
A diversificação que permitiu ao Brasil despontar como maior exportador mundial de uma variedade de produtos agropecuários nas últimas décadas também será crucial para consolidar essa liderança e avançar sobre outras áreas até 2020, afirmam analistas.
Apesar de sempre ter tido presença destacada no mercado internacional de produtos agropecuários, foi quando começou a diversificar sua pauta que o Brasil se firmou como grande exportador.
“Nos anos 70, o café representava mais de 60% da pauta de exportações brasileira, enquanto soja e carnes, por exemplo, sequer figuravam nesse ranking”, diz o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues.
“Hoje, apesar de ter crescido em termos absolutos, o café representa 6%. Carnes e soja chegam a 45%”, afirma.
Além de manter a liderança no café, o Brasil hoje é o maior exportador mundial de carne bovina e de frango, etanol de cana-de-açúcar e do complexo soja (que inclui óleo, farelo e grãos), segundo dados do Ministério da Agricultura.
Está também entre os líderes em um leque de outros produtos, que vão de milho e soja em grão (segundo, atrás dos Estados Unidos) a carne suína e fumo.
“O modelo brasileiro é muito inovador. Não há mais um setor exportador, como era na época do café e nos ciclos anteriores, da borracha, da pecuária”, diz o representante regional da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), José Graziano.
“Hoje o Brasil exporta produtos de todo tipo, do mel de abelha do Piauí à soja do Paraná. O setor exportador não é mais um enclave, é parte das cadeias produtivas”, afirma.
Segundo o representante da FAO, essa diversificação torna possível também reorientar determinado produto para o mercado interno quando o externo vai mal, como neste período de crise mundial.
Mesmo com esse desempenho já destacado no comércio internacional, ainda há muito espaço para crescer, afirmam analistas. Até 2020 o Brasil deverá aumentar sua importância como exportador de uma série de cadeias produtivas.
“Há pelo menos duas áreas em que podemos crescer espetacularmente: fruticultura e floricultura”, diz Roberto Rodrigues.
A fruticultura brasileira já deu um salto nos últimos anos, com o surgimento de polos como o do vale do São Francisco, em Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), que se destaca na exportação de manga e uva.
Em relação a frutas tropicais, especialistas afirmam que, apesar de já marcar presença no mercado internacional, o Brasil ainda pode aumentar o volume exportado.
“Em proteínas animais, vamos dar um grande salto. Suinocultura, produtos lácteos”, diz Rodrigues. “Acho também que vamos crescer muito em nichos específicos, como orgânicos.”
Da: Gazeta Online