Após exumação de corpo, IML deve concluir em até 20 dias análise da causa da morte de adolescente grávida que faleceu no HDM/Imip

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Exumado corpo de adolescente grávida de cinco meses que faleceu no HDM/Imip, em Petrolina. (Foto: Alieny Silva/Blog do Carlos Britto)

A exumação do corpo da adolescente Milian de Souza Carvalho, de 15 anos, ocorrida na manhã de hoje (25), é mais um passo na investigação da Polícia Civil (PC) para saber qual a verdadeira causa da morte da garota, que estava grávida de cinco meses e morreu no Hospital Dom Malan (HDM)/Imip, em Petrolina, no último mês de maio.

Os familiares acusam o hospital de negligência, mas a direção da unidade informou, através de nota enviada a este Blog, que uma série de fatores provocados por uma infecção culminou para o óbito. Na nota, o HDM ressaltou que a causa da morte foi “Edema Agudo de Pulmão/Choque Séptico/Corioamnionite/Ruptura Prematura de Membranas“, disse que a paciente foi atendida desde o momento em que deu entrada no hospital e que a equipe médica não mediu esforço para salvá-la.

Como este Blog mostrou mais cedo, o processo de exumação do cadáver foi acompanhado pela equipe do Instituto de Medicina Legal (ML), através da Polícia Técnica, o delegado Gregório Ribeiro, a mãe de Milian, Enileide de Sousa Carvalho, e a Comissão Especial de Inquérito da Câmara Municipal.

O delegado Gregório Ribeiro explicou quais são os procedimentos que a Polícia Civil vaia dotar a partir de agora. “O IML vai ter de 10 a 20 dias para concluir a análise da causa da morte e, posteriormente, havendo a conclusão dessa analise, será enviado para Policia Civil, para que a investigação tenha seu andamento. Tão logo enviado, queremos concluir o mais rápido possível”, informou.

Também existe a expectativa para a liberação da exumação do corpo de Gislane Lopes, de 21 anos, para os próximos 15 dias. A jovem, que veio de Remanso (norte da Bahia), deu entrada no HDM no dia 2 de outubro de 2017 para ter seu bebê, mas acabou morrendo oito dias depois por um quadro de infecção generalizada. Sobre esse caso, o delegado disse que a investigação será acompanhada junto à Polícia Civil baiana.

Exumado corpo de adolescente grávida de cinco meses que faleceu no HDM/Imip, em Petrolina. (Foto: Alieny Silva/Blog do Carlos Britto)

Mãe

Bastante abalada, a mãe de Milian, Enileide de Sousa Carvalho, agradeceu o apoio recebido. “Eu espero o resultado, porque precisamos saber a real causa da morte da minha filha. É um momento de muita dor. A exumação é necessária para que a causa seja esclarecida. Agradeço a todos que estão engajados, lutando comigo. Agradeço à Comissão formada pela Câmara, estão me ajudando, me dando apoio. Vamos esperar”, declarou.

Ela disse que está engajada no caso não só pela filha, mas todas as outras mulheres que perderam a vida no HDM. Ela também disse querer saber qual era o sexo da criança. “Quero que a justiça seja feita, porque, como eu falo desde o início, eu luto por justiça não só por minha filma, mas por todas que já se foram. Precisamos que a nossa saúde seja melhorada. Não sabemos qual era o sexo da criança, precisamos saber”, completou.

O presidente da Comissão Especial de Inquérito da Casa Plínio Amorim, vereador Ronaldo Cancão (PTB), acompanhou a exumação e falou sobre as expectativas. “É doloroso, pela primeira vez assisti uma cena dessa. Mas a gente está fazendo a nossa missão, de acompanhar todo o desenrolar dessas investigações, contribuir no que for necessário. Enfim, estamos cumprindo o nosso papel perante a sociedade. Além de mim, a comissão é composta por Ronaldo Silva, Rodrigo Araújo, Professor Gilmar, Gabriel Menezes, Paulo Valgueiro e Maria Elena. Creio que até o final de agosto o nosso relatório seja concluído”, pontuou. Após a conclusão desse trabalho, o relatório será apresentado à sociedade e ao Ministério Público nas esferas federal e estadual.

Vereadores integrantes de Comissão da Casa Plínio Amorim acompanham trabalhos. (Foto: Gabriel dos Anjos/Blog do Carlos Britto)

2 COMENTÁRIOS

    • É claro que o ideal seria fazer o procedimento antes do sepultamento, mas imagina se isso ocorresse sem a devida apreciação judicial para analisar o fundamento da denúncia? O IML não suportaria a demanda de familiares de pacientes hospitalares que morrem nas unidades de saúde, pois muitas vezes sempre surge a questão se houve ou não erros médicos. Infelizmente por não confiarmos mais na nossa saúde pública.

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