“Esta não é uma vitória minha. É uma vitória da Facape, da instituição”. Foi dessa forma, visivelmente emocionada, que a professora Clemilda Barreto comentou sobre sua recondução ao cargo de diretora-presidente da Autarquia Educacional do Vale do São Francisco/Facape.
A decisão favorável a Clemilda – afastada no último dia 12 da função por denúncia de acúmulo de cargos – foi do desembargador José Ivo de Paula Guimarães, do Tribunal de Justiça de Pernambuco. A liminar não tem caráter definitivo e cabe recurso.
Na coletiva que concedeu à imprensa local há poucas horas, em seu gabinete, Clemilda não escondeu que seu afastamento está ligado “a questões políticas” por pertencer ao grupo do secretário Fernando Bezerra Coelho (PSB), adversário do atual prefeito de Petrolina Júlio Lóssio (PMDB).
Mas sem demonstrar ressentimentos, ressaltou estar aberta ao “diálogo e fazer parcerias” com a prefeitura, a pouco mais de um ano para encerrar seu mandato de diretora. “Ambos, Facape e município, podem crescer juntos em prol do desenvolvimento da região”, ponderou.
Perguntada se seu afastamento pelo prefeito foi uma retaliação política pelo fato dela ter afastado a procuradora municipal Camila Cruz, Clemilda descartou completamente a suposição. Garantiu que foi a própria Camila que pediu para sair da assessoria jurídica da Facape, alegando questões éticas porque estava trabalhando na campanha do então candidato a prefeito Júlio Lóssio. Na época o prefeito era Odacy Amorim (PSB).
“Eu elogiei a postura dela e até pedi que aguardasse, mas ela não aguardou e se afastou do cargo. Tenho testemunho disso. Não há nenhuma prova de que eu a tenha exonerado”, revelou Clemilda.
Sobre a relação com uma parte dos universitários que não queria sua volta, Clemilda admitiu uma parte dessa culpa pelo fato de não informar as ações de sua gestão como deveria. Mas argumentou que muitos facapeanos confundem a função de diretor-presidente com a do diretor acadêmico. Ela garantiu que seu trabalho administrativo e financeiro, conforme determina o estatuto, estava sendo rigorosamente cumprido. “É preciso que nossos alunos se informem das atribuições para não atribuírem ao diretor-presidente funções que não são dele”, disse.
Quanto ao recente caso do estupro de uma estudante de direito, Clemilda contestou qualquer culpa no episódio. Ela informou ter solicitado à Prefeitura a presença de guardas municipais na Facape, e não obteve sucesso. Também tentou a contratação de uma empresa de segurança sugerindo ao Diretório Acadêmico (DA) o acréscimo de dois reais nas mensalidades dos estudantes. Também não conseguiu.
Clemilda disse que mesmo com recursos próprios, fez a guarita e o muro, além de instalar o sistema de vigilância eletrônico para garantir a segurança dos alunos. Apesar do esforço, ela reconheceu que a faculdade ainda é vulnerável nesse ponto, mas em nenhum momento houve omissão. “Dentro dos nossos recursos, a gente fez o que pôde. É claro que há deficiências, mas em nenhum momento fomos omissos”.
Ela informou ainda que vai abrir licitação para terceirizar o serviço e melhorar a segurança na instituição. Ainda sobre o assunto, Clemilda revelou não ter tomado conhecimento de outro caso de estupro na Facape, ocorrido quinze dias antes do da estudante de direito, conforme boletim de ocorrência prestado pela vítima na polícia. “O que soube foi de um caso de uma menina que tinha sido abordada na saída da faculdade por um individuo, mas nada aconteceu”, garantiu Clemilda.
Por Antonio Carlos Miranda