do padroeiro da cidade.

Com apenas quatro vereadores de oposição – dos 13 que compõem a Casa -, Paulo José diz que já ouviu de vários deles que o projeto não será aprovado. “Eles disseram que não vão aprovar projeto de oposição”, afirmou. Após informar que procuraria a imprensa para denunciar o que vem ocorrendo no Poder Legislativo Municipal, Paulo disse ter sido informado que o projeto vai ser novamente colocado em pauta na próxima sessão, marcada para acontecer na terça-feira (8).

Segundo Paulo José, o Município recebeu recentemente uma verba de R$ 45 milhões de precatórios do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef), mas esse dinheiro não estaria sendo investido na educação. “Esse dinheiro não está sendo aplicado na Educação. Dentro do município, hoje, não existe obras. A saúde deixa a desejar, temos a pior rede de ensino da Bahia. As aulas vieram iniciar agora em abril”, destacou.

Sessões

Com “quase nenhuma atuação” do Legislativo, o vereador de oposição ainda contou que as sessões são realizadas a cada 15 dias. “São de 15 em 15 dias. Eu apresentei um projeto para ser semanal. Estamos há um mês sem sessão por falta de quórum, porque só vereador de oposição marca presença. Outros projetos que apresentamos foram aprovados, mas o prefeito ainda não sancionou. Como não tem um dia fixo, fica difícil a população acompanhar as sessões. E, para o prefeito não é importante essa fidelização do público. Às vezes, até a gente não sabe, porque eles não avisam.

Durante a entrevista, o vereador Paulo José ainda tocou em pontos importantes que, de acordo com ele, a cidade está carente. Além da Educação, a Saúde, a distribuição de água pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) e o nepotismo ainda são grandes problemas enfrentados em Pilão Arcado.

O hospital tem bons profissionais, tem bons médicos, mas tem situações que deixam a desejar. O dinheiro que não está empregado na educação, poderia ser empregado na saúde”, sugere. “O secretário de finanças é irmão do prefeito. A secretaria de saúde, que saiu agora, é esposa do prefeito, saiu por denúncia nossa. Familiares de vereadores em cargos de confiança, é nepotismo cruzado”, disparou Paulo.

Ele disse que não há o menor investimento para melhorar o fornecimento d’água. “Recentemente, estávamos com esgoto nas torneiras. Ligávamos as torneiras saía bichos, água barrenta. Não foi gasto nada com a melhoria da água. Tem esgoto a céu aberto. A rede de esgoto está pronta, mas não está funcionando. São problemas básicos que não são resolvidos.”

Coronelismo

Questionado sobre qual a principal fonte de renda em Pilão Arcado, o vereador Paulo disse que a prefeitura ainda gera a maioria dos empregos e que o coronelismo ainda reina. “Eles não acham interessante fomentar a economia. Porque se eles [os moradores] ficarem livres, não votarão neles. Eu acho que o povo é refém. É uma oligarquia. Lá, pouca gente ‘mama’ muito nas tetas da Prefeitura. Esse grupo está no poder há cerca de 30 anos e o coronelismo ainda reina, agora de forma camuflada. Espero que o prefeito caia em si e resolva essa situação”, finalizou.

O Blog não conseguiu contato com a Prefeitura de Pilão Arcado para comentar o assunto, mas deixa o espaço reservado, caso queira se pronunciar.

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