O Grupo Camargo Corrêa controla quase 30 empresas e algumas delas doaram, legalmente, cerca de R$ 800 mil para campanhas políticas de Pernambuco em 2006 e 2008. Doaram dinheiro tanto para partidos oposicionistas quanto governistas. Nas eleições para governador, deputados e senador, em 2006, Mendonça Filho (DEM) tentava se reeleger governador e recebeu duas contribuições do Grupo – R$ 50 mil da Construções e Comércio Camargo Corrêa S/A e R$ 50 mil da Dupé S/A, fabricante de sandálias que tem unidade no estado. O Comitê Financeiro do PPS no estado também foi beneficiado com doações da Construtora Camargo Corrêa, que contribuiu com R$ 200 mil. O PPS era aliado do governo Mendonça.
A então candidata à Câmara Federal Ana Arraes, (PSB), mãe do atual governador Eduardo Campos (PSB), recebeu R$ 100 mil da mesma empresa. Assim como ela, os também candidatos a federais Armando Monteiro Neto (PTB) e Renildo Calheiros (PCdoB), hoje prefeito de Olinda,receberam R$ 50 mil e R$ 65 mil. Os três candidatos eram da oposição.
Ao todo, em 2006, as duas empresas do grupo doaram R$ 515 mil legalmente para políticos de Pernambuco. Em 2008, a conjuntura política no estado era outra, com Eduardo governador. A empresa financiou um candidato governista e o valor de doações diminuiu para R$ 300 mil.
No Recife, apenas dois candidatos receberam doações de empresas do grupo Camargo Corrêa. João da Costa (PT), que disputava a prefeitura, e Priscila Krause (DEM), que tentava ser reeleita vereadora. O petista recebeu R$ 200 mil da Construções e Comércio Camargo Corrêa S/A. Já a democrata, atual líder da oposição na Câmara Municipal, recebeu R$ 10 mil da Cavo Serviços de Meio Ambiente S/A, empresa que presta serviços de limpeza urbana em cidades como Curitiba e São Paulo. É da Cavo que Mendonça Filho afirma ter recebido uma doação de R$ 100 mil, citada no relatório da Castelo de Areia, e outra de R$ 200 mil, todas legais, segundo ele.
A Cavo também contribuiu com campanhas de quatro candidatos a prefeito do estado, todos de oposição ao governo: Júlio Lóssio (PMDB), de Petrolina, recebeu R$ 30 mil; Jacilda Urquiza (PMDB), derrotada em Olinda, R$ 20 mil; Elias Gomes (PSDB), de Jaboatão dos Guararapes, R$ 10 mil; e a candidata derrotada em Afogados da Ingazeira, Giza Simões (PMDB), que recebeu legalmente R$ 15 mil. A mesma empresa ainda contribuiu com R$ 15 mil para o Comitê Financeiro do DEM no Recife.
As doações de 2006 e 2008 estão disponíveis no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas as contas da última eleição ainda não foram julgadas. O único candidato a prefeito do Recife que já tem as contas publicadas no site é João da Costa, que foi o eleito e teve um prazo menor para informar receitas e despesas à Justiça.
Fonte: Diário de Pernambuco
http://www.diariodepernambuco.com.br/2009/03/28/politica4_0.asp